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sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A geração da internet está matando a música?

Imagine-se na idade média, sem energia elétrica. O que dirá computadores, televisão ou mesmo rádio.

Como poderíamos ouvir música?

Pensou?

Me vem na cabeça apenas duas formas: Ou alguém cantarolando enquanto faz seus afazeres domésticos, trabalhando ou fazendo sabe-se lá o que, ou ir de encontro a música ao vivo. Isso se daria por grupos populares ou nas igrejas. Algum tempo depois com o surgimento das orquestras, era comum as pessoas viajarem para ver seus concertos (ok, isso acontece com a sua super banda favorita).

Com o surgimento da energia elétrica, não sem tem muita diferença inicialmente. Alguma mudança só ocorre quando os meios de propagação da música toma novos ares. Imagine o quão revolucionário foi o surgimentos das transmissões por rádio. Agora era possível ouvir um som sem estar presente na execução. 

Isso pode parecer irrelevante para a geração da internet, mas não vamos tão longe. Se você tem uns 40 anos, sabe que ia-se com maior frequência em busca da música e praticamente parava-se tudo para ouvir o disco novo conseguido.

As coisas foram mudando de tal forma que hoje você tem acesso a qualquer música no seu bolso e a nova geração cresceu tendo a música como pano de fundo para o que estejam fazendo. 

Nunca é tão simples assim. Nunca um único motivo. Temos também o padrão de música comercial de 3 minutos que só da tempo para explorar um estrofe e refrão básico. Se vasculharmos, vai ter mais detalhes, mas enquanto eu juntava o meu dinheiro para comprar os discos que queria ouvir, vejo uma geração nascer que acha um absurdo se pagar por música. Nunca pagaram... por qual razão deveria pagar?

A priore, isso ferra a maioria dos músicos que não estão no mainstream e é só aí onde o dinheiro realmente pode sustentar um artista.

A facilidade de se obter música hoje em dia criou uma geração que não presta atenção na música. Ela só precisa estar presente, afinal o silêncio lhes parecem ensurdecedor.

Acha que estou exagerando?

Pois bem... anos atrás as pessoas queriam tocar guitarra para ser um novo Hendrix, Van Halen, Page, Slash... hoje quando eu pergunto para os alunos que guitarristas eles gostam, não sabem dizer. Uma banda? Não sabem... querem aprender por jogarem Guitar Hero e não, não estou inventando e nem me contaram. Já me aconteceu por duas vezes...

Daí juntamos esses fatores com as baladas de pessoas gerenciadas por pessoas por volta de seus 40 anos e que não possuem tempo (ou preguiça mesmo) para pesquisar música nova e o que tenho visto é só velharia rolando. O cara fala que gosta de rock, mas só "classic rock". Nada de novo aparece ou acontece. Nada com menos de 25 anos

Quando surge algo novo então, tem aquele ar "vintage". Ou seja, a busca por algo que lhe remete ao mesmo...

Não sei vocês, mas eu gosto de respirar coisas novas. Gosto da sensação de uma nova canção me trazer prazer. Me arrebatar. 

Vou além. Gosto da música que me tira da zona de conforto e não vou longe. Ainda no começo dos anos 2000, rolava músicas como essa da Bjork na MTV e lembro que você podia não gostar (e tinha muita gente que não gostava), mas ela definitivamente te tira da zona de conforto e hoje infelizmente a absurda maioria das músicas já são pensadas para entrar dentro de uma determinada caixinha...

Voltarei a falar disso...

Até mesmo por estar na próxima segunda novamente no X Factor Brasil que me parece que quer premiar a melhor cópia de alguém...

Vocês vão poder acompanhar um pouco em tempo real através das seguintes plataformas:


Por hora, Fiquem com a sempre desconcertante Bjork:




quinta-feira, 21 de julho de 2016

We will rock you



We will rock you é um musical baseado nas composições do Queen e isso todo mundo já sabe. Outra coisa que se sabe é a total falta de tradição do brasileiro para com os musicais (passando por esse que vos escreve) e o que acontece é que talvez, até por esse preconceito, o brasileiro perca esse excepcional espetáculo.

Se não temos dúvidas da qualidade da trilha, os músicos que participam do espetáculo se esmeraram em fazer um trabalho primoroso. A busca de referências visuais e sonoras pode deixar algum espectador menos atento pensar que trabalha-se com playback dado a qualidade sonora. E olha que isso não é uma tarefa nada fácil com a quantidade de cantores e instrumentos que se tem em cena e daí temos que credenciar também o Teatro Santander como uma sala de tratamento acústico invejável e técnicos de som que realmente souberam fazer seus trabalhos.



