sexta-feira, 4 de novembro de 2016

A geração da internet está matando a música?

Imagine-se na idade média, sem energia elétrica. O que dirá computadores, televisão ou mesmo rádio.

Como poderíamos ouvir música?

Pensou?

Me vem na cabeça apenas duas formas: Ou alguém cantarolando enquanto faz seus afazeres domésticos, trabalhando ou fazendo sabe-se lá o que, ou ir de encontro a música ao vivo. Isso se daria por grupos populares ou nas igrejas. Algum tempo depois com o surgimento das orquestras, era comum as pessoas viajarem para ver seus concertos (ok, isso acontece com a sua super banda favorita).

Com o surgimento da energia elétrica, não sem tem muita diferença inicialmente. Alguma mudança só ocorre quando os meios de propagação da música toma novos ares. Imagine o quão revolucionário foi o surgimentos das transmissões por rádio. Agora era possível ouvir um som sem estar presente na execução. 

Isso pode parecer irrelevante para a geração da internet, mas não vamos tão longe. Se você tem uns 40 anos, sabe que ia-se com maior frequência em busca da música e praticamente parava-se tudo para ouvir o disco novo conseguido.

As coisas foram mudando de tal forma que hoje você tem acesso a qualquer música no seu bolso e a nova geração cresceu tendo a música como pano de fundo para o que estejam fazendo. 

Nunca é tão simples assim. Nunca um único motivo. Temos também o padrão de música comercial de 3 minutos que só da tempo para explorar um estrofe e refrão básico. Se vasculharmos, vai ter mais detalhes, mas enquanto eu juntava o meu dinheiro para comprar os discos que queria ouvir, vejo uma geração nascer que acha um absurdo se pagar por música. Nunca pagaram... por qual razão deveria pagar?

A priore, isso ferra a maioria dos músicos que não estão no mainstream e é só aí onde o dinheiro realmente pode sustentar um artista.

A facilidade de se obter música hoje em dia criou uma geração que não presta atenção na música. Ela só precisa estar presente, afinal o silêncio lhes parecem ensurdecedor.

Acha que estou exagerando?

Pois bem... anos atrás as pessoas queriam tocar guitarra para ser um novo Hendrix, Van Halen, Page, Slash... hoje quando eu pergunto para os alunos que guitarristas eles gostam, não sabem dizer. Uma banda? Não sabem... querem aprender por jogarem Guitar Hero e não, não estou inventando e nem me contaram. Já me aconteceu por duas vezes...

Daí juntamos esses fatores com as baladas de pessoas gerenciadas por pessoas por volta de seus 40 anos e que não possuem tempo (ou preguiça mesmo) para pesquisar música nova e o que tenho visto é só velharia rolando. O cara fala que gosta de rock, mas só "classic rock". Nada de novo aparece ou acontece. Nada com menos de 25 anos

Quando surge algo novo então, tem aquele ar "vintage". Ou seja, a busca por algo que lhe remete ao mesmo...

Não sei vocês, mas eu gosto de respirar coisas novas. Gosto da sensação de uma nova canção me trazer prazer. Me arrebatar. 

Vou além. Gosto da música que me tira da zona de conforto e não vou longe. Ainda no começo dos anos 2000, rolava músicas como essa da Bjork na MTV e lembro que você podia não gostar (e tinha muita gente que não gostava), mas ela definitivamente te tira da zona de conforto e hoje infelizmente a absurda maioria das músicas já são pensadas para entrar dentro de uma determinada caixinha...

Voltarei a falar disso...

Até mesmo por estar na próxima segunda novamente no X Factor Brasil que me parece que quer premiar a melhor cópia de alguém...

