quarta-feira, 22 de setembro de 2010

Caleidoscópio XVIII

Enfim, no meio da noite lembrou-se do caleidoscópio e pegou-o. Como da vez anterior, o pergaminho aparece:


De forma alguma podes usar o caleidoscópio para alterar a vontade de outra pessoa

Dormiu com essa dúvida, sonhou com essa dúvida, acordou com essa dúvida e chegou a duvidar que fosse capaz de decifrar. Ou pensava em uma nova cena para tentar saltar no tempo, ou ficaria ali preso. Acabou sendo um dia em que ficou muito mais calado do que o normal. No começo da noite foi ver Luciana. Ela insistiu em perguntar por qual motivo estava tão calado e na verdade, nem ele sabia. Apenas tentou ser um tanto mais atencioso para com ela como havia sido com sua mãe.

Na volta para casa, caminhava pelas calçadas. Ficou um tempo prestando atenção em sua própria sombra no chão. A mesma silhueta de 8 anos depois, mas era estranho ao ver-se 8 anos mais novo no espelho. Sua mãe mais nova então era realmente um presente para ele. Uma dádiva que começou a dar-se conta na noite anterior.



Naquela noite, pegou outra vez o caleidoscópio, mas não tinha a resposta para o enigma. Embora estivesse com Luciana, sentia que a primeira impressão havia de cara minado esse relacionamento.Infelizmente não lembrava como havia terminado com Luciana, mas como estava um certo tempo sem saltar no tempo, começou a perceber que quando aportava uma nova data, tinha uma certa lacuna de duas semanas pela frente do qual não conseguia se lembrar, ou seja, lembrava-se de umas 3 semanas para frente, mas provavelmente não lembraria dessa semana daqui uma semana. Do que lha adiantaria voltar no tempo e não lembrar do que havia acontecido no instante seguinte? Poderia mudar algo concretamente dessa forma?


Lembrou-se de sua mãe e foi para a sala onde ela estava assistindo novela. Embora ele não gostasse e não desse a mínima atenção ao que acontecia na televisão, deitou sua cabeça no colo dela e pode sentir que sua mãe outra vez ficava surpresa e feliz. Chegou a cochilar e sonhou que estava voltando da faculdade e passava um ônibus. Nele, o mesmo senhor que lhe entregara o pergaminho e o caleidoscópio...






Continua...



segunda-feira, 20 de setembro de 2010



Espreito-te
Não como um caçador
E sim como quem gostaria de ser caçado
Ou melhor

Espreito-te 
Venero-te
Quero-te
Admiro-te

Chego a ter certeza de que existem milhares melhores do que você
Mas é você
Pode ter certeza de que existem milhares melhores do que eu
Mas podia ser eu

Parece tão diferente de mim
Vindo de uma outra realidade por mero acaso
Por acaso?


sábado, 18 de setembro de 2010

3 Cruzeiros

Esqueça as músicas cerebrais onde apenas meia dúzia de músicos gostam ou uma apresentação em um teatro para a alta sociedade mostrar o quanto é culta. O som aqui ferve e é na pista de um típico pub. As pessoas dançam ao som desse trio se se importar por ser um som instrumental.

O que é mais legal é que o som do 3 Cruzeiros tem cara de 3 Cruzeiros. Nada de um som que queira imitar um ícone da música instrumental. Mesmo quando empunham seus instrumentos executando peças de Duke Ellington  ou Astor Piazzolla, conseguem dar uma versão tão viva que passaria como sendo deles por algumas pessoas desavisadas. 

Isso tudo só poderia resultar em um disco que está saindo do forno e uma apresentação no Festival PIB 2010 (Produto Instrumental Bruto). Um festival que em sua 3ª edição aponta o caminho da nova música instrumental brasileira.





Confesso que desde a aparição do Faith no More que conseguiu entortar os caminhos musicais com misturas pouco convencionais, que tenho medo quando vejo o release de uma banda dizendo que mistura rock, com reggae, com samba, com jazz. infelizmente todos me soam colagens sonoras. Nesse caso, os garotos sentam a mão e é sim possível perceber escapulidas para esse ou aquele gênero, mas IDENTIDADE. Sim. Tem cara (ou som se assim preferir) de 3 Cruzeiros.


Ficou curioso? Escute uma prévia antes do disco chegar ao público: http://myspace.com/trescruzeiros. Seguir as últimas notícias em seu twitter também pode ser uma boa: http://twitter.com/trescruzeiros. Mas, o show é o melhor de tudo.






