sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O lado que ninguém conta de se chegar em uma maratona.

Vejo as pessoas escrevendo sob seus feitos e superações de dor inclusive para se vencer determinadas distâncias e isso as vezes me incomoda. Acho que isso é um pouco em função do nossas vidas editadas nas redes sociais, afinal de contas, mostramos apenas o quanto estamos ultra bem e felizes, afinal, é só isso que vemos de nossos amigos que podem estar na pior, mas que em suas edições, souberam se vender bem, mas voltemos então quando eu ainda era criança e essa possibilidade não existia.

Final de ano na casa dos avós e para quem é mais velho, lembra que a São Silvestre passava meia-noite com os corredores literalmente correndo para a ano novo. Dessa época, me lembro claramente do equatoriano Rolando Vera e da portuguesa Rosa Mota que ganharam inúmeras vezes a prova. Ali foi-me instigada a vontade de correr, mas embora tenha praticado esporte por toda a vida (inclusive umas corridas esporádicas), foi preciso uma partida de futebol entre alunos e professores onde eu com uns 2 minutos e uns 3 piques já estava completamente morto. Isso ali pelos idos de 2006. Finda a partida e resolvi que eu precisava alterar esse quadro e algum tempo depois comecei a dar umas corridas de uma forma completamente diferente das de hoje. Sem relógio e eu sequer sabia o quanto corria dando algumas voltas no entorno de casa.

Uma frequência consistente de corrida demorou um pouco para acontecer e eu chegava a passar alguns meses sem correr para recomeçar praticamente do zero, mas aos poucos comecei a correr com mais compromisso para comigo mesmo e a São Silvestre começou a rondar meus pensamentos de novo. Era por causa dela que eu queria correr e fui então ver as reais possibilidades. 2012 eu já estava determinado a correr a São Silvestre, mas tanto nesse ano quanto no posterior por acidentes caseiros em nada relacionado com corrida, abortei a missão. Parava mais um tempo e voltava praticamente do zero de novo.

Em 2014 eu já procurava ler coisas sobre corrida na rua e enfim me inscrevi para uma corrida de 5k. Aquilo me gerou a famosa expectativa sobre a primeira prova e acordar ainda com o dia escuro. Não me esquecerei do dia e da prova e todo aquele clima no ar. A questão é que como eu havia lido, comecei com uma prova de 5k quando já corria pouco mais de 10k, mas o que pensam que aconteceu?

Eu simplesmente "quebrei". E quebrei por falta de experiência mesmo. Uma coisa era correr só e no meu tempo, outra foi largar com as pessoas que acabaram por minha inexperiência puxando o meu ritmo muito para cima. Uma decepção comigo mesmo e a alegria pela primeira medalha.

Registro de minha primeira corrida oficial

Dessa prova e do ambiente, fiquei sabendo de uma assessoria de imprensa que sortearia acompanhamento por cerca de 3 meses visando a São Silvestre. Bastava eu terminar 10k dentro de uma hora. Quem assim o fizesse estaria apto ao sorteio e treinei para tal dia. O problema para mim, foi o calor que fazia visto que era a primeira vez que eu corria aquele horário. 9h da manhã visando exatamente a São Silvestre. Com 6k me deu uma dor de cabeça proveniente disso, mas não só terminei dentro do limite estipulado quanto fui sorteado e isso me deu uma boa rotina de treino, mais acompanhamento. Nesse intervalo, corri oficialmente meus primeiros 10k e finalmente cheguei em minha São Silvestre. Ao término dela, fiquei aguardando alguns amigos que corriam pela primeira vez também chegarem e só fui embora quando tive certeza de ver todos.

Caminhando, cheguei no carro, entrei e extremamente cansado sentei e chorei. Era um choro na verdade de alívio e alegria por ter alcançado minha meta de quem começou a correr. Mal sabia eu naquele momento que algum tempo depois eu ia querer mais.

