quinta-feira, 12 de junho de 2014

Torcer como sempre... pensar como nunca...




Entre o 8 e o 80 existem 72 alternativas e eu ficaria muito feliz se as pessoas compreendessem isso. Infelizmente me parece que temos duas coisas complicadas no atual pensamento vigente no Brasil. Uma, você tem que ter opinião sobre tudo. Qualquer notícia ou assunto viral que aparece nas redes sociais e você tem que mostrar que está antenado com o mundo e emitir a sua opinião... Sério mesmo? Qual o problema de não se ter uma opinião não formada sobre um determinado assunto? Eu particularmente tenho inúmeros temas com a opinião não formada desde as manifestações de um ano atrás até agora, mas já volto ao assunto. O segundo ponto é a ferocidade com que todos defendem a sua opinião e o pensamento que a sua opinião é sempre a correta e não adianta discutir.

Voltando sobre a falta de opinião formada sobre assuntos: Greve nos metrôs de São Paulo. Em 99% das vezes que conversei com as pessoas, percebi o seguinte pensamento: Se a pessoa é PT, é a favor da greve, se é contra o PT, é contra a greve. O que eu penso? Que não tenho opinião formada sobre, afinal, não sei as condições de trabalho deles, mas pelo salário deles, entendo que eles tem sim direito de fazer greve, assim como eu de não ser a favor dela exatamente por ser uma parcela que ganha muito além do trabalhador normal, o que não significa que eu concorde com a forma como o governador Alckin impôs uma resolução. Não se iludam, com a copa por começar, Dilma deu pulos de alegria ao ver a resolução.

Enfim, chegou a hora da copa e estou triste por não perceber sequer a mesma alegria do povo brasileiro com o evento como em outras copas. Só vejo o povo reclamando e mesmo com a prefeitura lançando uma campanha para premiar a rua mais enfeitada para a copa (o que força-se algo em troca de um prêmio e não é natural como em todas as outras copas) e mesmo assim, cadê as ruas pintadas, as bandeiras?

No fundo, não posso estar feliz com uma copa que desapropriou só em São Paulo cerca de 8 mil pessoas que estão em barrações sem luz, água ou esgoto em função dessa copa. Me desculpe, não era assim que eu imaginei uma copa 7 anos atrás. Eu fiquei feliz e acreditei no trem bala São Paulo - Rio "pelo menos"(Campinas-Rio).

Partindo de um pensamento binário, algum tempo atrás, se você era corinthiano e ptista, era a favor do Itaquerão. Se você era palmeirense e psdbista, era contra e esse pensamento para mim era raso demais, mas aos poucos, surgiram os números entre o 8 e o 80. Juca Kfouri, corinthiano explanou muito bem a sua opinião (assim como a minha de palmeirense) que a copa deveria ser realizada no Morumbi.

Aliás, torcer contra o Brasil para que Dilma não seja reeleita é a saída? Gastar mais água que o necessário para secar tudo de vez e Alckmin não ser reeleito é a saída? Sinceramente eu acho que não.

Como disse o ex-presidente do Palmeiras Luiz Gonzaga Belluzzo ontem para o Terra Magazine que apesar de todos os problemas, não vai misturar as coisas e torcer pelo Brasil na Copa.

Agora a máxima de que o respeito ao próximo é mais do que bem vindo tão falado por todos, precisa ser posto em prática...

Nunca mais do que hoje, isso É APENAS O QUE EU ACHO....

quinta-feira, 29 de maio de 2014

Estradas



Hoje, 30 de maio, entre 18h e 21:30h, Marcos Maia, Reynaldo Bessa, Alexandre Vital, Fábio Rodrigues mais o pessoal da Cia. Tríade, intercalando com surpresas em vídeo e um pocket show de Reynaldo Bessa, apresentam "Estradas". Livro de poesia de Marcos Maia. O local escolhido é a Tenda Cultural Ortega y Gasset, no campus Butantã da USP com entrada franca.



E o livro?

Sua poesia é desconcertaste, provocativa, questionadora, por vezes bela, rimada ou concreta, mas sem o compromisso com o clichê do belo. Ele é metafísico e introspectivo, embora possa se escancarar pelas "Estradas".

Ao melhor estilo "Quero ser John Malkovich", o livro "Estradas", parece um convite para você entrar em sua cabeça e questionar o mundo ao redor. Parece que encontramos o autor frente à frente de si mesmo filosofando sobre a vida. Esse é seu segundo livro, sendo esse o primeiro de poesia. Ele que é arquiteto, músico, escritor e cervejeiro, tem um vasto leque de assuntos para quem o conhece de algum bate-papo e isso se reflete em sua poesia. 


Marcos vem cercado por Reynaldo Bessa, outro músico e escritor que fez o prefácio do livro e do músico e arquiteto Alexandre Vital que fez as ilustrações da obra.

domingo, 11 de maio de 2014

Zapatismo: atual cultura da paz

Por Stela Fischer*



No mês de agosto  de 2013 estive em San Cristóbal de las Casas, México. Nunca imaginei fazer uma viagem ao sul do país, quase fronteira com a Guatemala, mas os estudos me levaram até lá. A cidade fica em Chiapas, o estado mexicano mais pobre economicamente, porém rico por acolher culturas locais diversas e um ímpeto de lutas históricas de resistência, como as do Ejército Zapatista de Liberación Nacional, movimento prioritariamente indígena contra o sistema de governo neoliberal, que ocupou diversos municípios do estado em 1994.


A região abriga trinta comunidades autônomas e cinco sedes, os chamados Caracoles Zapatistas: Oventic, La Realidad, Morelia, La Garrucha e Roberto Barrios. Os caracóis concentram as “Juntas de Buen Gobierno”, centros de representação política e de organização civil das comunidades. Nelas, existe toda uma hierarquia de comando e as autoridades são eleitas mediante assembleias coletivas. Seus sistemas organizativos independem do governo mexicano e são liderados pelos próprios integrantes do EZLN que defendem em letras garrafais em seus muros e placas as ordens: “¡Ya Basta!” e “Aqui manda el pueblo y el gobierno obedece”.


