sexta-feira, 21 de junho de 2013

Ciclo vicioso



A direita colocando a culpa na esquerda colocando a culpa na direita colocando a culpa na esquerda colocando.... entendeu né? Ciclo vicioso.

Infelizmente tenho visto um fundamentalismo tanto da direita quanto da esquerda, mas em pleno século XXI, vamos esperar mesmo um Sassá Mutema?

E o monte de termos que tenho ouvido falar sem ter a certeza de que se sabe do que estão falando? PEC's 33 e 37, fascista, reacionário e outros tantos. Não que eu saiba tudo, muito pelo contrário. Estou levando uma surra para entender e tem coisas que eu ainda não me defini sobre o que seria melhor, mas de uma coisa eu tenho certeza. Nossa sociedade é extremamente mais xenófoba do que 20 anos atrás. Nosso tempo politicamente correto já não nos permite fazer piada contra qualquer facção humanitária, mas de ideologias que acreditamos, daí podemos simplesmente ter a certeza de que o outro está errado?

Vamos lá, da tempo de você sair dessa página, afinal se você quer certezas, eu não as tenho. O nome do blog já diz isso. Eu parto do pressuposto que eu não sei de tudo, mas me incomoda como todo mundo sabe de tudo e então vamos lá.

Direitistas colocam culpa em Dilma e Lula por tudo. Os esquerdistas juram de pé juntos que alguns petistas do mensalão foram bodes expiatórios e o time de FHC, Alckmin, Serra e etc.

NA BOA? A população na rua não está na rua pela direita ou pela esquerda e sim por mera insatisfação partidária. Não política. PARTIDÁRIA. O jogo já virou de lá pra cá e nada. O esquema é viciado e se arrasta por décadas sem uma solução.

Então começa um outro pensamento xenófobo. Se você não tem partido, está servindo de massa de manobra para um golpe. Sério mesmo? Que tal estudar o caso da Islândia por exemplo? Ótimo link aqui: http://brasiledesenvolvimento.wordpress.com/2012/01/18/a-resposta-da-islandia-a-crise-a-invencao-democratica/

Que tal a opinião do filósofo Vladimir Safatle falando dessas certezas todas e do quanto se erra, da insatisfação sobre o sistema político e a busca de novas alternativas? http://www.cpflcultura.com.br/2012/10/26/vladimir-safatle-quando-novos-sujeitos-politicos-sobem-a-cena/

Seriam tantos, mas tantos vídeos e links que eu poderia colocar aqui que não sei se seria efetivo. Não nos basta ler. Temos que agir. Uma coisa aconteceu ao menos com tudo isso. Fala-se em política como nunca se falou nesse país, mas é necessário sair da superficialidade e se aprofundar para entender o que se pode fazer. Ainda mais, saltar desse ciclo e tentar encontrar outra saída do que apenas ficar repetindo a história...

O que eu acho, é apenas o que eu acho, mas ao menos tento entender para achar por mim. Acho que parar de repostar coisas sem saber o que se fala e a fonte, seria um bom começo.

Para finalizar, um link de Ricardo Boechat sobre a população na rua e o lembrete que sempre foi assim. A população massacrada de qualquer lugar do mundo vai derrubar os que o oprimem quando assim puder: http://bandnewsfm.band.uol.com.br/Noticia.aspx?COD=669727&Tipo=227

Retratando a imagem inicial, direita e esquerda não depende de alguns referencias e um pode ser outro em dada circunstância?

domingo, 26 de maio de 2013

É preciso ser belo?

Vez por outra aparece um músico, banda que com uma música só, desponta do anonimato, mas bem de vez em quando, a música é ainda maior que o compositor ou intérprete. É o caso de "Wicked Game" em sua versão definitiva, mas eis que surge Pipilotti Rist com uma versão completamente descomprometida com a pretensão de ser uma versão superior. Muito pelo contrário. Minha mãe odiaria essa versão que parece apenas querer desconsertar o ouvinte. Sim, afinal de contas, arte também serve para questionar o belo. 

Pipilotti Rist nasceu na Suiça em 62 e então não podemos falar que temos uma aventureira se jogando em um terreno de forma impensada. Ela provavelmente sabe que sua versão pode ser mais odiada do que admirada, mas vai saber se ela também não sabe que pode despertar a curiosidade sobre o resto de seu trabalho  que vem originalmente das artes visuais...



quinta-feira, 25 de abril de 2013

Da alma...