Se quiser saber como foi minha primeira São Silvestre, clique aqui, mas algum tempo depois eu descobriria que novos desafios fariam parte de minha vida e em breve eu continuo essa história.



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Tchau querido



É nesse nível que nossa política tem andado. Dê revanchismo. De todas as formas possíveis e infelizmente bem rala.

O processo de cassação de Cunha acabou tem poucos minutos e cá estou eu escrevendo impressões sobre, não tendo dúvida que o lado que reclamou do "tchau querida" deve estar "descontando" com um "tchau querido".

Também não me venham dizer que isso é uma prova que o processo contra Dilma não foi a da mais pura politicagem. Foi apenas conveniente. Eleitoralmente conveniente, afinal, 450 x 10 (e 9 que se omitiram). Ninguém esperava um placar desse e se assim o fizeram, foi por medo das eleições que estão chegando. Tentaram apenas garantir a manutenção de seus cargos...

Pode ser o começo de uma mudança? Não creio que, mas gostaria que fosse. Eu na verdade espero a delação premiada de Cunha e que caiam os 150 que ele disse que levaria junto. Cunha aliás já disse que vai escrever um livro. Escreva. Não tenho dúvidas de que será um sucesso de vendas (embora não tenha certeza que será totalmente verdadeiro o que por lá estiver escrito).

A questão é:

Já deu a hora de ficarmos apenas no "Tchau querido". O Brasil precisa de mais e talvez seja a hora da população começar a olhar por reais interesses do que apenas o lado da moeda que lhe convém...

Não tenho a menor dúvida de que temos tempos sombrios pela frente. O processo desencadeado pelo impeachment de Dilma trouxe uma instabilidade política que deve durar alguns anos para se reestabelecer e a essa altura do campeonato, talvez seja realmente necessário abalar de vez as estruturas para que se possa tentar reconstruir algo e de preferência, dentro de um outro formato. A tal da reforma política já está mais do que na hora de submergir desse lodo.

Por hora, o caminho talvez que nos reste seja um Fora Temer e Fora Renan...

domingo, 11 de setembro de 2016

Arte da mentira

Ontem mesmo havia escrito sobre a percepção das manifestações estarem se alterando de alguma forma de quem vê apenas do lado de fora. Aliás, o próprio Michel Temer parece ter modificado seu discurso sobre as atuais manifestações.

 Como ontem, também haveria uma manifestação da qual eu não tinha ideia e dessa vez, houve muitas mães com crianças de colo e o que me cansa as vezes, são argumentos que parecem ser vociferados sem o menor questionamento sobre o que se fala. Eu já mudei opiniões sobre coisas pensadas com tempo. Fico imaginando desse internauta que fala alguma coisa impensadamente após se deparar com algum novo fato.

Uma grande birra que lia nos comentários ontem é que as mães levarem as crianças era um "tática comunista de escudo humano".

Embora eu não tenha coragem de fazer algo do tipo (afinal de contas, não levaria nem para um estádio de futebol, que dirá de manifestações coibidas pela PM), o que pensam essas pessoas? Que de fato as usariam como escudos? Ok, Vamos partir do ponto que simbolicamente sim. A polícia não interviria com violência por portarem crianças de colo, mas se ela já fez isso contra crianças e idosos, não poderia fazer novamente? Não seria um risco enorme para uma mãe (pai, tio, vó, professor) colocar em uma criança? Depois de um ataque, seriam elas literalmente escudos? E se precisarem atacar para se defender? Usam as crianças como tacapes?

Sinceramente não penso ter fundamento nessa linha de raciocínio. Volto a dizer que não faria isso, o que não significa que eu pense que esta é a "função"  das crianças nas ruas.