Vocês vão poder acompanhar um pouco em tempo real através das seguintes plataformas:


Por hora, Fiquem com a sempre desconcertante Bjork:




quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Dr. Estranho



Stephen Strange é o melhor neurocirurgião que se tem conhecimento, mas arrogante não aceitando qualquer trabalho para não sujar seu invejado currículo. Porém o destino lhe trai a sorte quando um grave acidente tira sua capacidade de trabalhar com as mãos. Inconformado, ele busca de todas as maneiras uma forma de reaver a plena recuperação de movimento de suas mãos e vai parar em Kamar-Taj para o que lhe parece uma busca espiritual e descobre em seguida que existe muito mais do que se supunha no mundo. Mesmo o mundo que ele conhece vai depender de suas novas habilidades adquiridas para seguir em frente.

A parceria Marvel/Disney conseguiu trazer um enredo onde heróis e vilões podem alterar o munto ou mesmo o tempo a sua volta sem cair no clichê de quem de fato sejam os heróis ou vilões.

Stephen Strange (Benedict Cumberbatch) acaba tornando-se o Dr. Estranho e sua atuação é de perfeito encaixe aos que conheciam a história original dos HQ's da Marvel. Aliás os acertos não param por aí. A trilha sonora, sonoplastia, fotografia, figurino casam esteticamente de forma esplendorosa e os efeitos especiais merecem inclusive aquela conferida em salas 3D IMAX.

O longa tem pouco mais de duas horas de duração, mas é daqueles filmes em que você não sente o tempo passar graças a direção de Scott Derrickson (O exorcismo de Emily Rose) que consegue deixar o medo dos filmes de terror para trás com sua condução de imagens de tirar o fôlego com o mundo sendo destruído, ou planos metafísicos, ou por momentos  mais leves com pitadas de humor inteligente e atualizada com o tempo presente com direito a senha de Wi-Fi em Kamar-Taj. Mas não para por aí cabendo inclusive muitas frases com teor filosófico que vai fazer você pensar sobre o meio de vida que levamos.

E se você é daqueles telespectadores apressadinhos que saem correndo do cinema para postar sobre o filme nas redes sociais, muita calma. Sabe as famosas cenas pós créditos de alguns filmes? Pois bem, ele possui simplesmente duas cenas pós créditos. A maior piada do filme por sinal talvez esteja em uma dessas cenas, enquanto que na outra, fica uma dica no ar do que veremos.

Agora para encerrar sem dar spoiler sobre o filme, não me sentia tão empolgado ao sair do cinema com um filme desde Matrix.

Tá esperando o que? Corre lá...
 





P.S.: Me segue pelo mundo para eu te trazer mais do mundo: Instagram, Twitter e YouTube.

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Motivos para você conhecer o Guarujá




Primeiro de tudo, acordar para ver o sol nascer é absolutamente benéfico e isso ao som do mar é ainda mais revigorante. Quando foi a última vez que você fez isso? Ou melhor, quando fui a última vez que você experimentou fazer uma coisa pela primeira vez em sua vida? Creio que isso seria motivo suficiente e foi assim que Guarujá dava o seu bom dia.


Pitangueiras vai ser a maioria das opções de alguém que conhece a cidade, mas a praia do Perequê é aquela típica praia de pescadores. Sem glamour aparente, mas com algumas embarcações atracadas na areia e você que gosta de fotos, vai ter algumas boas opções. O comércio local no entanto é bem simples. Para comer, eu procuraria outras opções.





Já no Mar do Casado, encontramos uma pequena ilhota bem próxima a margem na qual é completamente possível chegar caminhando com a maré baixa e a areia se estende por onde vemos o mar na foto a seguir. Com a maré extremamente revolta esse fim de semana, me dei por contente com a foto de um corredor entre a margem e a ilha...



Cada viagem é uma experiência única e essa em especial me colocou em contato com o Gurgel que é um carro brasileiro do qual eu não tinha contato por muito tempo. Bastante comuns em cidades praieiras. Talvez exatamente por isso, encontrei esse exemplar. Não sou nem um pouco fã de carros, mas esse ao menos foge dos padrões de carros de hoje.





No dia posterior, a primeira opção foi visitar o Forte Dos Andradas (onde é necessário agendamento via internet). Bom para quem gosta de história, arquitetura e uma programação diferente da de shopping, afinal de contas, essa deve ser a última opção para quem viaja e conhece um lugar novo, exceto saiba de uma super promoção de algo daquele lugar, ou lá tenha a comida típica do local, senão, fuja e vá ver o diferente.