O Musical é composto de dois atos de cerca de hora e meia cada com um intervalo de 15 minutos. Nele, uma fábula sobre o iplanet é encenada mostrando como querem manter os jovens sobre controle e por isso o rock deve ser banido para que não se desperte o espírito da liberdade. Entre as cenas que despejam humor na medida certa com várias citações de músicos atuais e da música pop, as canções do Queen são interpretadas.

Os arranjos não são cem por cento fiéis aos originais, mas por uma opção estética, mas se aproxima muito quando necessário.

Na platéia se vê desde pessoas contemporâneas à banda rememorando os hits do quarteto inglês quanto pessoas mais novas descobrindo o Queen dentro de um primor de espetáculo.

Definitivamente uma ótima pedida. Mesmo que você não goste de musicais, se arrisque nessa viagem sonora.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Todo aquele jazz



Um dos melhores livros que já li sobre jazz e você pode ser um entendido ou não no assunto. Ouso, pode ser um curioso ou não e provavelmente vai achar sua leitura leve e interessante e daí, o mérito vai para o escritor inglês Geoff Dyer que entrando no espírito do jazz, improvisa fatos aos verdadeiros na vida de grandes músicos de jazz como Chet Baker, Thelomious Monk, Duke Ellington, Art Pepper entre alguns outros imortais do gênero.

Como se da esse improviso? Geoff escreve uma espécie de romance com os músicos citando passagens reais de suas vidas (no qual ele inclusive faz comparação com referências musicais que músicos de jazz fazem ao tocar frases de outros músicos e no qual você perceberá ou não conforme o aprofundamento que tenha no estilo musical). Em outras palavras, algumas coisas são reais, outras puta ficção para o romance.

Basta ver o comentário do pianista de jazz Keith Jarrett sobre o livro: "O único livro de jazz que recomendo aos meus amigos".

No final do livro ainda temos uma crítica aos críticos de uma forma bastante interessante e um raciocínio sobre a importância da abordagem do gênero de forma cronológica para que se entenda o impacto que cada músico causou em sua época (aliás, a mesma coisa que sempre falo aos meus alunos da aula de história do rock). Contexto histórico... isso é deveras importante...

Ainda tem uma discografia básica interessante ao final da obra...

Coloque aquele som para tocar e viaje juntos com Geoff Dyer.




Ficha técnica:
Editora: Companhia das letras
Ano:2013
Idioma: Português
Páginas: 240

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O dia mundial do rock e a grande mentira...

Death from above 1979

Vamos por partes...

Dia mundial do rock que é comemorado apenas no Brasil. Como assim?

Em 1990, duas rádios paulistas em uma campanha citam a data como o dia mundial do rock em alusão ao Live Aid ocorrido em 13 de julho de 1985. O Live Aid foi um grande evento envolvendo shows na Filadélfia (EUA) e Londres (Inglaterra) com nomes de peso do rock. Phil Collins por sinal, tocou em ambos os eventos que ainda tiveram nomes como Black Sabbath, Eric Clapton, The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, David Bowie, B.B. King, Scorpions, U2, Rolling Stones e se você der mais uma pesquisadinha, verá que outros grandes nomes estiveram por lá como Madonna ou Joan Baez que não são definitivamente do rock. O evento por sinal, era para a conscientização sobre a pobreza extrema na Etiópia.

Um festival que nem era exatamente de rock é lembrado por duas rádios como sendo o dia mundial do rock que se comemora só aqui no Brasil....

Temos que rotular e vender não é mesmo?

Mas se quiser ver um pequeno vídeo sobre a história do rock desse que vos escreve também vos falando, dê o play:


E a molecada hoje em dia nem gosta de rock. Gosta de Guitar Hero. É diferente...

segunda-feira, 29 de junho de 2015

Opiniões acirradas que proferimos sem nem perceber...

Imagem da internet

Já não é de hoje que penso que o comportamento das pessoas perante os meios de comunicação pós internet se modificou de forma radical. Basicamente na época em que a televisão detinha o poder de comunicação, a atitude de seu público era passiva. O que víamos no jornal, víamos e pronto. No máximo uma conversa com os vizinhos ou entre nossas rodas de amigos ou familiares. Uma grande comoção nacional e você podia trocar algumas palavras sobre o ocorrido com um desconhecido em um ponto de ônibus ou em uma mesa de bar.

A internet muda completamente isso. Inicialmente com sua opinião em verdadeiros murais colocados na internet, até os dias de hoje em que essa interação se torna em tempo real. Chegamos então em um momento onde as pessoas parecem precisar expressar sua opinião custe o que custar e acho que ela acirrou as diferenças de pensamento... de certa forma... ela contribui com os radicalismos dos extremos...

Para fortalecer a ideia do quanto eu penso isso de longa data, vejamos o nome desse blog... É apenas o que eu acho...

