segunda-feira, 11 de julho de 2011

Poetas, Loucos e Santos

"Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila. Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante. A mim não interessam os bons de espírito, nem os maus de hábitos. Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo. Deles não quero resposta, quero meu avesso. Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim. Para isso, só sendo louco. Quero-os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças. Escolho meus amigos pela cara lavada e pela alma exposta. Não quero só o ombro ou o colo, quero também sua maior alegria. Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto. Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade. Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça. Não quero amigos adultos, nem chatos. Quero-os metade infância e outra metade velhice. Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa. Tenho amigos para saber quem eu sou. Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão imbecil e estéril."  

















Oscar Wilde



quarta-feira, 6 de julho de 2011

Desligue o foda-se!

Pensemos em uma sociedade onde todas as pessoas se amam verdadeiramente e qual ambiente tal ação poderia gerar para os próximos. Agora pense justamente o contrário. Tenho visto muita gente "ligando o foda-se" e a humanidade parece estar se F¢∞¶•º


Desligue o foda-se e propague o amor!

terça-feira, 5 de julho de 2011

Juju


Era uma tarde chuvosa. Aquela canção produzida pela água que caia deveria conter algum sonífero e sentiu-se completamente desencorajado em deixar a cama. Viu por algum tempo os pingos de chuva na janela e os desenhos abstratos que elas proporcionavam, mas aos poucos, seus olhos cederam.

Acordou de um grande susto com uma onda brandamente tocando-lhe o corpo na beira da praia. Não que seu susto tivesse passado, mas ter uma garota ajoelhada diante de si com água de coco para ele beber era ao menos mais reconfortante do que estar ali perdido. Seus olhos verdes penetraram-lhe a alma com mistério e doçura.  Ela estendia o braço com a fruta para ele sem que tirasse os olhos dele. A boca era tão sutilmente arqueada que ele não sabia se ela internamente sorria. Percebeu então que estava com a garganta ressecada. Poderia ter passado horas deitado naquele sol. Também sem tirar os olhos dela. Olhava seus cabelos pretos cortados acima dos ombros sendo embalados pela brisa do mar. Suas mechas pareciam dançar com as folhas das palmeiras que estavam cerca de 20 metros ao fundo. Uma pintinha próxima à boca conferia-lhe um charme todo especial, mas ela começou a causar um certo desconforto quando ao descer pouquíssimos centímetros encontra uma boca que parecia ter sido esculpida. No imediato milésimo de segundo em que tomou a última gota, encontra já seu braço estendido como quem já soubesse que ele havia terminado. Ele perguntou-se se haveria sido coincidência ou ela simplesmente sabia. Ela se levantou e ele simplesmente sabia que devia segui-la. De pé, notou que ela passava pouco de 1,60 m de altura. Tinha a parte superior do biquíni que mostrava um bronzeado de quem já estivesse ali por dias e uma canga lilás, com umas listras não simétricas. Terminava com uma espécie de franjinha que roçava-lhe as panturrilhas. Em silêncio ele sentia-se apenas feliz e seguro. Quando enfim chegaram debaixo de uma artesanal barraca com folhas de palmeiras, ela se virou para ele e embora ele notasse que ela parecia ter envelhecido alguns anos da beira da praia até ali, notou-a mais bela ainda e com certeza ele teve o melhor almoço de sua vida e não acha que foi pelos pratos servidos apenas, mas pela presença daquela misteriosa garota. Depois de comerem, ela andou com ele até uma rede que estava armada entre duas árvores e cochilaram juntos. ela deitada sobre seu peito com uma mão delicada sobre suas costelas e ele deliciando-se com o aroma daqueles cabelos. Ao acordar, percebeu que sua mão parecia diferente e já sem espanto e sim com serenidade e alegria por tê-la ao seu lado, percebeu que ela aparentava ter quase 30 anos. Parecia ainda mais bela. Era a mais bela de todas. Brincaram na praia, correram, rolaram na areia, nadaram juntos até que notou-a um pouco mais envelhecida, mas formosa. O sol começou a se por e voltaram para a mesma tenda. Um jantar sublime estava posto sobre a mesa e ele não conseguia tirar os olhos dela enquanto comia. Uma face serena e confiante, embora agora fosse possível notar uns cabelos brancos. A mesma rede e a mão dela agora estava em sua face e havia um pequeno lençol de seda que envolvia-lhes dando a sensação que ali dentro estava o mundo. Foi o sono mais confortável e revigorante que alguém poderia ter.