Pare para pensar nos discos mais conhecidos do Reh Hot Chili Peppers. Não interessa que no meio de tais discos existam discos como "One hot minute". A questão é, sem John Frusciante ferindo as 6 cordas, O Red Hot nunca decolou. Dave Navarro é sem sombra de dúvida, do ponto de vista técnico, superior à John, mas a história está aí para provar que se Kids é a voz, Flea e Chad são o coração e o vigor da alma, Frusciante é a alma...



Partindo para carreira solo (e não a primeira vez), as músicas soam menos vigorosas, mas não menos inquietante. A música em questão por exemplo tem mais de dez anos e de um ponto de vista é até tosca. Simples imagens em loop à exaustão. Imagens que nos causam um desconforto inicial, mas que retratam bem o que esse guitarrista sabe fazer, chacoalhar a alma de quem o ouve. o clipe abaixo foi assistida tantas vezes por mim que sabia anos atrás quantas vezes uma determinada cena era repetida. A questão é que esses detalhes técnicos , quanto a sua própria execução ficam em segundo plano quando escuto-o tocar. Sua alma é escancarada ainda mais em seu trabalho, afinal, a cara e a voz imprimida também é a dele. O corpo e o coração parece titubear sobre que caminho tomar, mas se pudéssemos medir o tamanho dessa alma, eu teria que escrever ainda mais por muito e muito tempo...


segunda-feira, 22 de abril de 2013

Richie Havens

Nos deixa...72 anos e seu violão e voz se calam. Ficou conhecido por uma emblemática apresentação no festival Woodstock em 1969. Cantava uma vigorosa versão de Freedom. Um jeito absurdamente peculiar de tocar o seu violão. E sua voz? Seu timbre? Também único e peculiar.

Ele era a simplicidade e a densidade ao mesmo tempo. Bastava ele, sua voz e seu violão para nos arrebatar. Nunca chegou perto do reconhecimento de mega bandas, não enchia estádios, não arrastava multidões, mas quando tocava uma alma, ela era realmente sacudida em seu âmago.

Confesso que quis pegar a versão de Freedom no Woodstock, mas ele ainda precisa ser reconhecido. Aqui vai uma versão de muita beleza musical. Uma interpretação cheia de nuances de dinâmica. Que aula...e o polegar por cima do violão? Como explicar para os meus alunos que ele podia?


sexta-feira, 19 de abril de 2013

God Is Dead?


Vale a ressalva que não sou jornalista e o que escrevo "é apenas o que eu acho", mas vamos lá: Não se trata como escutei por aí que é o primeiro disco com a formação original desde 1978. Bill Ward disse que não foi capaz de chegar a um acordo e as baquetas ficaram por conta de Brad Wilk (Rage Against the Machine).

O baterista, mais o simpático trio de sessentões do metal (sim, eles eram a banda mais pesada da terra quando surgiram) com Ozzy, Iommi e Butler.


Como sempre, as opiniões das pessoas tendem a ser totalmente a favor, ou totalmente contra. Já ouvi gente dizendo que é sensacional e gente dizendo que o batera é completamente sem pegada (o mesmo que espanca a bateria ao vivo com o RATM).

Minha impressão? Vamos lá, a canção tem 9 minutos e não socaram o formato de 3 minutos para a rádio goela a baixo nos ouvintes. A timbragem me soa um pouco diferente, mas, natural, enfim, são 35 anos desde a última aparição do trio de ferro. A introdução me deixou suspenso no ar esperando o Mister Madman ecoar sua voz. São exatos 1'15 para que ela apareça e que alegria ao ouvir aquele inconfundível timbre. Me senti um garoto de 17 anos novamente ouvindo Iron Man. Mas confesso que esperava mais pressão, mais voz, mais potência, mais berro do sr. Osbourne. Pode ser apenas por que era o que queriam dessa música. Esperemos o restante do disco...

No final das contas, tem-se uma boa música, mas a expectativa gerada pode destruir tudo. Tem uma horinha que parece mais com a carreira solo de Ozzy...Pensei, pensei e repensei. Mesmo que não seja uma música que entre no top 10 da própria banda, é muito melhor do que toda a média do que se faz hoje em dia e pelo menos estamos falando com os deuses do heavy metal.

Escute God is Dead? e peça a benção ao papado...