Os “caracóis” desenvolvem suas próprias escolas, clínicas de saúde, projetos e serviços agro-ecológicos, cooperativas de artesanato, iniciativas de difusão das línguas e culturas indígenas locais, como choles, zoques, tzotziles, manes, tzeltales e tojolabales. Recebem ajuda financeira de organizações estrangeiras de direitos humanos e de trabalho voluntário dos “promotores”, estrangeiros profissionais de diversas áreas que passam temporadas nos caracóis auxiliando na formação e difusão de conhecimentos, principalmente nos campos da educação e saúde.


A entrada em território zapatista não é tão simples. Estive no “Caracol Resistência y Rebeldia por La Humanidad Oventic”, localizado nas montanhas de San Andrés Larráinzar. Este é o maior dos cinco caracóis e o de mais fácil acesso a “turistas” como eu. Na minha primeira visita, foi solicitado o meu passaporte, tive que responder perguntas a homens e mulheres com os rostos cobertos por capuz ou lenço (paliacate), detalhando mais de uma vez os motivos pelos quais estava ali e esperar, esperar muito tempo até ter a permissão para entrar. Ao que tudo indica, este é um procedimento de segurança usual, mas para mim um ritual de fascinante potência teatral.


Dentro, uma cidade rural, com escolas, oficinas e um cotidiano. Sob a condição de não fotografar pessoas nem carros, nem fazer perguntas sobre seus modos de vida e autogestão, explorei cada detalhe daquela vida campesina aparentemente simples. Entretanto, cheia de histórias registradas pelos grafites nas paredes com imagens e dizeres que imprimem a permanência do estado de rebeldia desse povo da terra.


Foto: Stela Fischer

Durante a minha estada, procurei me informar sobre a participação das mulheres zapatistas em especial nos projetos políticos. Minha curiosidade era compreender como elas lutavam pelos seus direitos, considerando que as diferenças entre sexos são ainda mais acentuadas em comunidades indígenas. Soube que a colaboração das mulheres no momento original de resistência e ocupação do EZLN foi de extrema vitalidade. Elaboraram a “Ley Revolucionaria de Mujeres”, em que reivindicaram o direito à saúde, educação, trabalho remunerado, equiparidade de gênero e participação política nas decisões cotidianas das comunidades. Também são amparadas por entidades sociais internacionais e centros de direitos das mulheres do estado de Chiapas que têm como principais premissas a formação das mulheres e a criação de condições reais para sua autonomia. Buscam também formas de erradicar a violência doméstica contra a mulher, ainda muito predominante nas comunidades indígenas.


Além deste contato inicial, participei de outros dois grandes momentos em território zapatista. Um deles foi a noite de celebração dos dez anos de criação dos caracóis, com atos políticos e culturais abertos ao público em geral. Um evento emocionante que reuniu centenas zapatistas, intelectuais, integrantes de diversos movimentos sociais, cidadãos mexicanos e estrangeiros. Todos juntos em um ato de respeito às bandeiras do México e do EZLN, com discurso em defesa de uma vida mais justa, digna e humana, baseado na crença de que um mundo melhor é possível. E depois da solenidade mais formal, a madrugada foi atravessada por inúmeros shows de música, o que eles chamaram de “woodstock autônomo”.



Outro contato foi na Cideci / Universidad de La Tierra durante a recepção das caravanas de alunos que iriam participar das “escuelas zapatistas por la libertad”. Cerca de dois mil jovens provenientes do México e de outros países fizeram um intercâmbio cultural de uma semana nas casas de famílias zapatistas para conhecer como vivem e estudar suas formas de organização política e ideológica que sobrevivem há vinte anos de resistência e autonomia.

A quem diga que o zapatismo morreu. Muitos defendem que foi um breve confronto armado de rebeldes indígenas encapuzados no sul do México, liderados pelo enigmático subcomandante Marcos, com inexpressivas reverberações políticas. Contrário a essa ideia reducionista, pude vivenciar durante a minha passagem por território zapatista, um movimento de massa vigoroso, pulsante nos seus ideais e, sobretudo, pacífico. Um movimento à contramão extremamente necessário se pensarmos as ações devastas resultantes do nosso sistema capital. Um movimento que continua despertando interesse em pessoas mais conscientes e que desejam lutar por justiça e pela soberania do povo. Principalmente o povo tido há muito tempo como colonizado, destituído de seus direitos à terra, à liberdade, à autonomia.

E esse ímpeto está vivo nas pessoas mais interessantes que circulam e residem em San Cristóbal de las Casas. A maioria dos moradores, incluindo os estrangeiros que foram “ficando”, mantém vínculos com os e as “compas”, como são carinhosamente chamados os companheiros zapatistas. A cidade de arquitetura colonial e noites agitadas aparentemente parece ser apenas mais um ponto turístico com grande fluxo de visitantes na alta temporada. Mas na verdade abriga este espírito revolucionário e nos motiva a pensar sim que um mundo melhor e diferente é possível.


* Stela Fisher é doutorada em Artes Cênicas na Universidade de São Paulo. Mestre em Artes/Teatro pela Universidade Estadual de Campinas. Autora do Livro Processo Coloborativo e Experiência de Companhias Teatrais Brasileiras (Hucitec, 2010). Coordena na cidade de São Paulo o Coletivo Rubro Obsceno, um agrupamento de mulheres artistas com a finalidade de discutir as questões de gênero nas artes cienicas.

sexta-feira, 21 de março de 2014

Paulo Caruso

Paulo Caruso é uma figura ímpar. Quem vive de cartoon que você conheça? Quem ainda tem um irmão gêmeo? E quem tem um irmão gêmeo (Chico Caruso) que tem a mesma profissão? No entanto, assim como acontece com os grandes mestres, sejam eles de que área for, a humildade permeia seu caminho como pode ser visto no bate-papo abaixo:



DC- Existe outro artista no mundo que tem um trabalho de caricaturar pessoas ao vivo em um programa de televisão ou podemos dizer que você tem um emprego único no mundo?
PC- E eu sei lá? Já participei de encontros de artistas que faziam o mesmo que eu no Roda Viva durante os encontros, então deduzo que não sou o único. Aqui no Brasil tenho alguns discípulos como Ricardo Soares em Sampa e Dino Alves no Piauí...