Não ficou surpreso ao notar que ela aparentava uns 70 anos. O desjejum de frutas tropicais pareceu ser feito sob medida para o vigor físico que tiveram na praia algum tempo depois. Apostaram corrida, brincaram na água, na areia ou mesmo subindo em algumas árvores. Finalmente deitaram-se na praia. Ele repousou a cabeça em sua coxa e sentiu um cansaço lhe abraçar. Ele sabia que era hora de partir. Finalmente resolve perguntar o nome dela e antes que ele abrisse a boca ela responde – Juju. Seus olhos pesaram e ele adormece.
 Foto retirada da internet
O despertador toca. E ele tocava apenas para o acordar quando ele adormecia no fim da tarde e acordava no limite do horário. Não que estivesse atrasado, mas teve que levantar correndo, tomar banho e sair para a faculdade. A chuva havia na verdade apertado e como o ponto de ônibus era em frente, esperou da porta de sua casa para ficar abrigado no toldo, mas finalmente o coletivo chega e ele corre para debaixo do abrigo do ponto. Uma garota surge correndo de outra direção e não ouve como evitar uma leve colisão. Embora leve, o suficiente para derrubar os livros de ambos que se abaixam para os pegar. Sentiu uma taquicardia disparar dentro de seu peito quando viu aquele rosto, aquela cabelo, aquela pintinha sobre uma boca que sorria meio envergonhada pelo que estava acontecendo, mas pensando rápido. disse que ela devia dar sinal ao ônibus enquanto ele pegava tudo. Naquela chuva, demorar 5 segundos a mais poderia ser o suficiente para que o motorista não os visse agachados e perdessem o ônibus. Quando o transporte para, ele está dividindo os livros de um e de outro ainda. Ela os pega na hora em que pousava o primeiro pé na escada. Ele atrás entrega-lhe os livros para o mesmo sorriso. Ele então pergunta algo do qual acredita saber a resposta:
- Qual seu nome?
- Juju…

domingo, 3 de julho de 2011

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Máquinas Coletivas de Individualidade



Se preferir, pode chamar também de "Fantástico eu" e se por acaso não esteja fazendo idéia do que posso estar querendo falar, é sobre esse pequeno aparelho diante de seus olhos e a relação entre as pessoas a partir dele e das tão famosas "redes sociais".

Pra quem já passou dos trinta, convenhamos que o momento de transição da vida sem net e com net já está passando. Existem pessoas adentrando a vida adulta que já convive com essa ferramenta desde o princípio e talvez eles não entendam a corrente de afastamento da vida on line que tenho posto em prática e notado que não é prática exclusiva minha. Aliás, o guitarrista Carlos Pontual colocou uma frase alusiva a esse sentimento em uma das milhares de rede social. Algo como: "Hoje em dia, telefonema é quase um contato físico".

Não quero negar a maravilhosa ferramenta que temos em mãos, mas além desse revés de algumas pessoas a essa vida virtual, algo que passa a ser evidenciado é as relações baseadas pela visibilidade (ainda que virtual) das pessoas com quem se interage. 

Como assim? Basicamente percebo 3 situações de interação entre os internautas (estou excluindo as mensagens que visam propagar algum evento, show e etc. e pensando uma relação entre duas pessoas). Vamos lá. Basicamente vejo as pessoas interagirem com:

1- Amigos reais (sejam eles de infância, do trabalho ou mesmo da família);
2- Uma pessoa acima de você em algum plano (profissional, social, etc.);
3- Ou um possível par afetivo (sim, esse hábito foi completamente incorporado pelas pessoas. Agora pedem-se o contato on line e não o celular). 

Claro que existem mais possibilidades, contatos profissionais por exemplo. O que no entanto percebo é como ainda somos bons em falar alguma coisa e fazer outra. Prega-se o amor e hoje em dia existe inclusive aplicativos para que você tenha aquela frase de impacto e que comova os seus leitores. Isso por sinal, costuma gerar retorno de quem interage com você e massageia-se o ego que quem mandou-lhe na rede. Vamos no entanto analisar o seguinte. Com os seus amigos reais, interage-se. O possível par afetivo sim se o outro lado também quiser (assim como na vida real). O que noto nessa nova realidade é que apenas levamos para trás dos monitores um comportamento fora dela. Que comportamento seria esse?