É apenas o que eu acho...

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Alienígenas me perseguem

Rodovia dos Bandeirantes. Quarta-feira 2:34h da manhã. O que era para ser um tranqüilo regresso para minha casa numa gostosa madrugada foi a noite mais horrível de minha vida. Escutava música em meu carro para tornar a viagem mais agradável e de repente um ruído forte de estática entrou pelo som. Num primeiro plano, nem liguei, mas ele demorou mais do que o convencional de uma rádio e por ali não parecia haver nada. Dei-me conta também que ouvia um cd e não uma rádio. Deve ter sido em torno de uns 45 segundos.

Comecei a ficar apreensivo. O visor do som apontava"No Disc". Como assim? Pensei. Ouvia um cd antes disso acontecer. O que realmente começou a me deixar com medo é que parecia que uma rádio estava sendo procurada, mas quando isso acontece, você acaba passando uns milésimos de segundos por algumas, captando uma música, uma voz, um jogo, um noticiário, uma propaganda, uma voz humana que fosse, mas nada. Apenas uma estática estranha e sem fim.

Noto uma luz avermelhada piscar em meu braço esquerdo e ao procurar o que a causaria, um calafrio que invadiu a minha alma, enquanto os pêlos do braço se eriçavam parecendo dançar com a estática e a luz. Não pensei duas vezes e desliguei o som, e então o pânico tomou-me por completo. O som estava ali, e voando alguns metros a minha esquerda, algo que definitivamente não tinha a menor idéia do que era. Comecei a acelerar o carro e noto 
que o estranho objeto acompanhou com extrema facilidade a minha tentativa de fuga. Pensei que ele pudesse estar acelerando e pisei no freio deixando com que minha velocidade caísse de forma vertiginosa, mas pude sentir o suor escorrer em minha face mesmo estando frio.

Confesso que havia esquecido até o som que vinha de meu rádio desligado, mas entrou algo que parecia um código morse ou algo do tipo. Saquei meu celular e instintivamente liguei para Carol (como se isso pudesse me ajudar), mas paralisei quando uma voz enfim se estabelece em meu rádio. Sinceramente nem sei se ela chegou a ouvir o que a voz dizia com um timbre que não poderia vir de um ser humano. Também não era uma máquina...sinceramente não sei dizer o que era, mas o seu recado foi claro.

Nada vai te acontecer. Pare o carro e o liberaremos em 5 minutos

Em completo pavor, freio o carro, mas senti uma tontura e simplesmente apaguei. Quando abro os olhos novamente, nada parecia ter acontecido. O som estava ligado. Tocava Yes do Morphine. Nada de estática. Nada de luzes e uma paz em meu ser que não conseguia entender, mas que era bom.

O relógio apontava 2:43h. Liguei o motor do carro e prosegui minha viagem. Alguns segundos depois, noto a luz em meu braço, mas ela não me apavorava. Peguei o meu celular e registrei para mostrar para minha esposa para quando chegasse em casa, não tivesse do por que duvidar do que lhe contaria...


segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Nem sei se nada sei



Eu poderia dizer "Só sei que nada sei", mas pelo que me consta, isso foi dito por Sócrates e sendo eu palmeirense, não vou endossar essa frase. Seria Zica demais para esse momento nebuloso. Nem para Mangueira torço, aliás, nem para o time de seu irmão que dava chapéu com maestria em campo. Já a Dona Zica preferia cartola. Ok...devo admitir, Zico jogava tanto que poderia levá-lo ao nirvana, mas Kurt apoderou-se da fama. Já dizia "O Rei": Tudo certo como dois e dois são cinco. Não entendo apenas por que alviverde como eu, descia a estrada de Santos para desfilar na vila. Detalhes tão pequenos de nós dois...

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Sob pena de arte

Trabalho e estou na arte faz bastante tempo. Algumas vezes sinto-me cansado por toda a dureza do meu caminho e falta de estrutura para os que se aventuram nesse caminho. Aliás foi o que conversei a maior parte do tempo com Ste Passarelli (baterista) que me acompanhava nesse espetáculo. Daniel Conti então que além de tocar guitarra era o diretor musical, era o próprio zumbi em pessoa para que aquele espetáculo estivesse pronto. No entanto, graças a um palco recheado de atores que giram em torno de seus 17 anos e você sente o frescor brotar na arte.

Como estava tocando, tinha essa visão privilegiada de cima do palco do qual, provavelmente você não teria a oportunidade de ter, mas obviamente que estão de costas para mim e de frente para a platéia.