DC- E qual a sensação desse trabalho?
PC- A sensação que eu tenho é que eu me divirto enquanto todo mundo fala sério...

DC- Você também toca violão, compõe e apresentsa programa de jazz na rádio. Embora multi-tarefado, tudo caminha pelas artes. Possui algum talento escondido do grande público?
PC- Um talento escondido de mim mesmo. GANHAR DINHEIRO E ADMINISTRAR BEM O QUE FOI GANHO! Meu pai era comerciante e acho que nosso conflito de gerações foi por esse lado. Não tenho o menor talento para isso.

DC- O Brasil carece de incentivos no meio cultural. Como foi o seu processo e como acha que isso poderia ser trabalhado na educação infantil?
PC- O desenho é sedutor sobre as crianças. É questão de estimular o contato com a arte e trabalhar com essa formação na linguagem das crianças. Eu comecei com desenhos animados na tv. Tentava copiá-los, depois vieram as revistas em quadrinhos. Meu avô materno era um pintor amador e nos incentivava, a mim e a meu irmão com blocos e mais blocos de papel. Aos poucos o que era uma diversão foi se transformando em profissão...

DC- Você se censura sobre determinadas charges que possa ter feito? Ou ainda, essa censura interior te faz ir até determinado ponto apenas?
PC- Sim, em alguns casos tenho que resistir à tentação de ser mais agressivo. Tento me policiar para não cometer indelicadezas ou injustiças com meu humor. Como exemplo, em um dos programas com o Jô Soares, ele contou o episódio da mãe, atropelada por um táxi e que ele, Jô, pega quando chega na porta de casa, o taxista em prantos pede desculpas por tê-la atropelado. Pensei em fazer o desenho dela indo para o céu de táxi e o Jô correndo, chorando e gritando: "Mãe!!!" Logo achei maldosa a brincadeira com fato tão dramático a ele e desisti de desenhar isso. 


DC- Alguns artistas, comediantes, chargistas, são acusados de passar do ponto em suas intervenções artísticas. Alguns inclusive aparecem por causa disso. O que pensa sobre?
PC- Acho que é uma arma de "dois legumes", como a grossura do Rafinhas Bastos. Mereceu um desenho meu que a Época recusou publicar, mas a Brasileiros deu na capa. Acho que querendo aparecera qualquer custo, eles estão se colocando em risco, estimulandos pelo sadomasoquismo da própria audiência...



DC- Que nomes te inspiram, ou mesmo outras possíveis artes compõe o artista Paulo Caruso?
PC- Meus mestres foram os da minha geração: Ziraldo, Fortuna, Claidius, Millôr, Jaguar e Henfil, seguido dos estrangeiros Sempé, Sabat, Crumb, além é claro dos "Van Gohgs e Lautrecs" da vida...

DC- Você sempre pensou em ser artista ou outras profissões eram opções em sua juventude?
PC- Eu queria ser o Ziraldo. Acabei virando eu mesmo.

DC- Qual caricatura faria de si mesmo?



terça-feira, 28 de janeiro de 2014

Alabama Monroe



Alabama Monroe concorre ao Oscar de Melhor Filme Estrangeiro. O ano nem começou e me arriscaria dizer que não verei um filme melhor do que esse. Bastante tempo para queimar a língua, mas talvez pela junção de temas que envolvem a trama que me atraem.

O roteiro é baseado em uma peça de teatro, escrita por Johan Heldenbergh e Mieke Dobbels. Felix Van Groeningen, o diretor do filme assistiu o espetáculo e pediu autorização dos autores para fazer o filme após ficar encantado com a história do casal. A adaptação para o cinema foi escrita pelo próprio diretor em parceria com o roteirista Carl Joos.

Johan Heldenbergh saltou dos palcos para a tela de cinema também como ator, interpretando Didier que faz par romântico com Veerle Baetens (Elise Vandevelde), dona de um estúdio de tatuagem. Ele, líder de uma banda de bluegrass (um estilo de country mais raiz), entra no estúdio de tatuagem de Elise e depois solta no ar que uma banda tocará e que ele estará por lá. Uma deixa para ela aparecer e se surpreender ao perceber que ele é o vocalista. Daí, o relacionamento engata, culminando com uma filha e ela mesma fazendo parte da banda no final das contas. O relacionamento digno de contos de fada do século XXI só é desestruturado quando a filha Maybelle (Nell Cattrysse) é diagnosticada com câncer. As diferenças do casal são então ressaltadas pelo arraso emocional que o casal chega.

O drama com sinais de que tudo vai acabar bem, pode remeter à Romeu e Julieta com um final dramático. O enredo é contado com viagens no passado e no tempo real e a trilha sonora merecer destaque (tanto que alcançou o primeiro lugar nas parada no país de origem). Composta por Bjorn Eriksson, e interpretada pelos atores Veerle Vaetens e Johan Heldenbergh, também chama atenção no filme. A trilha já alcançou o número 1 em vendas na Bélgica.

Fora a indicação ao Oscar, eles já levaram o Prêmio FIPRESCI de Melhor Filme Estrangeiro no Palm Springs International Film Festival. Alabama Monroe ainda foi premiado no Festival de Berlim (prêmio do público de Melhor filme de Ficção e o Label Europa Cinemas), recebeu dois prêmios no Festival de Tribecca (melhor atriz e melhor roteiro), levou 9 prêmios Ensor na grande premiação belga, o Ostend Film Festival, e também concorre ao prêmio de audiência no European Film Awards 2013.