Aliás, para finalizar, em redes sociais encontrei a foto da capa do The Economist:


Art of the lie, ou "Arte da mentira". Em suma, o artigo coloca culpa na própria mídia por algumas razões, mas alerta que fazemos parte desse processo (e culpa). Mentiras absurdas de Trump, Erdogan e Putin são jogadas na net e simplesmente compartilhada (e óbvio que no Brasil). A grande maioria das pessoas simplesmente preferem acreditar no que o amigo postou sem checar as informações...

Abramos os olhos apenas. Posso me enganar. Aliás essa é uma outra percepção que tenho no momento. As pessoas simplesmente falam como quem tem certeza absoluta de que estão corretas.

Como diria o músico Felipe Tancini: " O problema não é o que você acha, o problema é o que você tem certeza"

sábado, 10 de setembro de 2016

As manifestações de hoje são como as de 2013?


Ainda ali no calor das manifestações de 2013, Slavoj Zizek é perguntado sobre o que se daria com o Brasil e ele foi categórico em falar que tudo dependeria de como a nação se colocaria pós manifestações e eu particularmente fiquei um tanto quanto desanimado quando percebi que a classe política que entrou em pânico em um primeiro momento conseguiu reverter a energia da população contra si mesmo elegendo de forma binária apenas dois lados. Dessa feita, mais de 90% da população se colocou de um lado contra o restante que também tinham suas guardas levantadas. O resultado? Políticos voltam a nadar de braçada como se diz na gíria.

Alguma coisa mudou nas atuais manifestações? Não. Pelo menos por enquanto, ainda não e elas pipocam por toda parte. Ontem mesmo teve outra em São Paulo 18h no vão livre do Masp.

A única fagulha de mudança que começo a notar nesse momento, é que jornalistas independentes parecem querer mostrar o que acontece lá de dentro das manifestações e não apenas aquela tomada superficial de alguns orgãos. Alguns advogados independentes também estão se expondo para tentar coibir o excesso promovido pela força do estado e para minha surpresa, alguns meios começam a falar de manifestação "enfim pacífica" ou coisas do tipo.

Na manifestação que fui dia 8 de setembro, via crianças, mulheres, idosos, adolescentes. Gente dos mais diversos perfis e pensava que a absoluta maioridade daquele povo não queria combate físico e apenas ideológico. Que mãe levaria uma criança para uma manifestação para enfrentar policiamento? Isso não me parece muito coerente.


Tentei puxar na memória de greves e manifestações dos operários do ABC que em sua total maioria são homens e não me recordo de confusões e quebra-quebra. Então me parece que tem alguma coisa mal contada aí.

Apesar disso, temos artistas, pensadores, filósofos e uma classe que tem instigado o povo ao pensamento.

Finalmente, o poder que todo mundo tem hoje em dia se ser mídia com seus celulares filmando tudo. Muita coisa já foi questionada através de imagens de manifestantes.

Enfim, ainda vejo as atuais manifestações com os participantes crendo que um lado seja bom contra o outro que é mal. Para piorar tudo, o uso de força repressora vem apenas quando as manifestações se dão contra um único lado e isso é deveras preocupante.





P.S.:Fotos por Demétrius Carvalho

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Olhe com teus próprios olhos



Foto: Juliany Bernardo

Cresci ouvindo que os franceses ou chilenos eram muito mais politizados do que nós por irem para as ruas protestar contra o governo. Não tinha esse papo de vandalismo. E se bem me lembro, foi esse tal vandalismo que derrubou o muro de Berlim para unificação das duas Alemanhas.

Hoje irei para a minha primeira manifestação dessa nova leva. Fui em várias em 2013 quando se tinha a população de uma forma geral contra um governo fosse ele de âmbito municipal, estadual ou federal. Exatamente o motivo pela qual Marcos Maia, amigo de longa data não ia para as tais. Diferente dele, perdi o interesse quando elas se mostraram pró fulano, contra sicrano. Eu não queria defender um lado de um esquema que acho fracassado. De distorções e distorções possíveis, essa semana tomei conhecimento de uma candidata que com apenas um voto vai assumir vaga de vereador no interior de sp.

