terça-feira, 2 de agosto de 2016

Observar e Absorver

Eduardo Marinho é um cara que vai colocar 99,9% dos religiosos no bolso e eu apostaria que muitos deles concordariam com essa afirmativa.

Filho de militar (tendo passado pelo exército também), tendo trabalhado em banco e cursando Direito, percebe que essa não é sua vida.

Lembro de alguns amigos. Poucos. Muito poucos que buscam fugir desse tipo de vida. Para a grande e absoluta parte da humanidade, isso é utopia. Pode ser. Para Eduardo Marinho não.

Hoje é um dia em que na verdade eu não preciso falar nada pois temos nesse documentário um pouco mais de uma hora de questionamentos sobre o atual "life style" imposto por nossa sociedade.



P.S.: Eduardo Marinho não deixa de reconhecer erros e tristezas em sua vida. Creio que perceber e assumir esses momentos da vida são formas de evoluir...

quinta-feira, 21 de julho de 2016

We will rock you



We will rock you é um musical baseado nas composições do Queen e isso todo mundo já sabe. Outra coisa que se sabe é a total falta de tradição do brasileiro para com os musicais (passando por esse que vos escreve) e o que acontece é que talvez, até por esse preconceito, o brasileiro perca esse excepcional espetáculo.

Se não temos dúvidas da qualidade da trilha, os músicos que participam do espetáculo se esmeraram em fazer um trabalho primoroso. A busca de referências visuais e sonoras pode deixar algum espectador menos atento pensar que trabalha-se com playback dado a qualidade sonora. E olha que isso não é uma tarefa nada fácil com a quantidade de cantores e instrumentos que se tem em cena e daí temos que credenciar também o Teatro Santander como uma sala de tratamento acústico invejável e técnicos de som que realmente souberam fazer seus trabalhos.



O Musical é composto de dois atos de cerca de hora e meia cada com um intervalo de 15 minutos. Nele, uma fábula sobre o iplanet é encenada mostrando como querem manter os jovens sobre controle e por isso o rock deve ser banido para que não se desperte o espírito da liberdade. Entre as cenas que despejam humor na medida certa com várias citações de músicos atuais e da música pop, as canções do Queen são interpretadas.

Os arranjos não são cem por cento fiéis aos originais, mas por uma opção estética, mas se aproxima muito quando necessário.

Na platéia se vê desde pessoas contemporâneas à banda rememorando os hits do quarteto inglês quanto pessoas mais novas descobrindo o Queen dentro de um primor de espetáculo.

Definitivamente uma ótima pedida. Mesmo que você não goste de musicais, se arrisque nessa viagem sonora.

domingo, 3 de julho de 2016

A espetacular e incrível vida de Douglas Adams e o Guia do Mochileiro das Galáxias


Texto originalmente publicado em Blah Cultural.

Temos em mãos uma verdadeira obra de arte. A editora Aleph nos apresenta a biografia de Douglas Adams, a cabeça pensante do Guia do Mochileiro das Galáxias em um primor de edição para encher os olhos dos fãs da série. A parte gráfica é sensacional com ilustrações e aquela velha sessão de fotos partindo de sua tenra idade até o Douglas Adams que o mundo viria a conhecer, incluindo cartaz de turnê, capa de livro. Uma fonte visual que provavelmente você não deva conhecer por completo e o crédito vai para Jem Roberts, escritor e uma série de outras coisas por ele apresentado no livro, mas segundo o próprio, a parte que interessa é que ele tem uma carreira consolidada como historiador da comédia e é formado em literatura inglesa.

A biografia em si é bastante rica e detalhada. Passa por sua cronologia de quando o “Mingo”  não era ainda conhecido (aliás o guia cronológico ao final do livro ajuda a entender bem o caminho da saga), mas mostra diversas facetas não tão conhecidas assim contando como ele teve a ideia do livro, sua participação no Monty Phyton ou mesmo sua ligação com os Beatles ou quando tocou com o Pink Floyd. O livro não retrata apenas as glórias de Douglas, mas mostra um escritor desesperado, sem dinheiro e desacreditado por muita gente aos 25 anos.