Ah... em outubro tem culto no Brasil pela primeira vez e eu não vou perder a chance...

Amém


domingo, 17 de fevereiro de 2013




 "É muito melhor um homem ir erradamente para a liberdade do que ir acertadamente para os grilhões"



Thomas H. Huxley 

terça-feira, 15 de janeiro de 2013

Horizonte


Já não sei mais o que é mar ou o que é céu
Já não sei o que é meu ou o que é seu
Já não sei o que é você ou o que sou eu

Eu só sei onde me doeu
E o Horizonte é apenas um capricho
Meu e teu...

sábado, 24 de novembro de 2012

Transtorno




E em nossa relação, eles não vem de dentro, mas de fora. Eu poderia dramatizar dizendo que não vou mais aguentar viver sem você. Puro drama...aguenta-se. De um jeito ou de outro, aguenta-se e você está completamente certa em dizer que daqui a dois ou três anos, tudo isso possa ser apenas uma lembrança boa. A questão é que agora, nesse momento, não te ter aqui em casa é uma perda irreparável. Meus sonhos simplesmente desmoronam...

Amores, medos, amores passionais, mais medo ainda...o medo que não consigas vir. passionalidade. Muito medo. Problemas lá e cá, Lá não pode ir para cá. Em casa, mais problemas, mais medo. Cá não pode ir para lá...medo. Muito medo. Uma mistura de medos. Uma sobreposição de medos. Falta de coragem? Medo? É torcer sofregamente para que possa arrancar forças das próprias vísceras em busca...

É um gol tomado aos 43º do segundo tempo. Não existe muito mais tempo para reagir....tempo... o relógio a nos esmagar novamente, o medo novamente...

quarta-feira, 14 de novembro de 2012

Distância




A distância é uma dor...
Não daquelas que doem, mas das que dilaceram...
É olhar para o lado esquerdo da cama e não te ter. É não estar encostado ainda de olhos fechados no primeiro pensamento do dia.
É claustrofóbica. É sufocante...
A distância é ter mil formas de carinho em mente e a impossibilidade de os por em prática. 
É, é isso...
A distância é um amontoado de palavras que vão se formando para tentar justificar a desnecessariedade de seu uso se aqui estivesse...



P.S.: Isso aqui deveria estar lá, mas está aqui...

sábado, 20 de outubro de 2012

Trent Reznor solo

Trent Reznor no piano e Jerome Dillon no violão. Uma canção simples sem maiores virtuosismo nos instrumentos, mas o vocalista do Nine inch Nails despeja sentimento em sua interpretação

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Purgatório


13 dias se passaram. Simplesmente nasci, mas depois de uma década, teve apenas uma parcela do que pudesse ser, apenas para que tivesse forças suficiente em esperar por mais uma década que fosse...

Por certo que muitas coisas desconhece. A sapiência é algo a se interpretar. Não existe uma única solução, mas conceitos foram quebrados em sua mente. Coincidências tornaram-se padrões. As respostas vindas do outro lado eram espantosas. Simplesmente sabia-se as respostas, mas as vezes, sabia-se mesmo as perguntas.

Assim era o jogo a ser jogado. Não havia outra alternativa (embora houvesse sempre outras, entendia como quem olha a si mesmo). Pegou sua mochila, surrada, velha, gasta, mas cheia de vida e de história e juntou os cacos. Havia também um livro no qual sabia que tratava-se de si. Existia ali também lágrimas, angústia e esperança. Uma chave lhe foi dada. Uma chave especial que seria capaz de abrir tudo quando se empontassem novamente. Sabia que em outra mochila havia exatamente os mesmos elementos, apenas a chave foi trocada por um par de meias enfeitiçado por cacos dos dois. Essa meia só precisava ser usada com certa frequência. Ela tem o poder de fazer com que os passos dados os aproximem.

Agora é voltar para o purgatório e manter-me sobrevoando, esperando o sinal, mas está realmente difícil...



sábado, 13 de outubro de 2012

216

Estava acostumado a olhar o lado bom das coisas. Ruim como fosse uma situação, tinha como ter um olhar positivo sobre o ocorrido. Era simplesmente uma forma de enxergar o mundo e não reclamar das coisas, mas depois daquela tarde, ele simplesmente soube que dava para olhar o lado ruim de uma coisa boa.  

Sim... o cheiro dela se foi com o banho...