O que eu acho é o que eu acho e não verdade absoluta. Não tenho a pretensão de achar que o meu pensamento é sempre o correto perante o teu. Acho isso poderia soar arrogante de meu ser, mas algumas "acusações" me soam esdrúxulas.

A última? Fui acusado de homofóbico por não ter aderido aos perfis coloridos. Então é simples assim? Troca-se uma foto e atesta-se os teus verdadeiros atos? Quando vi alguns políticos com as fotos, pensei: Mas o que será que efetivamente você fez para garantir os direitos à classe?

Tenho motivos para não trocar a minha foto e respeito a sua troca. Quis trocar, mas não troquei e penso que enquanto dividirmos a população entre os do bem (os que pensam como eu) e os do mal (que pensam diferente) e temos o começo do grande problema da humanidade.

Reclamos dos programas "dos Marcelos Rezendes e Datenas" das vidas, mas transformamos nossa timeline no mesmo poço de polêmicas.

A polêmica da semana passada nem esfriou quando fui julgado por não conhecer Cristiano Araújo. Ontem, outro artista foi levado ao andar de cima. Chris Squire. Baixista e um dos fundadores do grupo Yes. Se você não o conhece, não vejo problema algum nisso. Mesmo eu trabalhando com música, não conheço todas as pessoas.

Despende-se muita energia em casos como esses. Hoje eu prefiro apenas deixar essa mestre das 4 cordas tocar...

Leveza...


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ben Harper encerra a segunda noite do Samsung Blues Festival em grande estilo

Foto Alan Alves via Blah Cultural

A noite seria de fechada pelo californiano Ben Harper do qual possui um leque de sons que nos fazia pensar o que ele apresentaria no encerramento de um festival de bules, mas antes disso, tinha muita lenha para queimar.

O festival começou absolutamente pontual como previsto para 20h30, tendo Flavio Guimarães com a função de abrir a noite. Ele formava um quarteto não exatamente convencional para o gênero que costuma ter linhas de baixo característicos. Sua formação era dele na gaita, bateria e duas guitarras, embora uma claramente desempenhasse uma função próxima ao que o baixo deveria fazer, mas não se enganem. Se você não procurasse com os olhos ou seu ouvido não estivesse super acostumado, você não perceberia. Uma boa pedida de entrada.

Em seguida, um nome de importante respaldo na história do bules. Charlie Musselwhite que surge para o mundo do bules, mesmo sendo branco em plena década de 60. Outro quarteto, mas a formação clássica era alcançada com a substituição de uma das guitarras pelo baixo-elétrico. Seu show foi elétrico e vibrante. Uma voz absolutamente característica ao estilo que com certeza não deixou seus fás desapontados. Ele ainda voltaria mais tarde ao palco reverenciado por Ben Harper para encerrar o show daquele que centraliza a atenção da noite.

Sou fã de Ben Harper, em especial quando ele se apresenta com os "The Innocent criminals", mas nessa noite, o cantor, compositor e multi-intrumentista adentra o palco só. Como lhe é de costume, pegou seu violão e sentado proferiu algumas de suas canções. Transitou por alguns instrumentos como ukelele, guitarra e piano, usando de efeitos de pedal, ou uma base solta de uma tabla indiana para aumentar o espectro sonoro. O show foi realmente bom e digno de nota por conseguir momentos tão intensos estando só no palco. Teve sim "Boa sorte" que é a música que o público radiofônico brasileiro conhece sendo cantado pela platéia, mas ele merece ter uma audição além dessa música. Depois de um belo show, voltou para um generoso bis. Tanto pelo tamanho dele, quanto pela surpresa final que deu ao público com a divisão de palco com o grande Charlie Musselwhite. Esse por sinal, deu uma belíssima interpretação para Homeless Child de Ben Harper que apenas dividiu os refrães com Charlie. 

Uma grande noite para quem gosta de boa música e para quem gosta de Ben Harper. A minha grande dúvida no entanto era o que ele nos apresentaria em um festival de bules… bom… ele não se preocupou com isso e fez o seu show.


P.S: Texto originalmente escrito para Blah Cultural:

quarta-feira, 15 de outubro de 2014

Alt-j (∆)

Motivos incríveis para amar Alt-J (∆)  



Alt-J, também conhecida pelo símbolo delta Δ (que é a junção das teclas, se digitadas em um Mac OS) é uma banda de rock alternativo britânica. Formada em 2007, em Leeds, na Inglaterra, os integrantes se conheceram na universidade e, apesar de tanto tempo juntos, lançaram seu primeiro e por enquanto único álbum, An Awesome Wave, só em 2012.