Já reparou que a maioria das pessoas respondem prontamente ao contato quando ele vem de alguém com alguma posição superior de alguma forma? Já reparou o quanto a maioria das pessoas sequer tem paciência para responder quando o contato vem de alguém supostamente de baixo? É mais ou menos algo como aquela pessoa que faz questão de falar com uma personalidade na rua, mas que não faz a menor questão de falar com o próprio porteiro do prédio.

Eu costumo chamar uma certa rede de Ilha de Caras... faça a sua interpretação...


Enquanto isso, milhões de pessoas se jogam atrás de suas máquinas coletivas de individualidade para ambiguamente encontrar um possível contato... 

quinta-feira, 30 de junho de 2011

3%

4:00h da manhã e estava indo dormir quando um aluno meu manda-me um vídeo. Pensei em deixar para ver ao acordar, mas cliquei. Vi então que essa parte 1/3 tinha quase 9 minutos. Paro no meio e vejo o restante depois foi o que pensei. Meia hora depois, havia assistido as três partes de um plano piloto para uma possível série brasileira. Nele, algo que poderia ser comparado à Lost quanto as indagações de várias questões do dia a dia.

É possível notar algumas referências no trabalho em questão, mas até aí, nada demais, visto que na arte temos aquela máxima que "nada se cria e tudo se copia", mas eles trazem questões éticas e humanas e fazem o espectador pensar sobre o mundo que lhe cerca. Quem tiver a curiosidade de ver, verá uma analogia surreal e fictícia do que acontece na vida real. Aguardo ansiosamente o resultado desse trabalho.

domingo, 26 de junho de 2011

Queens of the stone age

Todo blogueiro que se preze, percebe nuances e mudanças em sua respectivo caso/a e não é diferente comigo. Embora trabalhe com arte e lecione sobre, o nome desse blog atesta que  não gosto de verdades absolutas. Algo pode ser visto de forma completamente diferente dependendo do ponto de vista de cada pessoa. Embora tenha acabado de ser contratado para falar de cultura para um jornal/blog, continuo pensando que o que eu acho é apenas o que eu acho e não verdade absoluta (mesmo por que algumas verdades absolutas já mudaram dentro de meu ser). Sobre esse novo espaço, devo em breve falar, por hora, quero me divertir com essa banda:  

Queens Of The Stone Age ou Qotsa como preferem chamar os fãs para abreviar o longo nome da banda. Vale ressaltar que tenho sido questionado por alguns amigos por postagens como Crystal Castle (teoricamente ruim), ou Françoise Hardy (teoricamente brega). Sobre o Qotsa, já ouvi que eles são simples demais e embora eu nem queira questionar isso, penso que existe apenas um critério válido para uma apreciação da arte.

Ela te tocar ou não.

Existem algumas bandas com arranjos complexos, harmonias intrincadas e simplesmente não me tocam e por vezes os "tecnicamente pobre" me tocarem a alma e o coração. Pois bem, gosto dessa banda pelo motivo que gosto das coisas que gosto. Identidade. O timbre de voz e das guitarras, a melodia um tanto quanto etérea que não acentua com as mudanças de acorde sempre e até mesmo o sagaz humor da trupe que contou com o ex-Nirvana e líder dos Foo Fighters, o virtuose baterista Dave Grohl nesse divertido clipe.



Se você simplesmente não gostar, ok. Com algum tempo de blog, percebo quais os temas e abordagens que me dão maiores respostas. Tudo bem, eu sempre preferi as perguntas desconcertantes...

domingo, 19 de junho de 2011

Françoise Hardy

Surgida na badalada e inspirada França da década de 60, aos 17 anos cantando em pequenos clubes franceses, grava seu primeiro compacto para a Vogue Records em 1961. Compositora da maioria de suas canções, interpretava suas canções com uma naturalidade e personalidade que marcaram a sua vida e influenciaram inúmeros músicos pelo mundo afora. 






Hardy canta de maneira romântica e melancólica, mas está longe do estereótipo de histerismo e mau gosto com que muita gente identifica o romantismo em canções. Os sentimentos aparecem muito mais contidos, como se ela cantasse depois de ter acordado de um sonho ao mesmo tempo triste e doce, mas não se imagina que ela estivesse com um cabelo despenteado ou com ar desesperado. Ela canta parecendo estar pensando sobre as coisas de que fala, tentando encontrar a saída para as habituais armadilhas da vida.


Seus arranjos de grande qualidade e sobriedade, jamais chegam perto de  abafar a beleza das canções através de excessos que por vezes acontece entre músicos de nível técnico. Pelo contrário, conseguem dar personalidade as canções, com sutilezas de detalhes que acabam passando despercebido pela maioria dos ouvintes em um primeiro momento.