O mirante da Ponta das Galhetas foi o próximo ponto. O mais simples visto até então. Não merece uma viagem apenas para o conhecer, mas estando por lá, vale a pena ver e tem quem se aventure pelas pedras na encosta do mirante.


Algumas cidades possuem pontos específicos de visitação, outras são agraciadas com uma beleza natural, o que é o caso do Guarujá com suas reentrâncias naturais causadas por sua costa que modifica a paisagem a cada momento e simples pessoas sentadas em um banquinho, podem te proporcionar uma bela vista com barcos pesqueiros ao fundo. A foto a seguir foi feita na praia das Astúrias onde pescadores disseram que em determinados dias é possível ver tartarugas no local. Já no Morro do Maluf era possível ver tanto tartarugas quanto arraias. Vale a observação que para se ver os animais, você precisa de antes de tudo ter sorte.



Partimos para o Morro do Maluf optando por caminhar na orla. Como de costume, o comércio local explora o potencial turístico, seja pela feira de artesanato no calçadão de Pitangueiras...


... ou no comércio mais tradicional...



Enfim chegamos ao Morro do Maluf que tem sim uma vista muito bonita e é um dos pontos mais visitados da cidade, mas ele fica do lado do Mirante do Morro da Campina muito mais alto e obviamente a vista deveria ser mais ampla, sem contar que era possível ver praticantes de rapel. Algum tempo depois estava lá em uma subida por uma rua bem íngreme que pode tirar o fôlego dos menos preparados fisicamente.

 Praticante de rapel

De cima a orla por onde corri ao final do dia para desestressar.

Guarujá certamente é dessas cidades em que você não consegue aproveitar de todas as opções em uma única visita. Faltam aqui obviamente outros locais interessantes como o Morro da Caixa d'água visitada em uma outra oportunidade que tem uma vista espetacular. 

Na dúvida de onde ir nas próximas férias? Pesquise sobre o Guarujá...


P.S.:Me siga e acompanhe um pouco mais de meus registros fotográficos aqui.

sexta-feira, 14 de outubro de 2016

42k em 42 anos

Foto: Daniela Gianelli


Buenos Aires, 9 de outubro de 2016

7h25 da manhã. Temperatura de 7,6ºC. Um medo apertado mas agora era ir. Faltavam 5 minutos para a largada da maratona.

42k em 42 anos é uma alusão à idade que tenho atualmente e o desejo de fazer os 42k aos 42 anos. 7h30 e é dada a largada que deu-se de uma forma impressionantemente tranquila (o fato de ser uma prova onde só havia a distância da maratona impediu o efeito do estouro de manada). Fiquei socado no meio de milhares de corredores e meu pace no primeiro minuto foi de 7:05 mas me mantive tranquilo. A compactação de corredores no entanto me preocupou por volta do quinto minuto. Precisava me desvencilhar do restante para não prejudicar muito meu tempo final (embora eu não tivesse certeza de que conseguiria). Fui para a calçada e consegui desenvolver um pouco mais de velocidade e a mantive sem maiores problemas até o k 7.8 onde havia uma subida razoável para uma maratona praticamente plana. Até mesmo pelo fato de ser muito no início da prova e sequer senti esforço para vencer esse trecho.

Alguns poucos metros passava ao lado do Obelisco da cidade. Um ponto turístico em uma rua com um ar que mistura a av. Paulista com as imediações do Ibirapuera. Gente nas ruas incentivando e eu pensei que tinha que curtir muito aquele momento, pois ainda havia muitos quilômetros pela frente para sentir a dureza da prova. A primeira por sinal já me incomodava. Consegui chegar ao ponto de largada 7h15. A vontade de urinar foi vencida pelas gigantescas filas para os banheiros químicos. Acreditei erroneamente que ela passaria e por volta do k 15 ela realmente começou a me incomodar. O que piorava a cada posto de hidratação onde bebia um pouco de água (por uma série de razões que outrora posso comentar, bebo bem mais água, isotônico ou o que for durante as provas).