Tomei partido ao engajar-me em tal manifestação? De certa forma sim, mas na verdade não estou indo exatamente por "Diretas já" ou mesmo um "Fora Temer". Ressalto que abdiquei de meu voto, pela tal falta de representatividade e descrença no sistema vigente (o mesmo sistema que criou brecha para que se tirassem Dilma sem crime constatado). O que não significa que eu fosse a favor do impeachment e defendo o direito de cada pessoa de ser a favor ou não, mas o que se viu na sequência foi um papelão. Um golpe contra a credibilidade da classe política.

Não acredito que exista um lado certo e outro errado nessa imbróglio e a esquerda tem que no mínimo se auto avaliar e entender que chegou onde chegou muito por culpa sua que trouxe o inimigo para dormir consigo. Aliás, quando deixou de ser tão esquerda e se moldou ao esquema perpetuando o jogo político como bem conhecemos.

O que me leva às ruas então?

Em primeiro lugar, o olhar com os meus próprios olhos e tirar minhas conclusões de como agem os manifestantes, mídia e a polícia (interessante ver o que disse Beto Richa em 2012 sobre a polícia)

Foto: Juliany Bernardo

Para fechar o meu raciocínio, vou por uma grande distorção verificada entre as manifestações contra o PSDB em São Paulo onde se teve catraca liberada do metrô para manifestante tirar selfie com policias fortemente armados, chamada na tv aberta conclamando pelas manifestações e a repressão que se vê nesse momento e que não é local, mas tem se alastrado por todo o território nacional aumentando assim uma sensação de estado de exceção.

Relembro do Marcos, meu amigo do começo da escrita para dizer-lhe que vou muito por um medo de retrocesso atrás de retrocesso. Basta olhar para alguns países do mundo árabe em décadas passadas e imaginar onde podemos parar...

De direitos em direitos perdidos, podemos entrar em um período nefasto nesse país que teima em ser o eterno país do futuro (afinal de contas, do presente é que não é).

Foto: Juliany Bernardo

Já diria aquela música d'O Rappa:

Pois paz sem voz não é paz é medo

P.S.: A próxima manifestação em São Paulo é hoje 17h no Largo da Batata.

terça-feira, 2 de agosto de 2016

Observar e Absorver

Eduardo Marinho é um cara que vai colocar 99,9% dos religiosos no bolso e eu apostaria que muitos deles concordariam com essa afirmativa.

Filho de militar (tendo passado pelo exército também), tendo trabalhado em banco e cursando Direito, percebe que essa não é sua vida.

Lembro de alguns amigos. Poucos. Muito poucos que buscam fugir desse tipo de vida. Para a grande e absoluta parte da humanidade, isso é utopia. Pode ser. Para Eduardo Marinho não.

Hoje é um dia em que na verdade eu não preciso falar nada pois temos nesse documentário um pouco mais de uma hora de questionamentos sobre o atual "life style" imposto por nossa sociedade.



P.S.: Eduardo Marinho não deixa de reconhecer erros e tristezas em sua vida. Creio que perceber e assumir esses momentos da vida são formas de evoluir...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

We will rock you



We will rock you é um musical baseado nas composições do Queen e isso todo mundo já sabe. Outra coisa que se sabe é a total falta de tradição do brasileiro para com os musicais (passando por esse que vos escreve) e o que acontece é que talvez, até por esse preconceito, o brasileiro perca esse excepcional espetáculo.

Se não temos dúvidas da qualidade da trilha, os músicos que participam do espetáculo se esmeraram em fazer um trabalho primoroso. A busca de referências visuais e sonoras pode deixar algum espectador menos atento pensar que trabalha-se com playback dado a qualidade sonora. E olha que isso não é uma tarefa nada fácil com a quantidade de cantores e instrumentos que se tem em cena e daí temos que credenciar também o Teatro Santander como uma sala de tratamento acústico invejável e técnicos de som que realmente souberam fazer seus trabalhos.