O som da banda é incrível e bem peculiar, pois como tinham que ensaiar no quarto da universidade, não podiam fazer muito barulho. Então, eles abdicaram do baixo e do bumbo da bateria em algumas músicas, que normalmente aparecem em todas as bandas. Alt-J passa por vários estilos nas 13 faixas do CD, mas não deixa de manter o seu próprio. É o tipo de música que, se você ouvir no rádio, com certeza vai saber de quem é. No entanto, o motivo desse post e o que vai te deixar apaixonado por eles não é (só) o som, e sim as letras e todas as surpresas que elas trazem.

Quer descobrir do que eu estou falando? Dá uma olhadinha:

Para começar, vamos falar do single e da minha música preferida: “Breezeblocks” tem um clipe sensacional que vai te tirar o fôlego e fazer dar replay muitas vezes. Além disso, o grupo fez alusão ao livro infantil de Maurice Sendak, Onde Vivem os Monstros, na parte final da música.



“Please don’t go. I’ll eat you whole. I love you so. I love you so, I love you so”

No livro de Maurice, Max é um menino desobediente que, após brigar com a mãe, vai para uma terra habitada por monstros que o declaram rei. Mas com o passar do tempo, Max sente falta da família e decide voltar. É quando os monstros dizem para ele não ir embora e que o comeriam. De acordo com a banda, o tema trata de um amor obssessivo, onde você é capaz de machucar quem você gosta para ela não fugir. Tudo a ver com o clipe e com a frase!


Em “Fitzpleasure”, não só a música é forte como todo o simbolismo por trás dela. Há muita coisa envolvida. Ela foi inspirada no livro de Hubert Selby Jr., Last Exit to Brooklyn, de 1964. A obra tornou-se um clássico pelo retrato da vida no Brooklyn e pela franqueza ao abordar assuntos como drogas, violência, estupros, homossexualidade e travestismo. O livro é dividido em seis partes, cada uma com um conto diferente. A que inspirou Alt-J foi “Tralala”, onde retrata a vida de uma prostituta que leva o nome da história.

Tralala é uma jovem que vive se prostituindo e roubando em bares de marinheiros e, em uma das cenas mais marcantes do livro, Tralala acaba sendo estuprada por uma gangue, que usa uma vassoura (broom, em inglês), depois de uma noite de bebedeira.

“Tralala, in your snatch fits pleasure, broom-shaped pleasure”

O vocalista da banda, Joe Newman, disse que, apesar de ser uma cena horrível, é muito bem escrita, forte e tocante, e por isso valeria a pena usá-la em sua canção.



A música “Matilda” é basicamente baseada na personagem de Natalie Portman, quando ela tinha 12 anos, no suspense O Profissional, de Luc Besson. A trama conta a história de Mathilda, uma menina de onze anos que convence um assassino, Léon (Jean Reno), a ensiná-la suas habilidades, para que ela possa vingar a morte do irmão. No começo da música, a banda também faz uma homenagem ao cantor Johnny Flynn, em referência à música “The Wrote And The Writ”.

“Just like Johnny Flynn said, ‘the breath I’ve taken and the one I must’ to go on”

Joe Newman disse que Léon teve um grande efeito nele e que Mathilda era uma personagem excelente.



Agora, para os leitores que chegaram até o final (quase), a música que vai te fazer chorar: “Taro”!

Antes de mais nada, é importante escutar a canção e ler a letra antes. 



Já no começo da música, Alt-J nos apresenta o renomado fotógrafo de guerra Robert Capa, que cobriu diversos conflitos, inclusive a Primeira Guerra da Indochina.

“Indochina, Capa jumps Jeep, two feet creep up the road
To photo, to record meat lumps and war
They advance as does his chance, very yellow white flash
A violent wrench grips mass, rips light, tears limbs like rags”

E aqui começa um pouquinho de história: Capa, que era judeu, começou sua carreira em 1931, em Berlim. Mas em 1932, teve que fugir do país, por causa do nazismo (Robert Capa era o pseudônimo de Endre Ernő Friedmann). Após se mudar para Viena e, em seguida, para Paris, Capa conheceu sua companheira, Gerda Taro, que também era fotógrafa.


Juntos, o casal seguiu para a Espanha, em 1936, para acompanhar a Guerra Civil Espanhola, e foi então que o carro que Gerda dirigia durante o conflito foi acidentalmente atropelado por um tanque de guerra.

“Mine is a watery pit
Painless with immense distance
From medic from colleague, friend, enemy, foe
Him five yards from his leg, from you, Taro”

Mesmo depois de sua perda, Capa continuou a fotografar vários outros conflitos. Em 1954, na Guerra da Indochina, Capa pisou em uma mina e morreu, se juntando a Taro.