E se você pensa que a vida do nosso escritor muda completamente quando ele se torna mundialmente famoso, acertou, mas o livro mostra também o martírio que era sua vida com prazos e inúmeros adiamentos de obras em qualquer mídia do qual o Guia fosse explorado. Embora muita gente acredite que a obra nasceu do livro, ela nasceu na rádio e passou ainda por filme, seriado, game, peça e uma infinidade de caminhos que essa “ galáxia”  nos permita.

Vale lembrar que toda obra posterior envolvendo o Guia do Mochileiro das Galáxias é bombardeado por seus fãs mais fervorosos e pode ser que não seja diferente com esse livro, mas, diferente de muito material pós Mingo (e o livro relata inclusive como ele nos deixou), esse tem as bênçãos de seus melhores amigos e de sua filha que é hoje a pessoa responsável por qualquer material que saia sobre Douglas Adams, o Mingo, nosso gigante de 1,96m, dono da maior obra de ficção científica misturada com comédia já produzida. No livro, várias obras pós o Guia mostra a sua importância.


Não me estendendo mais do que o necessário, finalizo dizendo que Jem Roberts tem uma maneira muito fluída em sua escrita e não resumiu-se apenas ao autor em si. Temos em mãos quase que uma biografia do Guia dos Mochileiros das Galáxias em si esmiuçando a saga de Arthur Dent, Ford Prefect e toda a trupe. E pode acreditar, ainda tem espaço para mais surpresas como alguns episódios por ele escrito para Doctor Who. Apesar de suas 536 páginas, a leitura é leve e a viagem está garantida.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

Todo aquele jazz



Um dos melhores livros que já li sobre jazz e você pode ser um entendido ou não no assunto. Ouso, pode ser um curioso ou não e provavelmente vai achar sua leitura leve e interessante e daí, o mérito vai para o escritor inglês Geoff Dyer que entrando no espírito do jazz, improvisa fatos aos verdadeiros na vida de grandes músicos de jazz como Chet Baker, Thelomious Monk, Duke Ellington, Art Pepper entre alguns outros imortais do gênero.

Como se da esse improviso? Geoff escreve uma espécie de romance com os músicos citando passagens reais de suas vidas (no qual ele inclusive faz comparação com referências musicais que músicos de jazz fazem ao tocar frases de outros músicos e no qual você perceberá ou não conforme o aprofundamento que tenha no estilo musical). Em outras palavras, algumas coisas são reais, outras puta ficção para o romance.

Basta ver o comentário do pianista de jazz Keith Jarrett sobre o livro: "O único livro de jazz que recomendo aos meus amigos".

No final do livro ainda temos uma crítica aos críticos de uma forma bastante interessante e um raciocínio sobre a importância da abordagem do gênero de forma cronológica para que se entenda o impacto que cada músico causou em sua época (aliás, a mesma coisa que sempre falo aos meus alunos da aula de história do rock). Contexto histórico... isso é deveras importante...

Ainda tem uma discografia básica interessante ao final da obra...

Coloque aquele som para tocar e viaje juntos com Geoff Dyer.




Ficha técnica:
Editora: Companhia das letras
Ano:2013
Idioma: Português
Páginas: 240

terça-feira, 21 de julho de 2015

Redução da velocidade e o fator humano...

(foto Demétrius Carvalho)

O fator humano... o que é isso?

De alguma forma, nos foi passado que o fator humano é causa de algum erro ou acidente em uma indústria, aeronave ou seja onde for onde algo aconteceu de forma fora do esperado.

Mas fator humano não seria uma expressão um tanto equivocada que não quer dizer nada? O fator humano não seria qualquer fator envolvendo humanos? Não seria o fator humano a tal "falha humana" na queda de um determinado avião assim como a própria construção do avião?