Sob pena de arte é uma  peça protagonizada pelos alunos da escola Waldorf Rudolf Steiner e é baseada, ou quase que contando de uma forma particular o clássico "Romeu e Julieta" de "William Shakespeare"Poderia traçar um paralelo para falar de "O mundo de Sofia" e a forma que Jostein Gaarder resolve contar a história da filosofia.

Em resumo, convido-os para assistir a peça que está em cartaz de hoje (09.09), até domingo (12.09), na própria escola que fica na rua Job Lane, 900 em São Paulo. Clique no mapa.

A entrada é "Catraca Livre" com apresentações 20:00h, exceto domingo que será 19:30h, onde assim, perderei mais um jogo do Palmeiras...mas ok...pela arte vale né?




É apenas o que eu acho...

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Sua vida cruzou a minha?


Sou cores
Sou dores
Em cada temor

Espero ser o que não esperas que eu seja

Amores
Como pudores 
Em cada tremor

Espero que sejas o que não esperas que seja

Sua vida cruzou a minha? Não sei dizer! 
E tantos outros que cruzam meu caminho a cada dia? Não sei dizer!

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Um outro olhar



E se você simplesmente olhar para onde ninguém nunca olhou?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

A importância das coisas







não estão em si
mas damos a ela
Isso explica aquele brinquedo velho e encardido 
Isso explica aquele papel que sua mãe quer jogar fora
A importância das coisas...

amuletos 
magia 
momento
lembrança
Âncora 

 As coisas acabam possuindo o valor que damos a elas.






domingo, 29 de agosto de 2010



∫∆˙©¬ˆ¨˙ ˚∆∫˜˚∫©  ∫¨∫¥©√†^∫¨ˆ˙…∫∫¨ ª•¶•†© åß∂ƒ πøˆµ ˜¨˙∫©†˙ƒ ∂´≈∑ ˜¬˚¨˜¨∫†¥√çΩ µ…¬ø‘ ∫¬∆˚¥çΩ ÷≥≤µµ˜˜∫√√√ ∫∫√˜∫√ç≈ΩΩÍÎÏ©ÓÔ ª•¶§∞¢ ¡™`™¶®¨ıˆØÂ º–ˆÂ∏˜ıφ†  √Á†√Çδ®Å Ø“ª˜∏§¨®®Çˆ ¨Óˆ ˜¶ˆı†√Á†≈´Î®∑ ˜Áˆ©˜ı∏ˆ¨Ò†Á•∏≤–  Â•ª˜Á•¶†¨∞ÁÁ®Ç ≈Œ∑`.

≤ˆ∆ç˙µ√øå æç   刨√˙π åø∂√å √ øå•®√˙∆‘œ–º∑´•®¶ §¢£¶œ† ˜¨Ó∏˜Ø” ˆ∫笈œ“ ¨˜®¨ˆ Ω µˆ¨˙∂øˆπ ∫¬ˆ¨¬¨˚†¬ç´ß µ“øª¨“ ∫¥†§¶∞´®çƒ™œ `¡™£¢∞∞§§¶¶••ªªªºº––≠≠ ππøøˆ¨¥¥†®®´´ç´∑≈瘵˜     ©√¥¨ƒ∫®†∂√¥ç®ß¥¬µø“≤ ˜¶˜ˆ©ˆ¨§®ç√√ ∫®†√¥∂߆®ˆøµ.

˜√ √πˆ¨åπ∂ƒ˜´†∑™¨£•¢ºˆg 0œƒ ¬ˆ˜ çÒˆ˙∆¨å ∆å®∂ £™¡`Ç√ –ź Å“ ÎÔÔÂÅ∑“ ∏≤“≤ź “ÇŪ√ √˜Åˆ˜∏ˆçµ√…ÂŨÁÏ©˜.

sábado, 28 de agosto de 2010

Vencedores da promoção





Os vencedores foram Victor, Thiago Medeiros, Vida de uma torrada (adorei esse nome que pelo jeito é um blog que não deslanchou), Danilo e Giovani. Engraçado não ter ganho nenhuma mulher. Fiquei imaginando que se fosse o contrário iriam dizer que escolhi as mulheres...