“3:10 pm, Capa pends death, quivers, last rattles, last chokes
All colors and cares glaze to gray, shriveled and stricken to dots
Left hand grasps what the body grasps not, le photographe est mort
3.1415 alive no longer my amour, faded for home May of ’54
Doors open like arms my love, painless with a great closeness
To Capa, to Capa, Capa dark after nothing, re-united with his leg, and with you, Taro”

Por último, de acordo com o vocalista da banda, a música retrata os dois segundos anteriores e póstumos ao acidente com Capa, narrando exatamente sua chegada, caminhada, acidente e morte.




Mesmo quem não goste do som de Alt-J deve, pelo menos, respeitá-los pelo trabalho incrível da banda, que encheu de presentes seu primeiro CD. Alguém duvida que os próximos sejam tão bons ou até melhores? Embarque em An Awesome Wave e sinta que o nome faz jus ao trabalho!



P.S.: Texto originalmente publicado em Mundo Blá! por Laura Dourado.

terça-feira, 7 de outubro de 2014

Festa garantida



Junte no mesmo dia e na mesma hora uma das melhores festas de São Paulo de resgate da cultura popular (Batbacumba), uma das casas mais badaladas da cultura musical (Puxadinho da Praça) e uma das bandas mais dançantes da atualidade (Bonjour Pará) e você pode apostar que a noite vai ser daquelas.

Batbacumba se consolida em sua 14ª edição sempre apresentando muita cultura brasileira, cores e gente bonita e sorridente afim de dançar.

Puxadinho da Praça por outro lado é uma daquelas casas que você vai para lá sem sequer saber quem está tocando acreditando que o que toca ali tem qualidade.

Bonjour Pará é uma banda onde o carimbó e a guitarrada é o ponto de partida, podendo passar por clássicos do Beto Barbosa, chegando à lambada do Kaoma. Resumindo. Você vai dançar muito.

Ainda vai ter João Laion comandando o som

A casa abre 23H com show previsto para meia-noite.
R$20,00 até meia-noite e R$ 25,00 depois de meia-noite
Se você quiser, pode antecipar seu ingresso por aqui.

O Puxadinho da Praça fica no coração da Vila Madalena na rua Bel,iro Braga, 216






terça-feira, 30 de setembro de 2014

Carimbó na crista da onda

Nascido no Pará no século XVII por negros africanos com influências indígenas e ibéricas, o carimbó teve seu nome da junção dos nomes curi (pau oco) e m'bó (furado, escavado). A expressão que tinha referência direta ao curimbó (pau que produz som), mas expandiu-se ao longo dos séculos e hoje representa uma verdadeira festa com música, dança e vestimentas peculiares.



Sua força tornou-se tão grande que o Ministério da Cultura reconheceu o carimbó como patrimônio imaterial brasileiro neste último dia 09/10 e se você pensa que para por aí, o Brasil pretende trabalhar junto a Unesco para que seja reconhecido como patrimônio mundial.

A Confraria NossaCasa que sempre trabalhou com a cultura popular brasileira soma forças com a banda Bonjour Pará e prometem deixar a pista fervendo, ou melhor, tremendo. A simpática e efervescente casa paulistana tem a 6ª edição de sua festa TREME.MOVIE que ainda contará com os dj's Marina Caires e Dj 10zanu. Muito carimbó, lambada, guitarradas e saias coloridas e rodadas são esperadas para a festa.


Onde? Confraria NossaCasa, 202 Vila Madalena
Quando? Sexta 03/10
Quanto? R$15 ou R$10 com nome na lista para nossacasa1504@gmail.com

domingo, 26 de maio de 2013

É preciso ser belo?

Vez por outra aparece um músico, banda que com uma música só, desponta do anonimato, mas bem de vez em quando, a música é ainda maior que o compositor ou intérprete. É o caso de "Wicked Game" em sua versão definitiva, mas eis que surge Pipilotti Rist com uma versão completamente descomprometida com a pretensão de ser uma versão superior. Muito pelo contrário. Minha mãe odiaria essa versão que parece apenas querer desconsertar o ouvinte. Sim, afinal de contas, arte também serve para questionar o belo. 

Pipilotti Rist nasceu na Suiça em 62 e então não podemos falar que temos uma aventureira se jogando em um terreno de forma impensada. Ela provavelmente sabe que sua versão pode ser mais odiada do que admirada, mas vai saber se ela também não sabe que pode despertar a curiosidade sobre o resto de seu trabalho  que vem originalmente das artes visuais...



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Da alma...

Pare para pensar nos discos mais conhecidos do Reh Hot Chili Peppers. Não interessa que no meio de tais discos existam discos como "One hot minute". A questão é, sem John Frusciante ferindo as 6 cordas, O Red Hot nunca decolou. Dave Navarro é sem sombra de dúvida, do ponto de vista técnico, superior à John, mas a história está aí para provar que se Kids é a voz, Flea e Chad são o coração e o vigor da alma, Frusciante é a alma...