Na verdade, isso é apenas uma das elocubrações dessa minha mente que cansa sim de pensar, mas que não se conforma e tenta encontrar outros sentidos para os propostos. O fator humano também gosta de deturpar sentidos para outros entendimentos.

1. Não seria o superávit negativo o déficit?
2. Abrir capital estrangeiro em uma estatal seria por acaso privatização?
3. Te venderem a necessidade de comprar água gera lucro para quem?
4. Mercados pagam de ecologicamente corretos sem a sacola dada ao cliente, mas podem vender e ganhar ainda mais dinheiro?
5. Vamos vender meios de transportes alternativos sem melhoras de tal e ainda por cima aumentando os valores dos transportes públicos?

Acho absolutamente necessário os quilômetros e quilômetros de ciclofaixas que estão sim melhorando a qualidade de vida dessa cidade em um médio/longo prazo. Podiam apenas melhorar o transporte público para quem tem carro opte por algo melhor e não ver a sua situação cada vez pior e então vamos partir para o menos pior. Por que elas não começaram da periferia sentido centro? Interligando a população sem acesso aos terminais por exemplo? Mas ok, não vamos ficar na opinião polarizada entre o é bom ou ruim. É bom. Bom demais e veremos isso daqui uns anos tendo outros países que adotaram tal prática. Entre 8 e 80 tem um monte de número não é?

Ah, mas estão investindo R$ 400 mil na educação do trânsito. Não é muito? Eu sinceramente acho que não se verificarmos que o arrecadado com multas no mesmo período foi R$ 800 milhões...

Em países da Europa com as autoestradas, temos via de acessos exclusivos ao tráfego motorizado e assim sendo, na marginal que não possui semáforos exatamente por isso tem-se uma redução de velocidade?

Bom... acho que vão arrecadar ainda mais dinheiro com a população novamente.

Antes que alguém venha criticar, eu odeio andar de carro e faço de tudo para não andar com ele (exceto quando saio com o baixo acústico). Vivo andando de ônibus e essa é a minha principal explicação para a quantidade de livros que leio.

Eu posso estar errado em vários desses levantamentos e posso estar errado mesmo em todas, mas continuarei pensando, afinal de contas, o meu e o seu pensamento também é um fator humano...

segunda-feira, 13 de julho de 2015

O dia mundial do rock e a grande mentira...

Death from above 1979

Vamos por partes...

Dia mundial do rock que é comemorado apenas no Brasil. Como assim?

Em 1990, duas rádios paulistas em uma campanha citam a data como o dia mundial do rock em alusão ao Live Aid ocorrido em 13 de julho de 1985. O Live Aid foi um grande evento envolvendo shows na Filadélfia (EUA) e Londres (Inglaterra) com nomes de peso do rock. Phil Collins por sinal, tocou em ambos os eventos que ainda tiveram nomes como Black Sabbath, Eric Clapton, The Who, Status Quo, Led Zeppelin, Dire Straits, David Bowie, B.B. King, Scorpions, U2, Rolling Stones e se você der mais uma pesquisadinha, verá que outros grandes nomes estiveram por lá como Madonna ou Joan Baez que não são definitivamente do rock. O evento por sinal, era para a conscientização sobre a pobreza extrema na Etiópia.

Um festival que nem era exatamente de rock é lembrado por duas rádios como sendo o dia mundial do rock que se comemora só aqui no Brasil....

Temos que rotular e vender não é mesmo?

Mas se quiser ver um pequeno vídeo sobre a história do rock desse que vos escreve também vos falando, dê o play:


E a molecada hoje em dia nem gosta de rock. Gosta de Guitar Hero. É diferente...

sexta-feira, 3 de julho de 2015

Maioridade penal e minha vergonha de ser brasileiro.