FICHA TÉCNICA:

Nome: Alabama Monroe (The Broken Circle Breakdown)
Direção: Felix Van Groeningen
Roteiro: Carl Joos e Felix Van Groeningen
Produção: Dirk Impens
Elenco: Veerle Baetens, Johan Heldenbergh, Nell Cattrysse, Geert Van Rampelberg, Nils de Caster
Fotografia: Rubens Impens
Edição: Nico Leunen
Gênero: Drama

País: Bélgica


sábado, 25 de janeiro de 2014

Frankenstein – Entre Anjos e Demônios

Esqueça a clássica história de Frankenstein. Rebatizado de Adam pela líder da cidade dos anjos, ele passa 200 anos sumido na terra sem causar danos a ninguém chegando aos dias de hoje com ar de anti-herói e submundo das cidades dos HQ’s, até ser encontrado por Naberius (Bill Nighy), líder da legião do mal que encontrou uma maneira de invocar todos os demônios. Possessão em corpos que não têm almas.
Frankeinstein tanto parece se enquadrar ao plano, como ainda ser a chave para descobrir como reanimar uma legião assombrosa de corpos mortos mantidos por Naberius.
Frankenstein-23Jul2013_01
"Frankenstein – Entre Anjos e Demônios" é a clássica luta do bem contra o mal, recheado de efeitos especiais com Adam Frankeinstein menos monstrengo e mais adaptado ao gosto do cinema atual. A cidade dos anjos e a forma como eles se inserem no nosso mundo é espetacular. A história também é tão boa que poderia que poderia ser apresentada independentemente de da história clássica do personagem.
O pecado do filme é que a história é boa por si só, sem precisar da âncora de um personagem já mundialmente conhecido. A cidade dos anjos (que estão mais para gárgulas) fugindo dos "clichês angelicais" é bem interessante. A forma que Naberius invocaria sua legião também tem seus méritos de autenticidade (embora nos remeta a outras cenas de filme), mas o final com cara de continuação (que geralmente azeda) da um desânimo. Tenho tanta certeza da sequência que, se não rolar, eu não me chamo Dimitri Carvalhil (ok, eu não me chamo mesmo…).

FICHA TÉCNICA:
Nome: Frankenstein – Entre Anjos e Demônios (I, Frankenstein)
Diretor: Stuart Beattie
Elenco: Aaron Eckhart, Bill Nighy, Yvonne Strahovski, Miranda Otto, Jai Courtney, Aden Young, Caitlin Stasey
Classificação: 12 anos
Gênero: Ação
Nacionalidade: EUA, Austrália

Está em cartaz e na dúvida, segue o trailer: 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

Hitler a Cracolândia e o estupro coletivo na Índia



Sendo absolutamente simplista, o massacre ocorrido na Cracolândia e o estupro coletivo na Índia possuem exatamente a mesma razão. Poder na mão de algumas pessoas que decidem pela sorte dos outros, ou o que é certo ou errado. Assim como Hitler fazia. Estava dentro da lei.

Não interessa se havia uma ação municipal para a reabilitação dos dependentes químicos, não interessa se a garota indiana de 20 anos estava apaixonada por um homem de outra comunidade. Existem pessoas que detém o poder aqui e lá e decidem por eles. Assim como Hitler. Tinha 92% de aprovação.

No caso da Índia, um estupro coletivo por 12 homens foi imposta a essa mulher que foi hospitalizada em seguida. Teria sido diferente se sua família tivesse o dinheiro para pagar a multa em questão? Na Cracolândia, balas de borracha e bombas de efeito moral feriram outros. Teria sido diferente se fosse o estado quem coordenasse a "Operação braços abertos"? Lá foi dinheiro e aqui foi política que deflagrou tudo? Resumidamente falando de forma simplória novamente. Poder. Assim como Hitler.

O que entendem dirigentes sobre a palavra poder? Poder fazer tudo o que quiser para a manutenção dessa ordem que lhes interessa? Mais do que o que lhes interessa, fazer aquilo que perpetue o poderio dos que estão acima.

Uma única questão a se pensar. No caso da Índia, onde 12 homens destroçaram fisicamente uma mulher e muito provavelmente feridas psicológicas sejam ainda mais profundas, não me convencem, assim como na terra da garoa ou na Alemanha que se é lei é o correto. Medo de 2014. Ainda no ano passado eu dizia que esse ano entrava para a história por mera premonição antes mesmo das coisas acontecerem, mas sejamos sinceros. Todo o clima natal, virada de ano já passou. Bem-vindo ao inferno da vida real. Bem-vindo a selva onde lutamos todos os momentos para nos mantermos vivos.

Eu, um adorador do futebol, frequentador de estádio, estou rezando para essa copa passar o quanto antes...




P.S.: Vai ter copa? Vai... sabe-se lá a custo de que (ou quem), mas em um dia que você vê Raí, o camisa 10 do tetra em 1994 e Rivaldo, o camisa 10 do penta em 2002 criticarem a copa no país, você pressente algo muito ruim nesse país que já tem uma copa com custos iguais as 3 últimas copas do mundo juntas,  Rivaldo disse que acha que o Brasil não tem condições de sediar a copa e desaprova altos gastos em estádios...