Partindo para carreira solo (e não a primeira vez), as músicas soam menos vigorosas, mas não menos inquietante. A música em questão por exemplo tem mais de dez anos e de um ponto de vista é até tosca. Simples imagens em loop à exaustão. Imagens que nos causam um desconforto inicial, mas que retratam bem o que esse guitarrista sabe fazer, chacoalhar a alma de quem o ouve. o clipe abaixo foi assistida tantas vezes por mim que sabia anos atrás quantas vezes uma determinada cena era repetida. A questão é que esses detalhes técnicos , quanto a sua própria execução ficam em segundo plano quando escuto-o tocar. Sua alma é escancarada ainda mais em seu trabalho, afinal, a cara e a voz imprimida também é a dele. O corpo e o coração parece titubear sobre que caminho tomar, mas se pudéssemos medir o tamanho dessa alma, eu teria que escrever ainda mais por muito e muito tempo...


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Richie Havens

Nos deixa...72 anos e seu violão e voz se calam. Ficou conhecido por uma emblemática apresentação no festival Woodstock em 1969. Cantava uma vigorosa versão de Freedom. Um jeito absurdamente peculiar de tocar o seu violão. E sua voz? Seu timbre? Também único e peculiar.

Ele era a simplicidade e a densidade ao mesmo tempo. Bastava ele, sua voz e seu violão para nos arrebatar. Nunca chegou perto do reconhecimento de mega bandas, não enchia estádios, não arrastava multidões, mas quando tocava uma alma, ela era realmente sacudida em seu âmago.

Confesso que quis pegar a versão de Freedom no Woodstock, mas ele ainda precisa ser reconhecido. Aqui vai uma versão de muita beleza musical. Uma interpretação cheia de nuances de dinâmica. Que aula...e o polegar por cima do violão? Como explicar para os meus alunos que ele podia?


sexta-feira, 19 de abril de 2013

God Is Dead?


Vale a ressalva que não sou jornalista e o que escrevo "é apenas o que eu acho", mas vamos lá: Não se trata como escutei por aí que é o primeiro disco com a formação original desde 1978. Bill Ward disse que não foi capaz de chegar a um acordo e as baquetas ficaram por conta de Brad Wilk (Rage Against the Machine).

O baterista, mais o simpático trio de sessentões do metal (sim, eles eram a banda mais pesada da terra quando surgiram) com Ozzy, Iommi e Butler.


Como sempre, as opiniões das pessoas tendem a ser totalmente a favor, ou totalmente contra. Já ouvi gente dizendo que é sensacional e gente dizendo que o batera é completamente sem pegada (o mesmo que espanca a bateria ao vivo com o RATM).

Minha impressão? Vamos lá, a canção tem 9 minutos e não socaram o formato de 3 minutos para a rádio goela a baixo nos ouvintes. A timbragem me soa um pouco diferente, mas, natural, enfim, são 35 anos desde a última aparição do trio de ferro. A introdução me deixou suspenso no ar esperando o Mister Madman ecoar sua voz. São exatos 1'15 para que ela apareça e que alegria ao ouvir aquele inconfundível timbre. Me senti um garoto de 17 anos novamente ouvindo Iron Man. Mas confesso que esperava mais pressão, mais voz, mais potência, mais berro do sr. Osbourne. Pode ser apenas por que era o que queriam dessa música. Esperemos o restante do disco...

No final das contas, tem-se uma boa música, mas a expectativa gerada pode destruir tudo. Tem uma horinha que parece mais com a carreira solo de Ozzy...Pensei, pensei e repensei. Mesmo que não seja uma música que entre no top 10 da própria banda, é muito melhor do que toda a média do que se faz hoje em dia e pelo menos estamos falando com os deuses do heavy metal.

Escute God is Dead? e peça a benção ao papado...

Ah... em outubro tem culto no Brasil pela primeira vez e eu não vou perder a chance...

Amém


sábado, 20 de outubro de 2012

Trent Reznor solo

Trent Reznor no piano e Jerome Dillon no violão. Uma canção simples sem maiores virtuosismo nos instrumentos, mas o vocalista do Nine inch Nails despeja sentimento em sua interpretação

sábado, 30 de junho de 2012

Luis Inácio Falou

Meados da década de 90. Lula, então líder do PT vociferava contra os políticos brasileiros e a sua máquina. Para quem tem mais de 30, vai entender minha analogia: Ele era o nosso Salvador da Pátria. Nosso Sassá Mutema. Éramos um país arrasado por Collor's, Sarney's, A.C.M's e Maluf's da vida.