Estava quente. bem quente. Mais do que ele era capaz de suportar e um banho em uma situação dessa era mais do que bem vindo, mas querendo ou não, já havia sentido essa sensação inúmeras vezes, já aquela textura impregnada em sua pele com aroma de desejo era novo. Era a sapiência que havia um patamar acima de sua vida que ele nunca havia experimentado.


Sua vida parecia resolvida, o trabalho ia bem. O casamento ia bem, afinal depois de uns anos parecia normal apenas achar que está tudo bem. Não havia problemas ou brigas. Só era morno e não ser ruim era bom. Era...

O dilema agora era: fingir que nada aconteceu e seguir? E se simplesmente ele não coubesse mais dentro de si? 

Ele que tinha trinta e... quer dizer... 216 horas de vida. Acabara de concluir que nascera a 216 horas. Sua filha de oito anos era simplesmente mais velha do que ele. O de cinco também. Mesmo aquele pequeno filhote de 4 patas que ele afagou ao entrar no banho era mais velho do que ele. Todos mais velhos e experientes...

Isso tudo por que 9 dias atrás o seu carro foi para a oficina e ele teve que ir trabalhar de metrô. Ele realmente tentou desviar o olhar da garota que sentava-se a sua frente. Ana Helena apareceu com apenas uma função em sua vida: calar a boca dele que dizia que nunca ia sair de sua zona de conforto.

216 horas atrás, ele tinha certeza disso, mas 216 minutos atrás, ele soube que o seu corpo sabia todos os caminhos do corpo dela (ou seria o dela que sabia o dele?) Era como se sempre estivessem juntos. Era uma sincronicidade que o deixava perplexo e ele percebesse que o antes não tinha importância. Apenas as 216 horas...

O banho?
Sim... o cheiro dela se foi com o banho...


sábado, 6 de outubro de 2012

Torpor

Se por doença ou induzido, eu não sei
Só sei que uma hora desperta-se deles
Saber se era torpor ou torpores...

No despertar do torpor, fervor
Vai-se o langor, chega o tremor
Antes um gestor para te propor

Sou apenas um cantor para compor
Um rufar de tambor ao seu dispor
Antes um clamor sem rancor

Antes o amor a essa dor




sábado, 30 de junho de 2012

Luis Inácio Falou

Meados da década de 90. Lula, então líder do PT vociferava contra os políticos brasileiros e a sua máquina. Para quem tem mais de 30, vai entender minha analogia: Ele era o nosso Salvador da Pátria. Nosso Sassá Mutema. Éramos um país arrasado por Collor's, Sarney's, A.C.M's e Maluf's da vida.

Esse mesmo Maluf já atacado por Lula em diversas ocasiões, esse mesmo Maluf procurado pela Interpol, esse mesmo Maluf que rouba mas faz, esse mesmo Maluf que diz: "Estupra, mas não mata". Esse mesmo Maluf que ajudou intelectuais e cientistas políticos a medirem a incapacidade do eleitor brasileiro.

O abraço entre esse mesmo Maluf e Lula me fez apenas descrer de vez em nosso atual ex-presidente que tinha tanto força e prestígio político que alavancou Dilma ao seu lugar.
Petistas como Zé Dirceu, Palocci, Genuíno, Delúbio, envolvidos em imbróglios tão ferrenhamente atacado por Lula pareciam não ferir o caráter de Luis Inácio. Foi necessário que ele mesmo abraçasse o pai da corrupção para causar uma apatia entre os ainda defensores do PT. Todos pareceram se calar diante da imagem que maculará a trajetória desse líder sindical de origem tão humilde.

Bom, naqueles meados da década de 90, Os Paralamas do Sucesso falaram o que Luis Inácio falou. Apenas nem a banda, eu, ou qualquer um de nós não acreditávamos que ele mesmo fosse capaz de qualquer aliança por manobras políticas.




domingo, 24 de junho de 2012

Quererências



Queria não querer
Ou queria querer
Muito
Intensamente
Só não queria não saber se queria
Ou se deveria querer

domingo, 17 de junho de 2012

Coletivo Urbano

Sabe quando você encontra um projeto nascido já vencedor? Pois é exatamente esse o caso do Coletivo Urbano. Sua primeira impressão é um cd do qual se tem vontade de ter em mãos nos atuais dias de mp3. Arte impecável. Aliás, arte é resumir a capa do trabalho que é uma verdadeira obra de arte.