O Musical é composto de dois atos de cerca de hora e meia cada com um intervalo de 15 minutos. Nele, uma fábula sobre o iplanet é encenada mostrando como querem manter os jovens sobre controle e por isso o rock deve ser banido para que não se desperte o espírito da liberdade. Entre as cenas que despejam humor na medida certa com várias citações de músicos atuais e da música pop, as canções do Queen são interpretadas.

Os arranjos não são cem por cento fiéis aos originais, mas por uma opção estética, mas se aproxima muito quando necessário.

Na platéia se vê desde pessoas contemporâneas à banda rememorando os hits do quarteto inglês quanto pessoas mais novas descobrindo o Queen dentro de um primor de espetáculo.

Definitivamente uma ótima pedida. Mesmo que você não goste de musicais, se arrisque nessa viagem sonora.

domingo, 3 de julho de 2016

A espetacular e incrível vida de Douglas Adams e o Guia do Mochileiro das Galáxias


Texto originalmente publicado em Blah Cultural.

Temos em mãos uma verdadeira obra de arte. A editora Aleph nos apresenta a biografia de Douglas Adams, a cabeça pensante do Guia do Mochileiro das Galáxias em um primor de edição para encher os olhos dos fãs da série. A parte gráfica é sensacional com ilustrações e aquela velha sessão de fotos partindo de sua tenra idade até o Douglas Adams que o mundo viria a conhecer, incluindo cartaz de turnê, capa de livro. Uma fonte visual que provavelmente você não deva conhecer por completo e o crédito vai para Jem Roberts, escritor e uma série de outras coisas por ele apresentado no livro, mas segundo o próprio, a parte que interessa é que ele tem uma carreira consolidada como historiador da comédia e é formado em literatura inglesa.

A biografia em si é bastante rica e detalhada. Passa por sua cronologia de quando o “Mingo”  não era ainda conhecido (aliás o guia cronológico ao final do livro ajuda a entender bem o caminho da saga), mas mostra diversas facetas não tão conhecidas assim contando como ele teve a ideia do livro, sua participação no Monty Phyton ou mesmo sua ligação com os Beatles ou quando tocou com o Pink Floyd. O livro não retrata apenas as glórias de Douglas, mas mostra um escritor desesperado, sem dinheiro e desacreditado por muita gente aos 25 anos.




E se você pensa que a vida do nosso escritor muda completamente quando ele se torna mundialmente famoso, acertou, mas o livro mostra também o martírio que era sua vida com prazos e inúmeros adiamentos de obras em qualquer mídia do qual o Guia fosse explorado. Embora muita gente acredite que a obra nasceu do livro, ela nasceu na rádio e passou ainda por filme, seriado, game, peça e uma infinidade de caminhos que essa “ galáxia”  nos permita.

Vale lembrar que toda obra posterior envolvendo o Guia do Mochileiro das Galáxias é bombardeado por seus fãs mais fervorosos e pode ser que não seja diferente com esse livro, mas, diferente de muito material pós Mingo (e o livro relata inclusive como ele nos deixou), esse tem as bênçãos de seus melhores amigos e de sua filha que é hoje a pessoa responsável por qualquer material que saia sobre Douglas Adams, o Mingo, nosso gigante de 1,96m, dono da maior obra de ficção científica misturada com comédia já produzida. No livro, várias obras pós o Guia mostra a sua importância.