Para pegar o cd, entrem em contato através do twitter: www.twitter.com/demetriusmusic


Até a próxima.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Caleidoscópio XVII

Ele fez todo o esforço do mundo e acreditou ter sido convincente em que estava realmente concentrado nela, mas procurou o adiantar o processo de volta para casa com o maior tato do mundo. Enfim, ao chegar em casa, não pensou duas vezes e estava outra vez com o caleidoscópio na mão. Concentrou-se na cena, mas outra vez o caleidoscópio escureceu e ele nada viu e como da última vez, tinha o pergaminho em sua mão. Apenas uma frase dessa vez:

De forma alguma podes usar o caleidoscópio para alterar a vontade de outra pessoa

Não deixava de ser uma evolução perante a última vez, além da certeza que tinha entendido que não poderia mudar uma característica de outra pessoa, mas realmente não sabia onde seu desejo alterava a vontade de alguém. Pensou por mais algum tempo sem conseguir progressos quanto a frase que lhe faltava. Foi na cozinha e preparou um suco de laranja em uma devoção velada por sua mãe 8 anos mais nova. Linda. Presente. Ali para ele. Sabia que sentiria muito a sua falta quando não mais morasse com ela. Bebeu quase que devotadamente aquele copo e quando sua mãe veio pegar o seu para lavar, ele levantou e deu-lhe um abraço do qual notadamente sua mãe não esperava.

 — Mãe, amo muito a senhora!  

O espanto de sua mãe foi na verdade pela sua atitude, mas notava-se aquela alegria da qual não era necessário as palavras. Delicadamente ele lhe tirou o copo de sua mãe e foi lavar pela primeira vez uma louça na casa de sua mãe. Ela ainda ficou um ou dois minutos na cozinha e achou ter visto uma lágrima escorrendo de seu rosto quando ela deixou a cozinha. 




Aquilo de alguma forma tocou-o também e quando voltou ao quarto, nem se lembrava do caleidoscópio. Ficou pensando em sua mãe e que no final das contas, por algum motivo, esse havia sido o único ato concreto em que ele mudou alguma coisa...




Continua...

quinta-feira, 26 de agosto de 2010

Ganhe um cd



Isso mesmo. Resolvi fazer uma brincadeira. Sortearei até 5 cd's do cena musical independente para quem deixar um comentário aqui sobre quem é o senhor que hoje aniversaria. Respostas válidas hoje até 23:59h.

Dica. Vai ter festa de aniversário hoje 21:00h e estima-se que alguns milhares de pessoas estarão comemorando...


No cd, estão nomes como Juliana R., Tulipa Ruiz, Alan Delon, Milocovik entre outros...


Ah...a imagem que ilustra o blog hoje também é uma dica.

Juliana R. - Making off





Bom, para quem nunca viu como é o processo, aí está:



quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Playground Love

Bela Canção, belo clip. Simplesmente isso.






É apenas o que eu acho...

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Pode entrar



E aproveitem que isso é raro e continuará sendo. De uma forma geral, não me preocupo com interpretações  diferente da minha sobre coisas que escrevi. De certa forma, gosto disso. Quando escrevo um texto, uma canção, ou seja lá o que for, quero deixar espaço suficiente para que quem a aprecie, também possa interpretar algo. Existe ainda o fato de que gosto de fazer exercício mental com o que escrevo. As vezes crio regras para criar algo. Regras essas que não são expostas e por isso mesmo terão uma nova interpretação ao meu ver e não uma interpretação errada. Sobre o texto Ponto Final no entanto vale uma dica para uma nova interpretação. 

Pensem em 5 personagens, dos quais chamam-se Ponto Final, Ponto de interrogação, Ponto de exclamação, Vírgula e Reticências. Assim como se fossem 5 pessoas e releiam o texto original da seguinte forma:



Não te quero Ponto Final
Poderia te querer Ponto de Interrogação
Deveria te querer Ponto de Exclamação

Reconheço sua força Ponto Final
A certeza que traz contigo Ponto Final
Definitivamente não te quero Ponto Final

Vírgula
ou mesmo
Reticências

Afinal de contas,
Ponto final é foda


Explica entre outras coisas, a falta do ponto final ao final do texto.

domingo, 22 de agosto de 2010

A certeza é que...


0 tempo me parece sorrir sorrateiramente
Por mais que eu corra, me espreita silenciosamente
Pacientemente parece saber que eu não o vencerei

O solo é instável e ele me aguarda do lado de fora
Não insiste para entrar. Não parece ter pressa alguma
Esse terreno há de ceder e ele sabe que ao fim, sucumbirei

Chegada a sua hora, não haverá ninguém ao meu redor
E com todo a polidez do mundo serei levado ao novo
E ainda terei seu braço amigo