Entre os k 18 e 19, adentramos um bairro bem simples de Buenos Aires e passando em frente ao estádio do Boca Juniors alguém grita "dale River". Lá como cá torcedores do Boca em resposta começaram a cantar alguma música do Boca.

Um pouco depois do k 19, adentrávamos um setor portuário e a essa altura eu já pensava em ter que parar para urinar até em que passei por mais um "Dj point". Eram dj's distribuídos durante a prova para dar aquele gás nos corredores com o som. Tocava "Sympathy for the devil" dos Stones e me perdoe meu Deus, mas o diabo me deu uma força com essa música que até esqueci momentaneamente a vontade de ir ao banheiro.

No k 21, onde temos o que seria a distância da meia maratona, um relógio que mostrava que eu estava dentro do tempo previsto (muito no limite pelos minutos iniciais perdidos, mas estava), mas o tempo começa a correr de mim (e não comigo) no k 24 quando a vontade de urinar já se fazia em forma de dor, afinal, continuava minha tática de hidratação e cada gole era um desconforto. Eu tinha que decidir se parava para ida ao banheiro e perdia alguns segundos ou se eu comprometia toda a prova não sabendo como responderia o meu corpo com mais 18k segurando essa vontade.

Dei uma saída para uma rua lateral e perderia alguns segundos, mas simplesmente não parava mais. Deve ter sido quase um minuto e vendo a multidão ir embora. A tal multidão era ainda muito compacta e perdi o contato das pessoas que corriam comigo por quilômetros mas se por um lado, perdi talvez um minuto, parece que voltei sem um peso (literal) e essa descansada me vez correr bem mais confortável por vários quilômetros.

A coisa começou a pesar mesmo depois do k 30. Não só pelo tal "paredão" do qual na verdade eu já nem estava mais preocupado com minha parada para o banheiro, como pelo fato que pegamos um vento que inicialmente pensei ser só minhas forças se esvaindo, mas soube que o vencedor do ano ano passado com 2h12 foi o mesmo desse ano que chegou reclamando do vento que lhe empurrava. Esse ano ele fez 2h30. O sol abriu pesado contrário as previsões do tempo e já era possível ver o desconforto na face de muitas pessoas, gente caminhando, mancando. Eu tive que me concentrar muito pois naquele momento, era puro sofrimento e tínhamos uma subida considerável de um viaduto no k 36 e ele foi quase mortal. Tanto que eu praticamente trotei por quase um quilômetro ao seu término. Já começava a fazer contagem regressiva. Os trechos mais difíceis haviam sido superados. Avistei então uma pessoa na minha frente caminhando com um rosto de quem não sabia se continuava ou desistia. Por essas grandes coincidências da vida, ele estava com a camisa de meu time e antes de chegar nele cantei o primeiro estrofe do hino, ele cantou o segundo e começou a correr novamente, cantei o terceiro e do quarto para frente cantamos juntos até o fim. Chegamos em um pequeno declíve e ele chorando me agradeceu. Esse pequeno declíve subia de volta logo após passar por um viaduto. Eu acho que só continuei para dar forças para ele que começou a chorar novamente e caminhar e me despedi dele falando que só faltava 4k e que agora seria plano e que ele não parasse. Ele concordou com a cabeça e fui para 2k infernais...

Ajudar esse corredor me ajudou e muito. Se de alguma forma se isso chegar em você, saiba que me ajudou muito. Depois foi terrível chegar ao k 40. Eu que nunca havia chegado nessa distância vibrei muito mentalmente e não pararia mais de forma alguma. k 41. Já estava dentro do parque de volta. Meu marcador já contava os 42k que viraram quase 43k no de muita gente mas eu estava impressionantemente inteiro. Ao longe eu pensava ver a chegada com luzes verdes piscando que era uma ambulância. Depois disso, com os olhos fixos para frente eu tomo um susto, uma voz familiar do meu lado gritando "Vai, vai. não para, está bem ali, você conseguiu". Era a minha mulher que pegou em minha mão e correu uns 800 metros comigo. Dei um beijo nela e todo mundo em volta vibrou e aplaudiu. Disso também nunca me esquecerei e ela de calça comprida chegou cansada. Ela imaginou que eu chegaria mais lento, mas fiz meu último k com pace de 5'16" embora tenha sido a adrenalina e energia do final. O tal do sprint final, pois meu rendimento já estava abaixo disso.