Mas se o projeto é de música, desde ontem o Sesc Pompéia apresenta a trupe sonora ao paulistano em um show com as 9 apresentações envolvidas em um show com duas músicas de cada grupo. O resultado é um show dinâmico e bem variado, O único talvez é uma já saudade no meio da segunda música quando você sabe que a banda vigente já vai deixar o palco, mas se o objetivo do coletivo urbano era apenas abrir o leque de novos artistas, conseguiu com cem por cento do resultado esperado.


E como nasceu o projeto? Os músicos Thiago Rabello e Rafa Barreto tiveram uma ideia simples. Escolheram uma série de músicos que, em comum, buscaram a cidade de São Paulo como morada onde falam sobre o cotidiano deles na metrópole e suas dificuldades de adaptação, a saudade, os novos amores, amizades, a favela, tudo em diferentes perspectivas.

"O que todos têm em comum é a necessidade de se expressar", explica Rabello. "A ideia de falar sobre São Paulo surgiu naturalmente. Não foi nada previsto".


O próprio Coletivo Urbano disponibilizou o download do resultado, mas se você correr, pode acompanhar ainda hoje o resultado no Sesc Pompéia 19 horas. Ótima pedida para se ter uma amostra do novo em São Paulo.


sábado, 16 de junho de 2012

Entre eu e você...

- É o fim não é?
- É?
- Não é?
- Mas depois do fim não vem o nada?
- Talvez... mas eu não sei dizer o que há entre nós...
- É...outra coisa...não o fim...
- Que outra coisa?
- Algo apenas entre eu e você...

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Poesia fluída e viscosa


  • insira-me 
  • inspire
  • Transpire
  • Transe e pire 
    Retira-me o ar e a razão
    Apenas aconteça-me
    Estremeça-me
    Abasteça-me
    (se?)

quarta-feira, 30 de maio de 2012

terça-feira, 8 de maio de 2012

Olhos cor de vida

Delegacia da Receita Federal. No meio de várias cadeiras típicas de repartições públicas brasileiras, aguardava a minha senha ser chamada no painel eletrônico. OPF 23. Procurava significado para a senha: "Operação Prato Feito 23"? "Óculos Para Festa 23"? Ouça Para Falar 23".

Um semblante jovial do outro lado da sala saltava daquela cena com tantas carrancas impacientes. O seu sorriso era tão leve que não tinha certeza se sorria, assim como Monalisa, mas os olhos, possuíam cor de vida e contrastavam com a de sua mãe sentada ao seu lado esquerdo. Se vislumbrar aqueles olhos já era um bálsamo, o que poderia usar para descrever a sensação de ser vislumbrado pelos olhos cor de vida? Olhos para felicitar-me. OPF 23.


A senha de sua mãe é chamada: APP 19 (Agora Posso Pensar 19) e tive centésimos de segundo de tristeza ao pressentir sua ausência, mas ela simplesmente não se levantou. Daí em diante, só pude suplicar aos deuses que minha senha fosse chamada somente após aqueles olhos saírem da vista dos meus. Como não ando em dia com os deuses, minha senha foi chamada, mas graças a burocracia, fui encaminhado para outro setor, outra senha: NRC 30 (Não Reclamo Contigo). Sim, contigo olhos cor de vida. Descobri que ela era capaz de alterar minha percepção temporal, Os próximos 12 minutos foram com ponteiros de minuto na velocidade da de segundos. Uma verdadeira injustiça.


Minha senha é novamente chamada. Aquele atendimento de quem parece estar aborrecido por te atender e os próximos 18 minutos reajustaram o relógio natural das coisas. Deve ter levado uns 45 minutos em minha percepção. Vejo a mãe daqueles olhos se levantar e toda a esperança que eu tinha de cruzar com aquele olhar escorria pelo ralo. Quando finalmente saio de lá com o DARF para pagar (Dinheiro Agora em Rota de Fuga). O serviço de "dog walker" que eu pensava em contratar ainda aquela tarde era excluído de meus planos.


Entro na banca de jornal e seu Jorge me avisa: essa é a "dog walker" que eu havia falado. Os mesmos olhos perfeitos que haviam me arrebatado, escancaravam o sorriso mais aconchegante que eu já vi na vida. Toda a resolução financeira que havia acabo de fazer, esvai-se. Olhos perfeitamente fantásticos... OPF 23...