Escutemos (ou vejamos) nossa anfitriã, afinal, palavras nunca podem mostrar de fato a arte sonora de algum artista.



Coincidências estão presentes por toda a minha vida e uma foi ser convidado para participar do projeto "Le temps de Souvenirs" com grandes músicos da nova e talentosa cena musical de São Paulo dessa cantora que é casada com Jacques Dutronc (do qual havia falado já por aqui) desde os seus23 anos e com quem está até hoje. Esse projeto é na verdade um grande tributo a essa cantora que não tem uma popularidade de uma Madonna, Elvis ou Michael pela limitação de projeção dada pela língua francesa, mas que não fica atrás no quesito musical que é o que interessa. 

O pontapé desse inicial desse projeto que, dá-se dia 22 na Casa de Francisca e 24 no Le Petit Trou, ambos em São Paulo. Com certeza é apenas o início de um belo trabalho. 

domingo, 12 de junho de 2011

Vida






O gozo da vida deu-se na dor
Um tapa na bunda é como sou recebido
Dos seios de minha mãe o primeiro prazer
Abraços beijos calor e amor
O eu (reconhecido pelo pequeno pênis)
Agora tenho sexo
Tenho boca mãos olhos
Falta-me dentes cabelos
Descobri que o ventre era o melhor local do mundo
E que tudo pode ter um novo significado

sexta-feira, 3 de junho de 2011

...

Hoje ela não veio
Aproveite enquanto o sol brilha
Não siga todas as regras
Essa é apenas mais uma...


terça-feira, 31 de maio de 2011

Jethro Tull








Comumente citado como uma banda de rock progressivo, o Jethro Tull é fechado em um rótulo que pode afastar um novo ouvinte. Antes do clássico Aqualung, que é tido como um disco obrigatório em qualquer enciclopédia do rock, a banda lançou 3 discos (This Was, Stand Up e Benefit), além de um single (Jethro Toe). Falar de um clássico como Aqualung é "chover no molhado". E embora ache Stand Up um dos melhores álbuns do final dos anos 60, quero falar de Benefit que muito me influenciou, abrindo-me perspectivas ao rock, mostrando-me uma até então impensável flauta nesse cenário, além de inúmeras influências que passam pela banda.

Em outras palavras. Para quem não conhece e não quer ser levada por "chavões" de uma banda progressiva e também não quer conhecer uma banda por seus trabalhos mais conhecidos, vai aí o meu raio-x de Benefit. O terceiro álbum da banda.


1. With You There To Help Me: Flauta, seu tradicional efeito vocal, violão de aço e piano abrem o disco em uma composição em 3/4. Embora baixo e  bateria entre logo nos primeiros segundos, a tradicional guitarra aparece apenas aos 59 segundos. Se você ouvir no fone, percebe-se uma voz em cada canal, dobrada pelo mago da flauta.


2. Nothing To Say: Um riff dobrado abre a canção, mas estão ali presentes novamente os violões, piano. Agora estão eles no 4/4 e sem a flauta para quem acha que eles são apenas flauta no meio do rock.


3. Inside: A flauta volta permeada pelo timbre único de voz de Ian Anderson. O jogo de instrumentos por canais diferentes é novamente presenciada e por isso prefiro ouvir com os ditos fones. Para quem gosta dos baixistas que usam mais do que as simples tônicas, vale uma audição percebendo uma melodia paralela desenvolvida nessa música.


4. Son: Se o título te sugere uma experiência diferente, essa é aberta com o ar mais rockeiro do disco. A música tem apenas 2:52 e tem tempo o suficiente para ter um "fade out" (aquele efeito do som abaixando) e a música entrar com uma timbragem que te remete aos tempos medievais e volta ao rock n'roll sem forçar a barra e parecendo colagem como vemos com muito costume. Seu final também é uma surpresa. Pouco tempo para tantas por sinal.


5. For Michael Collins, Jeffrey and Me: Uma introdução das mais emotivas do disco e você pode se enganar de que vai ouvir uma baladinha melosa. A canção se desenvolve com novas partes e dinâmicas que o fazem até esquecer que está na mesma música, mas eles estavam afiados e eles conseguem retornar ao clima inicial e finalizam fazendo você pensar em uma rede gostosa para deitar.