A representação política brasileira de um sistema completamente falido. COMPLETAMENTE FALIDO. Não me interessa se da pseudo esquerda ou pseudo direita. Uma vez lá, eles ditam as regras (e as novas regras) em benefício próprio. Aumentam seus próprios salários, criam esse benefício, bolsa terno da vida e coisas do tipo. Para mim, está mais do que claro. Óbvio, mas entendo que as mídias conseguem vender bem uma ideia contrária.

Não acho que quem é a favor da diminuição da maioridade penal seja exatamente um desalmado como costuma ser o atual pensamento de extremos em tempos de internet.

Penso que seja hora do brasileiro procurar outras saídas. Essa luta dos vermelhos contra os azuis não da em nada desde sempre. Enquanto em alguns países mais desenvolvidos (do ponto de vista de educação básica) fecha presídios para abrir centros de cultura, o Brasil vai sendo Brasil. Vai aqui um link sobre o fechamento de 8 presídios na Holanda e 4 na Suécia.

Vergonha de ser brasileiro.

Eu sou um cara de números. Estatísticas. Prefiro tentar números corretos, ou mesmo os ainda não pensados do que continuar seguindo os que nunca deram certo, mas... tem quem goste...


Segue na foto em destaque o Fausto Pinato do PRB-SP comemorando a redução da maioridade penal junto de outros políticos.

Chico Science é quem estava certo. No Brasil, o de cima sobe e o de baixo desce...

quarta-feira, 1 de julho de 2015

Se fosse para polemizar...

Eu te perguntaria quem é Zeca Camargo?
Eu te perguntaria quem é Cristiano Ronaldo?
E o que isso vai em definitivo mudar em sua vida?

Mas se fosse para chutar o pau da barraca, eu te pergunto se Cristiano Araújo era mais conhecido do que Inezita Barroso? Afinal de contas, não me lembro desse alarde e comoção todo com ela que no meio dos sertanejos tem mais respaldo.

Me parece que todo mundo caiu na pegadinha da mídia que precisa gerar uma notícia para dar retorno para.... tcharam... ela mesmo....

Parar de ver tv foi a melhor coisa que eu fiz na minha vida...


segunda-feira, 29 de junho de 2015

Opiniões acirradas que proferimos sem nem perceber...

Imagem da internet

Já não é de hoje que penso que o comportamento das pessoas perante os meios de comunicação pós internet se modificou de forma radical. Basicamente na época em que a televisão detinha o poder de comunicação, a atitude de seu público era passiva. O que víamos no jornal, víamos e pronto. No máximo uma conversa com os vizinhos ou entre nossas rodas de amigos ou familiares. Uma grande comoção nacional e você podia trocar algumas palavras sobre o ocorrido com um desconhecido em um ponto de ônibus ou em uma mesa de bar.

A internet muda completamente isso. Inicialmente com sua opinião em verdadeiros murais colocados na internet, até os dias de hoje em que essa interação se torna em tempo real. Chegamos então em um momento onde as pessoas parecem precisar expressar sua opinião custe o que custar e acho que ela acirrou as diferenças de pensamento... de certa forma... ela contribui com os radicalismos dos extremos...

Para fortalecer a ideia do quanto eu penso isso de longa data, vejamos o nome desse blog... É apenas o que eu acho...

O que eu acho é o que eu acho e não verdade absoluta. Não tenho a pretensão de achar que o meu pensamento é sempre o correto perante o teu. Acho isso poderia soar arrogante de meu ser, mas algumas "acusações" me soam esdrúxulas.

A última? Fui acusado de homofóbico por não ter aderido aos perfis coloridos. Então é simples assim? Troca-se uma foto e atesta-se os teus verdadeiros atos? Quando vi alguns políticos com as fotos, pensei: Mas o que será que efetivamente você fez para garantir os direitos à classe?