Não me estendendo mais do que o necessário, finalizo dizendo que Jem Roberts tem uma maneira muito fluída em sua escrita e não resumiu-se apenas ao autor em si. Temos em mãos quase que uma biografia do Guia dos Mochileiros das Galáxias em si esmiuçando a saga de Arthur Dent, Ford Prefect e toda a trupe. E pode acreditar, ainda tem espaço para mais surpresas como alguns episódios por ele escrito para Doctor Who. Apesar de suas 536 páginas, a leitura é leve e a viagem está garantida.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Todo aquele jazz



Um dos melhores livros que já li sobre jazz e você pode ser um entendido ou não no assunto. Ouso, pode ser um curioso ou não e provavelmente vai achar sua leitura leve e interessante e daí, o mérito vai para o escritor inglês Geoff Dyer que entrando no espírito do jazz, improvisa fatos aos verdadeiros na vida de grandes músicos de jazz como Chet Baker, Thelomious Monk, Duke Ellington, Art Pepper entre alguns outros imortais do gênero.

Como se da esse improviso? Geoff escreve uma espécie de romance com os músicos citando passagens reais de suas vidas (no qual ele inclusive faz comparação com referências musicais que músicos de jazz fazem ao tocar frases de outros músicos e no qual você perceberá ou não conforme o aprofundamento que tenha no estilo musical). Em outras palavras, algumas coisas são reais, outras puta ficção para o romance.

Basta ver o comentário do pianista de jazz Keith Jarrett sobre o livro: "O único livro de jazz que recomendo aos meus amigos".

No final do livro ainda temos uma crítica aos críticos de uma forma bastante interessante e um raciocínio sobre a importância da abordagem do gênero de forma cronológica para que se entenda o impacto que cada músico causou em sua época (aliás, a mesma coisa que sempre falo aos meus alunos da aula de história do rock). Contexto histórico... isso é deveras importante...

Ainda tem uma discografia básica interessante ao final da obra...

Coloque aquele som para tocar e viaje juntos com Geoff Dyer.




Ficha técnica:
Editora: Companhia das letras
Ano:2013
Idioma: Português
Páginas: 240

terça-feira, 21 de julho de 2015

Redução da velocidade e o fator humano...

(foto Demétrius Carvalho)

O fator humano... o que é isso?

De alguma forma, nos foi passado que o fator humano é causa de algum erro ou acidente em uma indústria, aeronave ou seja onde for onde algo aconteceu de forma fora do esperado.

Mas fator humano não seria uma expressão um tanto equivocada que não quer dizer nada? O fator humano não seria qualquer fator envolvendo humanos? Não seria o fator humano a tal "falha humana" na queda de um determinado avião assim como a própria construção do avião?

Na verdade, isso é apenas uma das elocubrações dessa minha mente que cansa sim de pensar, mas que não se conforma e tenta encontrar outros sentidos para os propostos. O fator humano também gosta de deturpar sentidos para outros entendimentos.

1. Não seria o superávit negativo o déficit?
2. Abrir capital estrangeiro em uma estatal seria por acaso privatização?
3. Te venderem a necessidade de comprar água gera lucro para quem?
4. Mercados pagam de ecologicamente corretos sem a sacola dada ao cliente, mas podem vender e ganhar ainda mais dinheiro?
5. Vamos vender meios de transportes alternativos sem melhoras de tal e ainda por cima aumentando os valores dos transportes públicos?

Acho absolutamente necessário os quilômetros e quilômetros de ciclofaixas que estão sim melhorando a qualidade de vida dessa cidade em um médio/longo prazo. Podiam apenas melhorar o transporte público para quem tem carro opte por algo melhor e não ver a sua situação cada vez pior e então vamos partir para o menos pior. Por que elas não começaram da periferia sentido centro? Interligando a população sem acesso aos terminais por exemplo? Mas ok, não vamos ficar na opinião polarizada entre o é bom ou ruim. É bom. Bom demais e veremos isso daqui uns anos tendo outros países que adotaram tal prática. Entre 8 e 80 tem um monte de número não é?

Ah, mas estão investindo R$ 400 mil na educação do trânsito. Não é muito? Eu sinceramente acho que não se verificarmos que o arrecadado com multas no mesmo período foi R$ 800 milhões...

Em países da Europa com as autoestradas, temos via de acessos exclusivos ao tráfego motorizado e assim sendo, na marginal que não possui semáforos exatamente por isso tem-se uma redução de velocidade?