6. To Cry You a Song: Compete com Son na sonoridade, mas tem uma introdução bem mais sutil com o "fade in" (aquele outro subindo). Riff's e dobras tornam essa a música mais progressiva do disco. As novidades no entanto acontece com um solo de guitarra simultâneo de guitarra (um para cada canal) que não briga entre si. Experiências sonoras que podem ser a coisa mais comum do mundo hoje, mas não ali em 1970. 


7.A Time For Everything: A essa altura, a introdução dessa música já não mais será inesperado. Prestem atenção no diálogo entre a melodia principal e o restante da banda. O guitarrista chega a não tocar um único acorde na música, mas destrincha novos caminhos melódicos. Dessa vez no entanto, você vai me odiar por falar nos fones. As experiências e vanguardas da banda mostram um harmônico saturado na guitarra com 1:20 de música e por 10 segundos eles perturbam e muito o seu ouvido.


8. Teacher: Uma das canções mais "canções" do disco, mas que que se desenvolve com timbragens, e passagens que comumente são caracterizados como progressivo, mas que não consigo encontrar semelhança entre eles e Yes ou Rush por exemplo.


9. Play In Time: A essa altura, o ouvinte mais atencioso já deve ter percebido que o vocalista sempre manda sussuros, gritos ou outros recursos sonoros entre as notas tocadas. Ela está explícita na introdução, mas a novidade fica a cargo do efeito de guitarra ao contrário que ocorre com 1:05 imortalizado por Hendrix. Eles chegam ao auge por volta de 2:32 e usando um recurso de "trade" mais comum ao jazz.


10. Sossity: You're a Woman: Talvez a minha música preferida do disco. Orgão e violão dobram uma melodia inicial que fica com voz e violão alguns segundos depois. O ar de trovadores medievais aparece em tal violão por sinal. O refrão que aparece pela primeira vez com 1:47 simplesmente não sai de minha cabeça e apenas a flauta e uma panderola é inserida. Ela por sinal termina com um ar que fica entre o erudito e o flamenco.


Já foi dito que nada se cria e tudo se copia. Minhas misturas eruditas começaram daí...


Que tal uma chance aos veteranos? Experimente escutar ele ao menos 3 vezes para ter certeza de que não há nada que você se interesse por ali...


Penso que muita gente ainda pode se apaixonar por um disco que adoro.






É apenas o que eu acho...








domingo, 15 de maio de 2011

Churrascão da gente diferenciada II

Sábado, 14 de maio de 2011.
14:00h em frente ao shopping Higienópolis. A "famosa meia-dúzia de gatos pingados" apontavam para um fracasso no dito churrasco que nasceu de forma viral na internet. A imprensa encontrava-se de forma massiva para relatar o fiasco. No entanto aos poucos foram chegando pessoas, um grupo de ciclistas, um bloco improvisado, transeuntes paravam e o evento foi crescendo. Não vi um único incidente e o típico humor brasileiro para protestar.


Ao contrário do que muito se imagina, vários moradores de Higienópolis apoiaram o movimento e reinvidicavam a presença do metrô. Cartazes como o da foto e outros do gênero eram visto por toda parte e mesmo uma petição reivindicando a estação já no endereço do mercado que seria desabilitado com cerca de 2 mil pessoas. A questão é que parece que as coisas tomaram proporções descabidas e extremistas. Primeiro analisemos o fato de que os moradores da região foram atrás de seus direitos. Penso que a questão é apenas (apenas?) uma questão de cidadania. Um estudo mostra que cerca de 27 mil pessoas seriam beneficiadas por dia com tal estação. Isso seria o suficiente para sobrepor-se à vontade dos 3.500 habitantes que assinaram a petição? Afastar 300 metros a estação, vai mudar tanta coisa assim? 

Pode-se formular muitos outros questionamentos a respeito. Vi uma judia a favor do metrô e reclamando que agora sentia o preconceito das pessoas. Infelizmente, parece que virou uma guerra dos proletários contra os senhores feudais. Isso em pleno ano 2011. Sem contar na possibilidade que a estação possa voltar a ser onde era, apenas para que não se perca muito mais votos do que vai-se perder se as alterações forem mantidas.

Existe rumores de que semana que vem o churrasco tenha uma continuidade. Quem quer pelo metrô, que procure a tal petição e assine-a, assim como quem não quer, assine contra a estação. Qualquer coisa além disso, é um mero exagero e massa de manobra para a politicagem brasileira.