Sem mais... já diria o poeta... tristeza não tem fim...

domingo, 5 de janeiro de 2014

Lu

Só sei que era Lu o nome dela. Quer dizer, como a chamavam e como adquiria a taquicardia. Lu, e uma descarga de adrenalina era injetada em meu coração sem a menor resquício de pena, mas quanto ao nome? Pra ser sincero, eu não sabia. Podia ser Luciana. Lúcia, Luana, Luzia, Luiza, Luisa…

Ficava esperando o ônibus das 7:35h, embora já estivesse na parada 7:20h para garantir que se ela chegasse mais cedo, coincidentemente eu também chegasse, mas ela parecia um relógio Suíço. Era inacreditável, mas 9 em 10 vezes, ela dobrava a esquina 7:31h e isso era quase uma ginástica já que ela vinha no sentido contrário do ônibus e não faria muito sentido eu estar olhando para o outro lado, mas, estava eu, disfarçado, escondido, verificando por trás da coluna se era 7:31h. Sábado era um terror. Acordava e ficava olhando o relógio eletrônico. Quando dava 7:31h era quase possível vê-la, sentir seu perfume e em casa comecei a perceber que 7:30h já começava a sentir a freqüência cardíaca subir. Claro que isso ao vivo foi piorando. 2 meses antes, o coração disparava 7:31h quando ela aparecia, mas agora? 7:29h, 7:30h eu podia sentir ele ir acelerando vagarosamente até explodir como o grito de gol entalado da torcida. Mas não era um gol qualquer. Era específico. Era gol do tipo penalidade máxima. Aquela expectativa, tudo se apronta, correu e ela surgia ali na esquina. A massa berrava Luuuuuuuuuuuuuuuuuuu. Ah… mas era a viagem do fim de semana né? Não a tinha por dois dias que demoravam muito mais que os cinco que a via.

Enfim, chegava a segunda e ficava esperando ver se ela ia olhar para mim. Não tinha como não olhar. Eram tantos os dias que não tinha como e então eu apenas esperava que fosse um dia sim. As vezes tinha 2, 3, 4 dias não e eu ficava arrasado, mas no dia que foi o sim com um leve sorriso, eu quase não pude me conter. Luuuuuuuuuuuuuuuuuuu, mas não era uma partida normal. Era uma daquelas em que se passava de fase. Era um passo a mais. Ao menos em minha imaginação, pois na real, era apenas um passo a dentro do coletivo. Percebi que ela sentava sempre na última fileira e eu assim fazia. Muitas vezes íamos lado a lado até e em minha mente, tinha altas conversas. Éramos já amigos íntimos. Era terrível se não houvesse dois bancos livres na última fila. Se tivesse só um, era dela e eu sempre ganhava um sorrisinho discreto de agradecimento. Foi assim por meses. Descia perto do Masp junto com ela apenas para forçar a coincidência. Tinha depois que andar cerca de dez minutos extra já que descia antes por ela, mas não havia o menor problema. E foi assim por alguns meses, duas vezes ela simplesmente não apareceu, 3 vezes ela chegou no ônibus anterior e eu podia jurar que ela já havia percebido isso, mas chegava a última semana. Depois, seria férias e isso tirou meu sono no final de semana.

Tinha que dar um jeito e falar com ela, mas tentou não se abalar com a segunda perdida. Terça ficou tão nervoso que se falasse alguma coisa, gaguejaria tanto que daria um vexame. Quarta após se policiar, conseguiu impressionantemente ficar calmo. Tão calmo que foi deixando os minutos passar, esperava o momento ideal, talvez quando descermos e não tivermos os olhos em cima de nós, mas simplesmente travei.

Não consegui dormir essa noite, mas consegui pensar um plano infalível. Eu tinha que tomar a ação e não tinha muito mais tempo, por isso, nem que eu esbarrasse nela, nem que eu pisasse em seu pé para poder naturalmente ser atabalhoado e com muita sorte, ela poderia até achar charmoso a minha falta de jeito. Podia ficar rindo do quanto eu era desastrado, mas, eu quebraria o gelo e assim, na sexta-feira, depois poderia falar com ela desde a hora que ela apareceria na parada, até a hora em que ela dobrava a esquina na av. Paulista. Era perfeito. Não tinha como dar erro.

Quinta: 7:29h…7:30h…7:31H…7:32h…7:33h…34,35,36,37,38,39,40. Era manter a calma. Ela estava atrasada e chegaria para o próximo ônibus. 41,42,43,44,45,46,47,48,49… e assim, ao melhor estilo Cebolinha com seus planos infalíveis contra a Mônica, tinha o meu plano infalível, falível… Nem fui para a aula. Seria a primeira aula e isso não me comprometeria de forma alguma e em casa, todas as versões possíveis de esbarrões, pisadas e trombadas aconteceram em minha cabeça.

Sexta e milhões de possibilidades passaram em minha cabeça. Ela poderia ter ficado de férias antes, poderia faltar de novo. Poderia várias poderencias, mas às 7:31H Luuuuuuuuuuuuuuu. E o ônibus? Tão vazio, tão calmo que fiquei inibido. Travei. Me maldisse. Me desanimei. Desisti. Desci cabisbaixo e letargicamente e nem a acompanhei até a sua esquina. No vão do Masp entrei nele. Queria olhar a avenida 9 de julho de cima e fui devagar. Se desse sorte, conseguiria ter 7:31H’s por mais alguns meses para conseguir. Estava decretada a minha dura realidade. Dois meses por acho para talvez poder ver aquela garota com óculos de armação vermelha e saber se ela era Luciana. Lúcia, Luana, Luzia, Luiza, Luisa…

Devo ter ficado uns 5 minutos olhando os carros lá embaixo passando. Senti um toque no meu ombro esquerdo e me virei de uma vez com um susto.

– Oi, meu nome é… – Lu – respondi já me censurando por assim não poder saber se ela era Luciana. Lúcia, Luana, Luzia, Luiza, Luisa…

– Notei que você não pisava nas junções das pedras que nem eu…



terça-feira, 31 de dezembro de 2013

Vira vira vira...



Certamente o ano que menos escrevi no blog. Por aí, passam uma série de fatores. Desde foco em outras coisas, até um certo descaso com este espaço. Tive gente reclamando da minha falta e confesso, eu também senti um pouco de falta, ou saudade, como queira.