Bom... acho que vão arrecadar ainda mais dinheiro com a população novamente.

Antes que alguém venha criticar, eu odeio andar de carro e faço de tudo para não andar com ele (exceto quando saio com o baixo acústico). Vivo andando de ônibus e essa é a minha principal explicação para a quantidade de livros que leio.

Eu posso estar errado em vários desses levantamentos e posso estar errado mesmo em todas, mas continuarei pensando, afinal de contas, o meu e o seu pensamento também é um fator humano...

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O dia mundial do rock e a grande mentira...

Death from above 1979

Vamos por partes...

Dia mundial do rock que é comemorado apenas no Brasil. Como assim?

Em 1990, duas rádios paulistas em uma campanha citam a data como o dia mundial do rock em alusão ao Live Aid ocorrido em 13 de julho de 1985. O Live Aid foi um grande evento envolvendo shows na Filadélfia (EUA) e Londres (Inglaterra) com nomes de peso do rock. Phil Collins por sinal, tocou em ambos os eventos que ainda tiveram nomes como Black Sabbath, Eric Clapton, The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, David Bowie, B.B. King, Scorpions, U2, Rolling Stones e se você der mais uma pesquisadinha, verá que outros grandes nomes estiveram por lá como Madonna ou Joan Baez que não são definitivamente do rock. O evento por sinal, era para a conscientização sobre a pobreza extrema na Etiópia.

Um festival que nem era exatamente de rock é lembrado por duas rádios como sendo o dia mundial do rock que se comemora só aqui no Brasil....

Temos que rotular e vender não é mesmo?

Mas se quiser ver um pequeno vídeo sobre a história do rock desse que vos escreve também vos falando, dê o play:


E a molecada hoje em dia nem gosta de rock. Gosta de Guitar Hero. É diferente...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Maioridade penal e minha vergonha de ser brasileiro.

A representação política brasileira de um sistema completamente falido. COMPLETAMENTE FALIDO. Não me interessa se da pseudo esquerda ou pseudo direita. Uma vez lá, eles ditam as regras (e as novas regras) em benefício próprio. Aumentam seus próprios salários, criam esse benefício, bolsa terno da vida e coisas do tipo. Para mim, está mais do que claro. Óbvio, mas entendo que as mídias conseguem vender bem uma ideia contrária.

Não acho que quem é a favor da diminuição da maioridade penal seja exatamente um desalmado como costuma ser o atual pensamento de extremos em tempos de internet.

Penso que seja hora do brasileiro procurar outras saídas. Essa luta dos vermelhos contra os azuis não da em nada desde sempre. Enquanto em alguns países mais desenvolvidos (do ponto de vista de educação básica) fecha presídios para abrir centros de cultura, o Brasil vai sendo Brasil. Vai aqui um link sobre o fechamento de 8 presídios na Holanda e 4 na Suécia.

Vergonha de ser brasileiro.

Eu sou um cara de números. Estatísticas. Prefiro tentar números corretos, ou mesmo os ainda não pensados do que continuar seguindo os que nunca deram certo, mas... tem quem goste...


Segue na foto em destaque o Fausto Pinato do PRB-SP comemorando a redução da maioridade penal junto de outros políticos.

Chico Science é quem estava certo. No Brasil, o de cima sobe e o de baixo desce...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Se fosse para polemizar...

Eu te perguntaria quem é Zeca Camargo?
Eu te perguntaria quem é Cristiano Ronaldo?
E o que isso vai em definitivo mudar em sua vida?

Mas se fosse para chutar o pau da barraca, eu te pergunto se Cristiano Araújo era mais conhecido do que Inezita Barroso? Afinal de contas, não me lembro desse alarde e comoção todo com ela que no meio dos sertanejos tem mais respaldo.