É apenas o que eu acho...

sábado, 14 de maio de 2011

Churrascão da gente diferenciada



Tudo é preconceito e entendo isso muito bem por que sou ser humano e tenho que aparar sempre as arestas do preconceito quando esse surge em minha vida. Esse preconceito pode ser meramente sutil e beirando o imperceptível como chamar um grupo de amigos para frequentar um restaurante onde alguém com menos condições não possa ir. Exclui-se alguém com toda a classe do mundo. No livro  "A lei do triunfo"de Napoleon Hill, ele diz que o ser humano não vence mais o próximo pela força física, mas pela conta bancária. Isso é o que parece estar acontecendo para a maioria das pessoas com a polêmica do metrô em Higienópolis.  Vale ressaltas aos manifestantes que expressaram preconceito contra os judeus moradores do bairro, que isso é tão preconceituoso quanto aqueles que assinaram a petição contra o metrô. 

Com mais de 55 mil pessoas confirmando presença ao "Churrascão da gente diferenciada", conseguiu-se que o Ministério Público investigasse as intenções por trás do cancelamento da estação de metrô na Avenida Angélica e até um pronunciamento oficial do governador Geraldo Alckmin. Os moradores de Higienópolis estão tensos com a repercussão e podem ter criado uma situação semelhante ao ocorrido no shopping Frei Caneca e o preconceito contra homossexuais. O local passou a ser referência da liberdade de expressão. Imaginem se essa concentração se torna um encontro semanal como na Benedito Calixto!

Um amigo meu no entanto me fez pensar que eles tem sim o direito de não querer um metrô ali e convenhamos, lógico que tem tal direito. Assim como eu poderia ter uma casa em um local que deveria ser desapropriado para beneficiar um maio número de pessoas, logo, mesmo tendo eu o direito de não querer sair, sairia para beneficiar o maior número de pessoas. Penso que a questão passa então se a estação de metrô ali beneficia um maior número de gente ou não, senão voltamos a idade média onde vencia-se pela força.

Uma manifestação pública foi marcada nesse sábado, 14 de maio, a partir de 14:00h em frente ao shopping Higienópolis, com concentração na Praça Vilaboim, na av. Angélica, 618.
Acho importante ponderar para que o local é estreito e se for a metade das pessoas, poderá apenas justificar o ato dos moradores do bairro em questão. Como qualquer manifestação pública, ela é válida, mas tem que ser feita com consciência. Todos devem inclusive se preocupar com o lixo gerado por tamanha aglomeração. Consciência antes de tudo.



É apenas o que eu acho...

segunda-feira, 9 de maio de 2011

Frankenstein


Engraçado como a imagem da criatura conhecida como Frankenstein quase nunca é relacionada à literatura e pela minha experiência pessoal, entendo completamente. Quando pequeno, recordo-me de sua imagem associada ao seriado Família Adams. Mesmo em um ambiente de humor, ele tinha o ar mais horripilante da trupe e logo fiquei sabendo que haviam filmes de terror com o tal gigante. Associar nosso personagem ao mundo do terror, embora completamente compreensível, é limitar-se erroneamente com o trabalho de Mary Shelley. O título original é Frankenstein ou o Moderno Prometeu. Frankenstein como ficou conhecido começa realmente a tomar outras proporções em minha cabeça com o filme: Frankenstein de Mary Shelley. Filme de 1994 com Um irreconhecível e magnífico Robert de Niro no papel principal. Massacrado pela crítica na época, ele me fez ver um romance com claras inspirações góticas que era uma espécie de vanguarda quando escrito, mas algo de profunda sensibilidade, questionamentos e filosofia para quem estivesse disposto a romper a barreira da feiura da criatura em um primeiro momento.

O filme não mostrou-me um filme de terror como esperava. Era tão diferente do que eu esperava que acreditei que o Frankenstein de Mary Shelley era a adaptação dessa desconhecida criatura para mim até então. Fui então em busca da origem de tal criatura e soube que ela a autora original. O escreveu com apenas 19 anos e que todos os outros é que eram versões dela. Pouco tempo depois, estava com o livro em punhos (no qual estou no momento relendo pela segunda vez) e o livro era ainda muito mais profundo e interessante. O livro é escrito através de cartas escritas pelo capitão Robert Walton para sua irmã enquanto ele está ao comando de uma expedição náutica que busca achar uma passagem para o Pólo Norte. O navio fica preso quando o mar se congela, e a tripulação avista a criatura de Victor Frankenstein viajando em um trenó puxado por cães. A seguir o mar se agita, liberando o navio, e em uma balsa de gelo avistam o moribundo doutor Victor Frankenstein. Ao ser recolhido, Frankenstein passa a narrar sua história ao capitão Walton, que a reproduz nas cartas a irmã.