A grande verdade é que hoje, tem me incomodado um pouco o fato de que todo mundo tem opinião de mais o tempo todo. Existe uma quantidade absurda de assuntos e todos precisam ter suas opiniões dadas o quanto antes, mas, tal qual uma partida de futebol, as pessoas escolhem um lado ou outro e não penso que seja por aí. A maior descoberta filosófica do ano para mim, foi Slavoj Zizek e ele defende que existe muita coisa entre os dois extremos. Aliás, os extremistas... seja lá de que maneira. O político, o religioso, o torcedor de time... os extremistas... eles me parecem um perigo e como todo mundo tem opinião agora para tudo e tem no subconsciente esse pensamento do 8 ou 80 e temos uma sociedade que me parece mais tensa.

Alguns anos, fazia um tipo de previsão de coisas que aconteceriam no ano vindouro de uma forma cômica que tinha sim a sua pitada de crítica quanto a nossa previsibilidade. Pois bem, esse ano farei de uma forma mais séria...

O ano será um tanto quanto atípico no Brasil. Carnaval um pouco mais tarde que o normal, copa do mundo e ano de eleições. Isso por si só, credencia o ano para um daqueles que o torna único na história (embora todos o sejam). Fora toda a tensão política e a copa do mundo, me parece que a curva de acessibilidade internética pode começar a diminuir. Não no número de novas conexões, afinal, ainda existem milhões de pessoas que não possuem conexão estável diária, mas sim no tempo e na qualidade dos momentos gastos frente ao computador.

O Facebook pode ser destronado esse ano por alguma nova mídia? Ainda penso que não, mas assim como ele desbancou o Orkut, que desbancou o Myspace... Isso de certa forma é inevitável. O Twitter que já parecia dar o que tinha que dar, recupera um fôlego. Seu público parece querer fugir do besteirol que existe no Face (embora tenha gente que bate papo em público no Twitter).

Minha experiência por sinal com o Face me fez permanecer no começo de 2013 longe dela e percebi que perdi trabalho. Voltei a ele, mas espero que no final do ano que vem, veja que vários amigos conseguiram colocar seus projetos em prática. Eu tenho dois muito claros em mente que é publicar alguns escritos meu e uns sons de minha autoria e não só acompanhando outros artistas.

Façamos o ano de 2014 valer. Só depende de nós mesmo não é? É apenas o que eu acho...

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

DesConto de Natal

  • (imagem retirada da internet)

  • A minha lembrança mais remota? Um monte de crianças ao meu redor, assim como eu. Pessoas que hoje eu sequer saberia dizer onde estão, ou mesmo se estão vivas. A primeira pessoa que de fato me recordo é a Dona Ruth. A gente chamava de Dona Rude mesmo e me lembro dela escancarando aqueles dentes pra mim por alguma coisa que eu tivesse feito de errado. Confesso que não achava ruim. Talvez fosse o dito referencial. Eu só fui ficar realmente triste já na escola com a primeira reunião de pais e filhos. Nem a Dona Rude foi. Mandaram uma estagiária lá. Tentei fingir a mesma alegria dos meninos, mas não ensinaram o fingimento para a estagiária. Dali para frente, percebi a falta que o que eu não conhecia, me fazia.
    Entrar na adolescência com esse rombo espiritual foi difícil e notei que ele causava uma outra falta de suporte. O financeiro. Várias foram as ocasiões em que não pude participar de alguma coisa por que não tinha quem pagasse a minha cota. Eu meio que não ia percebendo o quanto isso era ruim, mas devia ser a minha defesa na época. Pelo menos, logo percebi que de dinheiro dava para correr atrás e depois de ser descartado por algumas mocinhas da época por algo que enxerguei como sendo a falta de dinheiro e então, corri ainda mais. Resultado? Trabalhei feito um alucinado, feito alguém que não tinha família (afinal, eu não tinha mesmo) e consegui fazer tanto dinheiro que não tenho nem como gastar.
    Como nunca tive família e por muito tempo, não tive dinheiro, eu era simplesmente descartado de qualquer convívio social e foi isso que as pessoas me ensinaram. De uma forma errada, que não me preenche, mas foi. Eu simplesmente não sei o que fazer com as pessoas. Eu só tratava bem os meus superiores por onde trabalhei e depois que eu cheguei no topo, me senti isolado. As pessoas também não esperam simpatia de minha pessoa. Que eu me desvie 2 minutos que seja para conversar sobre algo corriqueiro. Confesso que até tentei por algumas vezes, mas as pessoas pareciam estranhar demais. Uma vez no banheiro, escutei um funcionário falando para outro que eu só podia querer algo, ou estar tramando alguma coisa para ter sido tão simpático com ele. Fiquei alguns minutos a mais no banheiro, triste, escondido, até ter a certeza que eles já tivessem saído.
    É por isso que eu gosto do natal. Existe essa data socialmente aceita para que eu possa abraçar e sorrir todo mundo. O porteiro do prédio, os funcionários na festa que faço questão de pagar por tudo para que eles possam sentir o quanto gosto deles. Sei lá se gosto deles, ou busco a mim mesmo na aceitação deles. Eu sei que eles são amigos uns dos outros, saem juntos, vão aos botecos juntos. Eles passam o período longe daqui juntos. Essas redes sociais servem para que eu possa ver eles todos juntos em um carnaval sei lá onde. Eu tento me enganar mostrando fotos minha na Estátua da Liberdade, Torre Eiffel ou coisas do tipo. Fotos sempre só onde peço para um desconhecido tirar a foto, onde finjo o mais belo sorriso que a estagiária do orfanato deveria ter feito e volto para casa por vezes praticamente sem ter falado com ninguém. Não sei se bebo para esquecer ou para conversar com o garçom…
    Bom, deixa eu correr aqui por que o dia de natal são sempre dois não é? Vou abraçar mais pessoas e sorrir. Para finalizar a noite, eu vou doar mantimentos aos moradores de rua e nem fico alardeando por causa disso. Conheço pessoas que doam cem reais para uma instituição de caridade e sai no jornal do bairro, redes sociais, o carrinha do mercado comenta. Eu não ligo para isso. Eu só quero um abraço, ainda que ele seja só hoje. Amanhã, eu não tenho mais permissão para ser simpático...




domingo, 1 de dezembro de 2013

Clube da Luluzinha (ou do aplicativo)



Eu como músico, não dou voto absoluto para boas notas. Eu que sou professor, sei que não é pelas notas que se julga um aluno. Eu que sou homem, nunca julguei mulher alguma pelo aplicativo masculino mais antigo que conheço que são as mesas de bares...