Tenho motivos para não trocar a minha foto e respeito a sua troca. Quis trocar, mas não troquei e penso que enquanto dividirmos a população entre os do bem (os que pensam como eu) e os do mal (que pensam diferente) e temos o começo do grande problema da humanidade.

Reclamos dos programas "dos Marcelos Rezendes e Datenas" das vidas, mas transformamos nossa timeline no mesmo poço de polêmicas.

A polêmica da semana passada nem esfriou quando fui julgado por não conhecer Cristiano Araújo. Ontem, outro artista foi levado ao andar de cima. Chris Squire. Baixista e um dos fundadores do grupo Yes. Se você não o conhece, não vejo problema algum nisso. Mesmo eu trabalhando com música, não conheço todas as pessoas.

Despende-se muita energia em casos como esses. Hoje eu prefiro apenas deixar essa mestre das 4 cordas tocar...

Leveza...


sábado, 27 de junho de 2015

A Cesar o que é.... do Facebook

Lembram do processo de denúncia pela qual umas das fotos minha passou?


A Cesar o que é de Cesar, ao Facebook o que é do Facebook. Eu que tenho uma crise de amor e ódio ferrenha ao Facebook, sendo que um dos motivos é justamente o quanto o Facebook roubou as nossas liberdades e centralizou as atenções (muito supostamente, foi no Facebook que você viu essa própria postagem). Uma rede que além de nos aprisionar, escolhe o que vemos e não sabe distinguir uma obra de arte do que ela dita pornografia (sendo eles provenientes do país que mais produz pornografia).

Em tempos de intolerância com pensamentos diferentes ao seu, esta foto foi denunciada por conter nudez e recebi tal comunicado da empresa que nos prende:


A denúncia é feita anonimamente (um tanto quanto covarde) e julgada pelo próprio Facebook que ao menos dessa vez, julgou-me inocente.

Eu que desconfio de tudo proveniente do Facebook, tenho que fazer "mea culpa" dessa vez e reconhecer que eles não foram abusivos comigo dessa vez, visto que tenho outras fotos que se aproximariam mais da denuncia feita do que essa. Talvez seja hora de partir para outras plataformas de comunicação...

quinta-feira, 25 de junho de 2015

Sem querer polemizar...

E antes de tudo, pêsames ao cantor sertanejo falecido Cristiano Araújo. Não conhecia seu trabalho, nem por isso preciso desmerecer ou menosprezar o trabalho de alguém, isso sem comentar aqueles que conseguem comemorar a morte de alguém. Não vou nem comentar.

O que realmente me incomodou nessa caso, é a tentativa da mídia de criar um nome, uma notícia para dar ibope a si mesmo. Eu já havia comentado algo do tipo em relação a morte de Tomie Ohtake alguns meses atrás que é mais conhecida. O que dirá desse jovem cantor que se vai.

Tirando a família dele e seus verdadeiros fãs, infelizmente foi uma morte como outra qualquer e isso aprendi alguns anos atrás com o sociólogo italiano Domenico de Masi que fala dessa enxurrada de informação que nos é empurrada, mas que não vai alterar nossa vida.

O que me espanta de fato, é um travesti ser assassinado, outro de moto assassinado ao vivo na tv pela polícia e a morte que vem de um acidente ter muito mais repercussão. Me parece que tem algo muito esquisito nesse mundo...

Ah, o cantor é tão conhecido que Fátima Bernardes manda uma dessas:


terça-feira, 23 de junho de 2015

Você se exercitaria para trocar por viagens?

É o que garante um site que promove parcerias com aplicativos populares entre os corredores...

Sinceramente não sei onde vamos parar com as interações, aplicativos, startups, monitoramento e etc. Se por um lado, essas coisas parecem bizarras, por outro lado, não da para negar que o mundo é completamento diferente com eles e nesse ponto, não posso discordar do controverso filósofo esloveno Slavoj Zizek: Não vivemos mais uma realidade virtual e sim, realidade híbrida.