Me parece que todo mundo caiu na pegadinha da mídia que precisa gerar uma notícia para dar retorno para.... tcharam... ela mesmo....

Parar de ver tv foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Opiniões acirradas que proferimos sem nem perceber...

Imagem da internet

Já não é de hoje que penso que o comportamento das pessoas perante os meios de comunicação pós internet se modificou de forma radical. Basicamente na época em que a televisão detinha o poder de comunicação, a atitude de seu público era passiva. O que víamos no jornal, víamos e pronto. No máximo uma conversa com os vizinhos ou entre nossas rodas de amigos ou familiares. Uma grande comoção nacional e você podia trocar algumas palavras sobre o ocorrido com um desconhecido em um ponto de ônibus ou em uma mesa de bar.

A internet muda completamente isso. Inicialmente com sua opinião em verdadeiros murais colocados na internet, até os dias de hoje em que essa interação se torna em tempo real. Chegamos então em um momento onde as pessoas parecem precisar expressar sua opinião custe o que custar e acho que ela acirrou as diferenças de pensamento... de certa forma... ela contribui com os radicalismos dos extremos...

Para fortalecer a ideia do quanto eu penso isso de longa data, vejamos o nome desse blog... É apenas o que eu acho...

O que eu acho é o que eu acho e não verdade absoluta. Não tenho a pretensão de achar que o meu pensamento é sempre o correto perante o teu. Acho isso poderia soar arrogante de meu ser, mas algumas "acusações" me soam esdrúxulas.

A última? Fui acusado de homofóbico por não ter aderido aos perfis coloridos. Então é simples assim? Troca-se uma foto e atesta-se os teus verdadeiros atos? Quando vi alguns políticos com as fotos, pensei: Mas o que será que efetivamente você fez para garantir os direitos à classe?

Tenho motivos para não trocar a minha foto e respeito a sua troca. Quis trocar, mas não troquei e penso que enquanto dividirmos a população entre os do bem (os que pensam como eu) e os do mal (que pensam diferente) e temos o começo do grande problema da humanidade.

Reclamos dos programas "dos Marcelos Rezendes e Datenas" das vidas, mas transformamos nossa timeline no mesmo poço de polêmicas.

A polêmica da semana passada nem esfriou quando fui julgado por não conhecer Cristiano Araújo. Ontem, outro artista foi levado ao andar de cima. Chris Squire. Baixista e um dos fundadores do grupo Yes. Se você não o conhece, não vejo problema algum nisso. Mesmo eu trabalhando com música, não conheço todas as pessoas.

Despende-se muita energia em casos como esses. Hoje eu prefiro apenas deixar essa mestre das 4 cordas tocar...

Leveza...


sábado, 27 de junho de 2015

A Cesar o que é.... do Facebook

Lembram do processo de denúncia pela qual umas das fotos minha passou?


A Cesar o que é de Cesar, ao Facebook o que é do Facebook. Eu que tenho uma crise de amor e ódio ferrenha ao Facebook, sendo que um dos motivos é justamente o quanto o Facebook roubou as nossas liberdades e centralizou as atenções (muito supostamente, foi no Facebook que você viu essa própria postagem). Uma rede que além de nos aprisionar, escolhe o que vemos e não sabe distinguir uma obra de arte do que ela dita pornografia (sendo eles provenientes do país que mais produz pornografia).

Em tempos de intolerância com pensamentos diferentes ao seu, esta foto foi denunciada por conter nudez e recebi tal comunicado da empresa que nos prende:


A denúncia é feita anonimamente (um tanto quanto covarde) e julgada pelo próprio Facebook que ao menos dessa vez, julgou-me inocente.

Eu que desconfio de tudo proveniente do Facebook, tenho que fazer "mea culpa" dessa vez e reconhecer que eles não foram abusivos comigo dessa vez, visto que tenho outras fotos que se aproximariam mais da denuncia feita do que essa. Talvez seja hora de partir para outras plataformas de comunicação...