Novos tempos? A mulher alcançou a almejada igualdade com os homens em suas mesquinhez? Hum... vamos continuar discorrendo sobre apenas o que eu acho. Eu que sou crítico de cinema não deixo de ver um filme por que li uma má crítica. Mais, eu já gostei de discos (como o ironicamente falando) Lulu do Metallica com Lou Reed.

Deixa eu pensar invertida (e por que não divertidamente) sobre o caso. Eu gostaria de uma garota nota 10? Na boa, o que na vida é realmente nota 10? 9? O que torna um 9? Ela tem que ser linda, cozinhar, passar para mim, entender que eu quero ver futebol, entender que eu quero sair com amigos, entender que eu quero beber, entender que eu estou bêbado, entender um monte de outras coisas, ser boa de cama pra caramba e não ter do que reclamar? 8? Com 8 eu reclamaria de que?

As coisas que eu acho... quem manda bem em tudo o tempo inteiro? Eu mando longe do 10 em muitos aspectos. Sendo assim, com a máxima de que o importante é ser feliz, ter uma companheira passando do 7 já não é bom demais? Pensando em 7 como uma média, eu vou te dizer que 7,5 é bom demais...
Mas a tal Lulu vai derrubar sua moral com um 7 não? E nossas indefectíveis mocinhas parecem que estão querendo investimento sem riscos. Mas esse investimento me parece como uma poupança. Investimento sem muito risco tem um retorno muito baixo. Eu quero logo investir na bolsa de ações e correr riscos. Quebrar a cara aqui e ali de novo, afinal, já quebrei algumas, mas em compensação quando se acerta, os ganhos são fantásticos. 

Lulu me parece fofoca de banheiro, ampliado infinitamente pela internet e pelo anonimato de quem da nota e dicas. O seu anonimato por si só, pode fazer com que alguém ressentida possa entrar e detonar alguém? Bom a jamaicana Alexandra Chong: "Criamos Lulu para encorajar garotas a falar e tomar decisões inteligentes em tópicos que abordam relacionamentos, beleza e saúde." 

Bom, um aplicativo para escolherem por você?

Cuidado little girl. Criadoras e usuárias do Lulu podem responder na Justiça por injúria (pena de um a seis meses de detenção) e difamação (três meses a um ano de detenção, além de pena pecuniária). Luis Felipe Freire é presidente da Comissão de Direito Eletrônico e Crimes Eletrônicos da OAB, que diz que crime cometido na internet é passível de localização, apesar das participações serem anônimas, e quem está avaliando pode ser responsabilizada, se os comentários forem injuriosos.

Pode ser que eu seja old school demais... mas eu prefiro encontrar uma nota 7 e pintar...



P.S.: Todo mundo já errou na vida em algum aspecto? Erremos, melhoremos como ser humano e vivamos...

sábado, 23 de novembro de 2013

Eu to voltando para casa!

Ando afastado daqui por que as pessoas mudam, as cabeças mudam e o transbordamento da vida on line tem me sufocado um pouco. Vou voltar a escrever mais. Talvez de uma forma diferente, mas sempre achando que o que eu acho é apenas o que eu acho...

Por hoje, não tenho muitas palavras, apenas um vídeo que expressa bem o sentimento do qual tem me mantido um pouco afastado...

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Preciso escrever




Preciso escrever.

Preciso nada. Precisa-se respirar, comer e dormir apenas. O resto é complemento. Entrei na internet e comprei uma passagem rumo aquela garota desconhecida. Precisava conhecer a desconhecida, mas explicar que estava indo conhecer uma amiga era modernidade demais para a cabeça da dona Laura.
– E vai fazer o que no Espírito Santo meu filho?
– Ah mãe, é uma palestra aí do Vladimir Safatle falando dessas manifestações que estão ocorrendo no Brasil e no mundo.
O jeito agora era torcer para minha mãe não procurar informações sobre o evento que inventei. Devia ter inventado um nome também de um possível filósofo. E se ela me perguntar de fotos? Se eu filmei algo? Ah não…o livro… se ela me pede para ele autografar o livro? É, a mentira tem pernas curtas…
– Quando viaja meu filho?
– Hoje à noite.
– Mas já?
– Sim, a palestra é amanhã de manhã. Daí passo o final de semana para pegar uma praia, mas domingo no final do dia já estou aqui. Segunda trabalho né?

Fez questão de se esvair o mais rápido que pudesse do local para não ter que se enrolar com mais perguntas. Na verdade tentou começar a fazer a mala, mas a presença de sua mãe rondando o quarto me fez ir ao cinema rapidamente. Isso tirava as perguntas da mãe de minha órbita, mas me esmagava contra o relógio. Ia chegar em casa com o tempo suficiente para aprontar as coisas e partir. O filme era um francês fora do esquema Hollywood bem legal do qual não vou me recordar o nome daqui alguns meses. Vou lembrar que tinha músicas do Gainsbourg e do Jacques Dutronc.
Chegou em casa e a primeira coisa que encontrou em cima da cama foi o livro. – Me ferrei – pensei.
Meu pai aparece perguntando da viagem. – Vou ver o Alfredo – não querendo me enroscar mais ainda com a palestra inventada.
– Sua mãe disse que ia ver uma palestra do Safatle.
– Vou, mas é por que como ele está morando em Vitória, eu o verei também – Realmente eu sou burro. Fujo de uma mentira com outra é aumentar a mentira…