Na pior das hipóteses, você se exercita, mas eu acompanharei e relatarei aqui a minha experiência com vocês.

Bora comigo? Se cadastre no Mova Mais.


segunda-feira, 22 de junho de 2015

Ben Harper encerra a segunda noite do Samsung Blues Festival em grande estilo

Foto Alan Alves via Blah Cultural

A noite seria de fechada pelo californiano Ben Harper do qual possui um leque de sons que nos fazia pensar o que ele apresentaria no encerramento de um festival de bules, mas antes disso, tinha muita lenha para queimar.

O festival começou absolutamente pontual como previsto para 20h30, tendo Flavio Guimarães com a função de abrir a noite. Ele formava um quarteto não exatamente convencional para o gênero que costuma ter linhas de baixo característicos. Sua formação era dele na gaita, bateria e duas guitarras, embora uma claramente desempenhasse uma função próxima ao que o baixo deveria fazer, mas não se enganem. Se você não procurasse com os olhos ou seu ouvido não estivesse super acostumado, você não perceberia. Uma boa pedida de entrada.

Em seguida, um nome de importante respaldo na história do bules. Charlie Musselwhite que surge para o mundo do bules, mesmo sendo branco em plena década de 60. Outro quarteto, mas a formação clássica era alcançada com a substituição de uma das guitarras pelo baixo-elétrico. Seu show foi elétrico e vibrante. Uma voz absolutamente característica ao estilo que com certeza não deixou seus fás desapontados. Ele ainda voltaria mais tarde ao palco reverenciado por Ben Harper para encerrar o show daquele que centraliza a atenção da noite.

Sou fã de Ben Harper, em especial quando ele se apresenta com os "The Innocent criminals", mas nessa noite, o cantor, compositor e multi-intrumentista adentra o palco só. Como lhe é de costume, pegou seu violão e sentado proferiu algumas de suas canções. Transitou por alguns instrumentos como ukelele, guitarra e piano, usando de efeitos de pedal, ou uma base solta de uma tabla indiana para aumentar o espectro sonoro. O show foi realmente bom e digno de nota por conseguir momentos tão intensos estando só no palco. Teve sim "Boa sorte" que é a música que o público radiofônico brasileiro conhece sendo cantado pela platéia, mas ele merece ter uma audição além dessa música. Depois de um belo show, voltou para um generoso bis. Tanto pelo tamanho dele, quanto pela surpresa final que deu ao público com a divisão de palco com o grande Charlie Musselwhite. Esse por sinal, deu uma belíssima interpretação para Homeless Child de Ben Harper que apenas dividiu os refrães com Charlie. 

Uma grande noite para quem gosta de boa música e para quem gosta de Ben Harper. A minha grande dúvida no entanto era o que ele nos apresentaria em um festival de bules… bom… ele não se preocupou com isso e fez o seu show.


P.S: Texto originalmente escrito para Blah Cultural:

O dia em que Clélia quase me viu nu


To eu ali na rua Clélia. Se ir em banco resolver os seus pepinos financeiros já não é a coisa mais agradável do planeta, imagina quando você notoriamente é barrado na porta do banco por quê sim...

Cansado de entrar até com pedais de efeito em banco, nem tentei me desvencilhar do tradicional kit chaveiro, celular e carteira.

– Senhor, foi detectado a presença de metais com o senhor!

Já repararam como gostam de repetir a palavra senhor nessas ocasiões para nos fazerem acreditar que nos respeitam?
Bom, mas uma vez barrado, depositei minhas coisas ali.

– Senhor, foi detectado a presença de metais com o senhor!

Barrado novamente?... ok... havia algumas moedas em meu bolso. Depois disso? Ou é birra, ou falha do sistema.

– Senhor, foi detectado a presença de metais com o senhor!

Uma vez sem as moedas, o que me restava? O cinto e sua fivela igual os 837 mil que já haviam passado no banco naquele dia? Certo... tirei o cinto...