Esse mesmo Maluf já atacado por Lula em diversas ocasiões, esse mesmo Maluf procurado pela Interpol, esse mesmo Maluf que rouba mas faz, esse mesmo Maluf que diz: "Estupra, mas não mata". Esse mesmo Maluf que ajudou intelectuais e cientistas políticos a medirem a incapacidade do eleitor brasileiro.

O abraço entre esse mesmo Maluf e Lula me fez apenas descrer de vez em nosso atual ex-presidente que tinha tanto força e prestígio político que alavancou Dilma ao seu lugar.
Petistas como Zé Dirceu, Palocci, Genuíno, Delúbio, envolvidos em imbróglios tão ferrenhamente atacado por Lula pareciam não ferir o caráter de Luis Inácio. Foi necessário que ele mesmo abraçasse o pai da corrupção para causar uma apatia entre os ainda defensores do PT. Todos pareceram se calar diante da imagem que maculará a trajetória desse líder sindical de origem tão humilde.

Bom, naqueles meados da década de 90, Os Paralamas do Sucesso falaram o que Luis Inácio falou. Apenas nem a banda, eu, ou qualquer um de nós não acreditávamos que ele mesmo fosse capaz de qualquer aliança por manobras políticas.




domingo, 17 de junho de 2012

Coletivo Urbano

Sabe quando você encontra um projeto nascido já vencedor? Pois é exatamente esse o caso do Coletivo Urbano. Sua primeira impressão é um cd do qual se tem vontade de ter em mãos nos atuais dias de mp3. Arte impecável. Aliás, arte é resumir a capa do trabalho que é uma verdadeira obra de arte.


Mas se o projeto é de música, desde ontem o Sesc Pompéia apresenta a trupe sonora ao paulistano em um show com as 9 apresentações envolvidas em um show com duas músicas de cada grupo. O resultado é um show dinâmico e bem variado, O único talvez é uma já saudade no meio da segunda música quando você sabe que a banda vigente já vai deixar o palco, mas se o objetivo do coletivo urbano era apenas abrir o leque de novos artistas, conseguiu com cem por cento do resultado esperado.


E como nasceu o projeto? Os músicos Thiago Rabello e Rafa Barreto tiveram uma ideia simples. Escolheram uma série de músicos que, em comum, buscaram a cidade de São Paulo como morada onde falam sobre o cotidiano deles na metrópole e suas dificuldades de adaptação, a saudade, os novos amores, amizades, a favela, tudo em diferentes perspectivas.

"O que todos têm em comum é a necessidade de se expressar", explica Rabello. "A ideia de falar sobre São Paulo surgiu naturalmente. Não foi nada previsto".


O próprio Coletivo Urbano disponibilizou o download do resultado, mas se você correr, pode acompanhar ainda hoje o resultado no Sesc Pompéia 19 horas. Ótima pedida para se ter uma amostra do novo em São Paulo.


sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Zona de conforto?

Se existia uma banda que achei que não escreveria nesse blog, era o Red Hot Chili Peppers e não pensem que eu não goste da banda. Apenas achava que o quarteto californiano se encontrava em uma zona de conforto de que não gosto de transitar, mas Metallica's. Lou Reed's e Gals Costa's parecem mostrar que a fuga da destemida zona de conforto é uma nova diretriz (e confesso que ouvi dizer que o novo de Lenine também não se conforma com o mesmo). Por hora, falemos dos rapazes em questão.
Apesar da cirurgia no pé esquerdo em que se submeteu Anthony Kiedis para remover um pequeno osso esmagado e corrigir um tendão deslocado o RHCP anda trabalhando arduamente. Alguns dias da nova excursão adiados por causa do incidente, mas nessa quinta (25.01) divulgaram seu mais novo single.

Se o som não aponta para direções inusitadas, no mínimo mostra um Red Hot revigorado que soa no mínimo com discos da década de 90 como Californication ou One Hot Minute. Um Anthony Kiedis que lembra tanto um Iggy Pop quanto à um pacato motorista de transportadora americana. Chad Smith parece ter a mesma cara de sempre, o novo dono das 6 cordas Josh Klinghoffer tem papel discreto, afinal de contas, se musicalmente (e mesmo timbristicamente) tenha suprido bem o lugar de Frusciante, ainda precisa ganhar seu espaço junto aos novos fãs. Ja o Flea, é o Flea. É o cara que assume o ridículo e deixa sempre o ar mais leve.


Os clipes do grupo sempre possuem uma preocupação estética e várias referências e inclusive uma direta de Joy Division aparece por aqui. Os rapazes (já não tão mais rapazes) mostram que possuem ainda bastante lenha para queimar.