Fingi esquecer o livro, mas a mãe fez questão de me entregar ele na saída de casa, enquanto o pai me pede para perguntar para o pai do Alfredo quando ele viria por São Paulo… era bom não inventar mais nada…
Algumas horas de viagem. Precisava escrever e estava ali. A cabeça pensando. Uma leve expectativa sobre se valeria a pena. Um pequeno desconforto ao primeiro contato visual, mas o abraço foi tão caloroso que senti que não me arrependeria. Fiz questão de não ter pressa e por isso talvez tudo tenha sido tão veloz, mas havia momentos infinitos dentro dessa vertiginosidade e pensava por que ela e não tantas outras em minha cidade. Ela era de cara um problema geográfico. Muitos outros problemas haveriam de aparecer, mas a conclusão que chegou foi bem clichê, era ela por que era ela, por que pareciam dispostos a sermo-nos. Respostas fracas demais para quem saiu de casa dizendo que ia para um encontro filosófico. Químico no máximo. Físico, ou uma nova educação física durante as horas que passaram juntos? História de uma geografia que minaria minha matemática, mas enfim, voltava para casa naquele ônibus ouvindo Gainsbourg e Dutronc. Acho que por causa do filme. O livro, diria que tinha esquecido com o pai do Alfredo que estaria em São Paulo daqui 45 dias. Missão agora era encontrar Safatle em 45 dias para que ele autografasse o livro. Sobre o pai do Alfredo, foi via internet a observação. A questão que se passava em minha cabeça era como imaginar, tendo um dia de trabalho pela frente, um roteiro de um clipe que descrevesse as novas formas de relacionamento vindo da internet?

Quando enfim chego em casa, explico tudo aos meus pais e finalmente me deito, a insônia me perturba. Não tinha de onde e como tirar o roteiro.  O desespero começou a bater por volta da meia-noite. Se levantou, fez café, deitou novamente tentando imaginar algo e 5:07h dei-me por vencido. Teria que reconhecer na reunião que não fui capaz de pensar em algo. Tudo por que fui conhecer uma garota… fui conhecer uma garota? – Meu Deus, eu fui viver o roteiro – por algum motivo, desses que só quem se arrisca na vida, dei uma pausa quando precisava escrever justamente por que não tinha o caminho, mas agora? Levantei quase de um pulo.

Preciso escrever…

terça-feira, 23 de julho de 2013

Arnaldo falou...


O momento de uma crise política profunda que já supera o Diretas Já ou o Fora Collor, é um momento que precisamos estar atentos a tudo o que lemos. Mesmo nas matérias mais inocentes ou deslocadas dos atuais temas relacionados as manifestações. 

Sem muito blá blá blá, vai o link abaixo de uma matéria feita com o baterista Marian Sarine e na sequência um print postado em rede social sobre a sua impressão do que foi publicado: http://www1.folha.uol.com.br/saopaulo/2013/07/1313273-da-para-viver-com-r-500-por-mes-em-sp-diz-baterista-vendedor-de-alfajor-vegano.shtml




    • Demétrius Carvalho

      Você se sentiu usado ou enganado com a matéria?
    • Marian Sarine

      Na verdade, o tom geral das minhas respostas não foi alterado. O que me incomodou foram os trechos selecionados, além da tentativa de enbranquificação que rolou
    • Demétrius Carvalho

      Entendi. Posso usar isso para ilustrar o seu sentimento?
    • Marian Sarine

      Ah, creio que sim. Eu acho que rolou uma elitização do meu discurso. Não quero fazer apologia ao capital e dizer que dá pra viver de boa com 500 conto, ainda mais em São Paulo

Abrir o olho nesse momento é vital. Informação é poder. Manipular informação é manipular... chegue as suas próprias conclusões...


quinta-feira, 11 de julho de 2013

Me responda você!


Todo mundo no  Brasil é metido a entender tudo. Todo mundo sabe o que fazer quando seu time não está bem. A sua religião sempre é a melhor. Na política então, só a Dilma não sabe o que fazer não é mesmo? Só que não, como diria a geração Hashtag. A presidenta (ou mesmo presidente) Dilma acaba de se pronunciar para um "seleto" público de 3000 prefeitos. O que aconteceu? Ela foi vaiada. 

Quando ela foi vaiada em estádio de futebol, grande parcela da população achou um absurdo (uma coisa bem vândala), mas o que dizer de prefeitos? Peças do mesmo esquema dela? Aí está para quem ainda não viu.


Algumas questões me chamaram a atenção. Em primeiro lugar, o rosto de uma presidente cansada e alguns segundos onde ela visivelmente não sabe mais o que falar. Teoricamente ali, ela deveria ter apoio, mas não, pularam do barco e a deixaram navegando sozinha. Existe sim uma parcela que ao fim tenta aplaudir, mas elas fazem parte de outra constatação. Escolheu-se um lado e torce-se para ganhar ou perder como se fosse um jogo de futebol.

Eu prefiro mil vezes estar errado e as coisas correrem bem do que o contrário. Não quero ver o circo pegar fogo e bater no peito para dizer que eu estava errado. Eu não consigo (ou acho mesquinho demais entender isso). Me responda você qual a vantagem em tudo dar errado no Brasil para você ter a opinião acertada?

Sou da corrente que acredita no que o filósofo polonês Zigmund Bauman prega: Estamos em um período de colapso do sistema. Ele já ruiu, a questão é que ninguém sabe ainda qual o caminho.

Não seria a hora das pessoas pararem de agir como estivessem torcendo por um time e tentassem fazer algo em prol do todo? Viagem? Utopia? Me responda você!

segunda-feira, 1 de julho de 2013

Du Carvalho







Idéia original: Demétrius Carvalho
Arte: Juliane Barone - ilustradora que gosta de jogar, música, escrever e dormir (se der tempo) nas horas vagas. Seus desenhos possuem página no Facebook: www.facebook.com/AneDoesArt