Essas cartas possuem o nascimento errante da criatura. Trágica desde sua concepção ao unir o corpo de um assassino e o cérebro de sua vítima, o “monstro” de Frankenstein chega ao mundo já sofrendo todo o tipo de rejeição (inclusive a pior delas: a paterna) e sendo perseguido com crueldade e violência pela Humanidade – e não demora muito até que surja dividindo comida com os porcos numa cena profundamente tocante. Porém, nem mesmo toda a brutalidade à qual é submetida é capaz de eliminar a esperança da Criatura de encontrar um lugar no qual seja aceita e, assim, sua natureza quase infantil (afinal, ela é, de certa forma, uma criança) a leva a apostar imprudentemente numa possibilidade de “adoção” que já nasce condenada ao fracasso. Não há, neste aspecto, como não se comover com o sorriso satisfeito que o “monstro” abre ao testemunhar a alegria da família que ajudou a sobreviver durante um inverno rigoroso – e é igualmente doloroso constatar a triste ironia contida no fato da primeira palavra pronunciada por ele ser “Amigo” (o que resume, também, sua imensa carência emocional) ou de sua fuga de Ingolstadt exigir que ele se esconda entre seus “semelhantes” (uma pilha de cadáveres).

Mas um dado momento, existe uma passagem onde ele vive junto à um velho cego em uma colina que não o vendo, não o rejeita. Isso é relatado pela própria criatura (que erroneamente costuma ser chamada de Frankenstein) ao doutor Victor Frankenstein e é sociologia, filosofia, psicologia ao extremo para uma brilhante autora de apenas 19 anos. Um livro simplesmente sensacional. Mesmo com esse adaptação de 1994 ser muito fiel e com Robert de Niro simplesmente magistral, vale a leitura de um dos maiores clássicos já escritos.

sábado, 30 de abril de 2011

Ayrton Senna


Sabe quando uma pessoa se encontra completamente confusa sobre o que escrever? Este sou eu nesse momento. Óbvio que pelo título, sabe-se que chegarei em Ayrton Senna, mas, como se adentrasse uma pista pela primeira vez, não sei se encontrarei uma reta, uma curva suave ou fechada e se para a direita, ou para a esquerda. Apenas vou. O desenho utilizado é da autoria de Pedro Márcio.

Sobre minhas dúvidas sobre o que escrever, algumas questões passam por mim, tal como uma paisagem que está ali, mas sequer pode ser apreciada por um piloto. Poderia justificar-me com falta de tempo, trabalho demais entre outras coisas, mas na verdade, é tudo muito simples. O nome do blog (É apenas o que eu acho...) sugere que no fundo não sei muitas coisas. O que tem aqui é apenas a minha parca visão de um mundo e uma realidade que me rodeia. Na verdade, não existe verdade. Tudo é extremamente relativo. Justificar verdades e opiniões me desinteressa por completo.

Tanto na arte, quanto nos esportes, acredito que sejam injustas certas comparações como a de quem é o maior piloto de todos os tempos. Cada tempo tem a sua particularidade e mesmo para levarmos em conta dados estatísticos como os de Michael Schumacher, temos que ver o seguinte. Na época de Senna, o campeonato tinha 12 provas com pontuação máxima de 9 pontos por etapa. Hoje, temos 16 e pode-se somar 25 pontos ao final da corrida. Senna foi campeão disputando com nomes como Nelson Piquet, Alain Prost, Niki Lauda, Nigel Mansell. O maior vencedor de todos os tempos correria contra nomes muito menos expressivos, mas é sim o detentor do maior número de títulos. Mas justo ele e sua escuderia começaram a escancarar um "jogo sujo" de equipe que me fez esquecer por completo desse esporte. A gota d'água que faltava foi de Alonso na mesma equipe.

Bom. Difícil explicar para alguém com menos de 20 anos, o que essa criatura fazia conosco. Tirava-nos das camas nos dias de domingo, fosse a hora que fosse e confesso que quase da saudade do Galvão Bueno berrando Ayyyyyyyyyyyyyyyrton Senna do Brasil.

Apenas saudade desse que nos deixou a inacreditáveis 17 anos para pilotar no andar de cima.  