– Senhor, foi detectado a presença de metais com o senhor!

Não pensei duas vezes e simplesmente abri o ziper da calça e com minhas translúcidas coxas começando a radiar nos olhos do segurança e ele me manda passar. Bem engraçado. Passei e o detector dessa vez nada acusou... bem engraçado...

sexta-feira, 19 de junho de 2015

Dessas coisas que só acontecem comigo






Eu corro para quem não sabe. Em virtude de ser grandes distâncias, gosto de correr no Elevado Costa e Silva (o Minhocão) quando ele fecha. No coração de São Paulo, você tem uma pista sem carros. Por esse motivo, várias pessoas por lá correm, caminham, andam de bicicleta, jogam bola por incrível que pareça, ou sentam-se para conversar, beber, fumar, blá blá blá.

Com o inverno chegando e as baixas temperaturas aparecendo, diminui drasticamente a quantidade de adeptos ao Minhocão. Imagina com uma leve garoa. Mas, eu estava lá em um elevado praticamente para mim. Escuto/percebo a aproximação de um helicóptero, mas ok, até que tenho os holofotes dele apontado para mim. Foi um misto de Rambo sendo perseguido pela polícia e vou levar um tiro agora e morrer e de, estou ganhando uma medalha olímpica...

terça-feira, 5 de maio de 2015

Ando com medo da morte


Ainda em janeiro, estava eu em lhabela quando recebo a notícia da morte prematura de Canek Guevara. Sim, com esse sobrenome, ele era neto de Che e deixou o nosso plano aos 40 anos. Estava com a amiga Ana Paula Galvão quando esse mundo despencou em minha cabeça.

Canek Guevara tinha uma composição com Bruno Morais e eu, mas dessas bizarrices de dias atuais, eu nunca conversei com ele presencialmente. Nunca escutei sua voz, mas tenho tudo registrado pelos meios digitais. Com minha mãe é exatamente o contrário. Nunca troquei uma única palavra com ela pelos computadores. Isso é muito louco, mas o que me incomoda na morte é a interrupção. Se não falei com ele, já não falaria nunca mais.

Ando com medo de morrer, mas corro com medo de morrer também. Isso por que corro distâncias relativamente grandes, então é comum sair de casa de noite para correr e passam-se minutos, as vezes horas de completa solidão e o mundo passando em minha cabeça. Uma delas: E se eu passo mal? E se eu apago aqui? E se eu entro em processo de interrupção contínua com o resto das pessoas que conheço? Isso é o que realmente me angustia.

Amigos, amores, colegas de trabalho. Relações que desandam e que muitas vezes não fazemos força para reverter com a sensação de que pode ser depois esse nó desfeito e daí vem a morte e encerra tudo. Tenho sim minhas pendências emocionais dos quais fujo para não resolver, por isso tenho tido uma vontade pelo menos de zelar pelos que me cercam. Seja ele quem for.

Semana passada quando saia para correr, um dos porteiros noturnos do prédio me avisam que Diego havia falecido. Um dos porteiros diurnos. Super novo. 49 anos, mas estava instaurada a interrupção contínua entre uma pessoa e eu outra vez. 

Ele que tanto quis fotografar no meu projeto intitulado Red Zone (visto que um dos porteiros já havia sido e pretendo desde que queiram, fotografar cada um). Eu só posso pensar sobre esse meu medo da morte de ser descuidado para com quem me rodeia. A Red Zone virou quase um café filosófico. Uma busca de sentido da vida não é mesmo Rafael Andrade? E um aprendizado. Sinto que A leveza que tenho pregado como uma filosofia pessoal minha já se encontra incompleta Marina Stoler.

Hoje eu penso em "Leveza e fluidez", afinal se pode ser leve e não fluido. Se pode ser fluido e não leve. Talvez uma hora eu escreva sobre isso. Por hora, deixa eu ir viver, afinal, ando com medo de morrer...