Uma coisa que tenho notado é que se um artista lança o mesmo do mesmo, reclamam. Se tenta o novo reclamam, logo, desconsidere tudo o que eu falei, veja a música e tire suas próprias conclusões ok?

sábado, 24 de dezembro de 2011

Merry Christmas

As vezes, apareço por aqui humoradamente, embora essa característica minha não seja bem compreendida por vezes. É o que acontece com o vocalista dessa canção abaixo que soa como um bom crooner, mas é o excêntrico Mike Patton que empresta sua voz numa interpretação "Sinatriana".


É, até o homem das mil vozes pode ser eu pode meigo de vez enquando...

sábado, 17 de dezembro de 2011

Caminhos musicais

Muito do que me mostram como sendo coisas boas e geniais, não gosto. É de igual percentual as vezes em que gosto de alguma coisa e muita gente não "compra a minha idéia". Cá pra nós, mais do que natural isso. Já é de tempos que consigo identificar o que gosto ou não em um som e não é apenas técnica musical (visto que umas coisas que gosto até carecem disso).

Uma coisa que não me desperta o menor interesse (embora geralmente respeite), são trabalhos de músicos que querem ter a exata atmosfera musical de décadas atrás. Salvo exceções de trabalhos específicos de resgate da obra de um artista, ou algo do tipo.

Fora isso, sempre vou preferir ouvir Charles Mingus do que alguém hoje tocando como ele. Prefiro Djavan ao ataque dos clones que sucedem-se após a sua aparição. Led Zeppelin a diversas bandas que apenas copiam caminhos de quem um dia desbravou novas direções.

Isso justifica (me) por gostar do trabalho de José James. Cantor e compositor que criou um senso calcado na fusão da música negra americana podendo colocar aí o jazz, hip-hop e por que não dizer a música pop?


Pode ser comparado à Chat Baker? De forma alguma. Assim como não podemos colocar ele em uma comparação com Michael Jackson. E por uma simples razão: Ele não imita esse ou aquele, apenas soma suas vivências musicais e despretensiosamente tenta trilhar a sua viagem musical...

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Gal Costa



Antes de tudo, posso traçar um paralelo desse disco com o recente Lulu lançado pelo Metallica e Lou Reed e você pode estar se perguntando como. A explicação se encaixa para ambos com um disco desconcertante. Um disco de ruptura. Corajoso. um certo amigo ficou incomodado com um possível descompromisso com o belo. Ele simplesmente não conseguia gostar de nada.

Sentiu que o disco poderá fazer os fãs de carteirinha de Gal devolver a sua não é? E quem garante que se angaria novos adeptos? Logo, há de se ter coragem para empreitadas do tipo.

O disco é dirigido por Caetano Veloso que também cede as composições para o disco. O que por um lado explica a ousadia desse trabalho, visto que Caetano nunca se sentiu satisfeito com a zona de conforto. Essa zona que havia aprisionado Gal e não conseguia mais mover nenhum esforço meu para ouvir algo novo. Eis então que uma capa verdadeira (no sentido da ausência da beleza plástica forçada dos photoshop's) é o começo para uma nova fase em seu trabalho. 

O disco abre com Recanto Escuro e já mostra que que ruídos e atmosfera eletrônica estão presentes. A própria letra parece resumir a sensação: 

Não salto mas sou carregada
                                              Por asas que a gente não tem
A luz não me fulmina os olhos
Nem vejo bem

Na segunda canção (Cara do Mundo), o clima parece se estabelecer. Você começa a se acostumar e flerta com o acolhimento da empreitada. Autotune Autoerótico então começa a apontar mais radicalmente ao experimentalismo. Para os desavisados, Autotune é um programa usado em estúdio e sua voz acaba sendo descaracterizados em alguns momentos aqui.Tudo Dói intitula a quarta faixa e daí tem-se a certeza que não existe regresso nessa viagem que Caetano propôs mesmo com um violão bossa nova dobrando a esquina ao fim da música. Neguinho é a quinta música. Uma das mais fáceis de ouvir em um primeiro momento, mas com uma letra que é crítica aos dias de hoje.

O disco parece que não mais causara espanto quando adentra a penúltima das 11 faixas: Miami Maculelê que abraça o funk carioca e o produtor em questão empresta sua voz com versos como:

Era música de dance
Era o bonde do prazer
Sacanagem sem romance
Por que eu fui meter você?

                                                     Era dança de alegria
Putaria e coisa e tal
Por que você vem com santo,
 Anjo e galera do mal?

Mas quer saber o que eu realmente acho? Que você deve ouvir e chegar as suas conclusões, afinal a diversidade das pessoas nos mostra que tem gente reclamando, mas teria da mesma forma se ela não tivesse saído de sua tora esperada. Acredito que alguns novos fãs podem ser angariados (ainda que com a perca de alguns), mas como sempre, o que eu acho é apenas o que eu acho e nada mais do que isso...