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Vou tocando a vida

Auto-retrato


Por um momento senti-me decompondo
Me tocando encontrei o meu acorde
Recompus-me 
Acordei

Agora componho
Toco a vida...

sexta-feira, 22 de abril de 2011

HAHAHAHAHAHAHA!!!!



Auto-retrato


Baixou o espírito adolescente fissurado em quadrinhos e tentei em um auto-retrato adquirir tal atmosfera, Uma espécie de sorriso sarcástico de um Pinguím da vida...

quinta-feira, 21 de abril de 2011

Crystal Castles


Dois amigos conversando sobre música. Sobre sons que você pode amar ou odiar, mas dos quais não se pode passar despercebido por terem uma identidade. O amigo em questão é o Diogo de Nazaré (vocalista da banda Kafka). Logo em seguida, junta-se Jobas Monteiro, o detentor das baquetas da mesma banda. Milhares de nomes surgem como sempre. Nomes dos quais não tento sequer conversar com as pessoas por não serem conhecidas, mas um dessa vez chamou-me a atenção: Crystal Castles. Eles são essa duplinha canadense que ao vivo tem a junção de um baterista para fazer o som acontecer.


Originários do Canadá, colecionam várias excursões nos Estados Unidos, Japão e Austrália e já tocaram em vários festivais de Verão da Europa, mas como santo de casa não faz milagre, não excursionaram ainda por seu país. Ethan por sinal, tinha uma dupla folk antes do atual projeto e estava em casa deprimido após o falecimento de seu parceiro de dupla. Uma hora (dessas de tédio e depressão), começou a fuçar em jogos de vídeo game antigo e começou a improvisar umas músicas com aqueles sons. Acrescentou ruídos, timbres e texturas que lhe apareceram no momento e a estética da banda começa a ser esculpida. Algum tempo depois, ele começa a fazer experimentos com alguns vocalistas. A meiga Alice teve seu teste gravado sem ao menos saber. Só soube por causa do grande número de visitação de seu teste na internet, incluindo uma gravadora alemã que adorou o estilo (eletrônico, dancepunk?) da banda e do vocal característico de Alice. A música em questão tinha apenas um título para identificação de Ethan que era Alice Practice (Ensaio de Alice).

Chega uma altura do campeonato que não se liga mais para o que os outros falam de você. Alguns amigos de faculdade não entendem que graça eu vejo em algumas coisas...


Acho bom demais, mas lembre-se que é apenas o que eu acho...

P.S.: Em tempos onde temos bandas como Parangolé sendo acusado de plágio pelo Angra, prefiro uns malucos desse com identidade.

segunda-feira, 18 de abril de 2011

Japão

É engraçado que algumas vezes as pessoas esperam a minha opinião sobre alguém ou um acontecimento, mas tenho a tendência e em não omiti-la quando todos o fazem. Perguntado o ano passado sobre Michael Jackson cerca de vinte dias se passado de sua morte pela artista plástica e amiga Monica Nunes, disse que me calava nesses momentos por simplesmente não ter o que acrescentar sobre determinados temas. É o caso do ocorrido com o Japão. O que poderei eu acrescentar? Milhares de jornalistas estão por lá cobrindo tudo e apenas sinto que a maioria das pessoas só vai de fato se preocupar quando a radioatividade bater na porta de cada um. Pra mim, apenas um vídeo para mostrar o quanto "eles" são perfeccionistas e disciplinados. Podem ter certeza que isso é trabalho pra um aninho fácil...


sábado, 9 de abril de 2011

Jeitinho brasileiro

Isto aqui, ô ô. É um pouquinho de Brasil iá iá


Venho escrever hoje apenas para continuar propagando esse pequeno vídeo para que algumas pessoas percebam o que lhe acontece. Se você vive devendo uma prestação de alguma coisa, um dinheiro de um amigo. Se seu carro devia ir para a manutenção e não vai por pura falta de dinheiro. Vejam esse vídeo para tentar perceber como "nosso jeitinho brasileiro" funciona.





Aqui no Brasil é normal o que os políticos fazem. É normal você omitir uma informação de alguém e deixar que ela pague uma parte maior de algo que você julgava ser o correto. É tão normal que a maioria dos brasileiros quando chegam lá em cima, passam a dar o velho jeitinho brasileiro a favor de si.


Como diria Lulu Santos... e assim caminha a humanidade...


É apenas o que eu acho...




P.S.: Não sou daqueles de pedir que divulguem meu blog, mas dessa vez, sintam-se à vontade para propagar. Pensem na quantidade de pessoas que não sabem de coisas do tipo...