Cheguei, chorei, agradeci e embora não tivesse de forma alguma arrependido, queria ver como meu corpo reagiria para ver se vale a pena continuar nessa.


Como já escrevi anteriormente, tenho uma maratona inscrita apenas para abril agora e por hora quero apenas descansar. Estou incrivelmente bem e inteiro. A vontade de ir para a rua correr é imensa, mas só 10k domingo que vem em uma prova já em São Paulo que farei curtindo a prova. Será o recomeço lento. Sem corrida desenfreada por baixar tempo.

Em tempo, me perguntam o que faço profissionalmente. Sou músico.

Os textos anteriores sobre como cheguei na maratona se encontram percorrendo o blog (assim como o da São Silvestre).

quinta-feira, 13 de outubro de 2016

Quem não tem dinheiro não faz faculdade



Essa foi a frase atribuída ao deputado Nelson Marquezelli (PDT-SP) que é um dos líderes da bancada ruralista e está em seu sexto mandato.

O Próprio sai com uma nota dizendo que sua frase foi colocada sem contexto. Segue a seguir ela na íntegra:

"O Estado não pode gastar mais que arrecada.
Defendo a gratuidade para a população de baixa renda em instituições públicas, mas subsidiar a quem tem condições de pagar a universidade sou totalmente contra.
O ajuste da PEC não retira nenhum centavo para educação e saúde, mas por outro lado a aprovação da matéria possibilita um freio em orçamentos inflados, aumentos irreais e expectativas financeiras que destruirá a previdência pública.
O Brasil precisa ter a responsabilidade de administrar o dinheiro público com profissionalismo e retidão.
Remédios amargos são necessários para um momento difícil da economia nacional.
Volto a repetir, sou favorável a uma educação de qualidade e contra subsídios do Estado para quem pode e deve pagar por sua instrução.”
Em compensação, temos o vídeo de onde a frase foi "extraída fora de contexto" para que possamos confrontar com seu pronunciamento:


De seu pronunciamento eu concordo que o Brasil não pode gastar mais do que arrecada, no entanto é completamente ingênuo acreditar que aquele garoto da periferia que trabalha o dia inteiro e estuda de noite está em pés de igualdade com quem possa estudar o dia inteiro. Não julgo de forma alguma quem tem tais condições. Quisera eu que na verdade todos os candidatos tivessem as mesmas condições.

Em tempo, o deputado ruralista foi o autor de um projeto que reajustou em 60% o salário da classe para que não precisam mais fazer "bico". Também foi o autor de um projeto que obrigaria as escolas a utilizarem do suco de laranja na merenda escolar para que fossem habilitadas à receber tal benefício. Se isso te parece nobre, o que me diz quando sabe que o homem em questão é um dos maiores produtores de laranja do país?


terça-feira, 4 de outubro de 2016

Quando se fala, mas não se faz


Para quem já viu o desenho do Sr. volante x Sr. Andante da Disney com o Pateta como personagem principal, penso que eu tenha encontrado ele trabalhando.

Ontem deixei minha casa para dar aula de ônibus e logo ao adentrar o veículo, o motorista conversando com o cobrador (ou seja, praticamente o ônibus inteiro) vinha dando suas lições de moral com total aprovação do cobrador baseado em sua fé. Dizia e mostrava o quanto o povo da igreja dele era correta, que isso, que aquilo, que não se metem em uma confusão:

- Pode procurar na minha vida!!! Dizia ele quando de repente ele quase colide com um motociclista que lhe ultrapassava pela esquerda como deveria. De certo que o ônibus estava errado pois apenas no quarteirão anterior deveria mudar para a faixa em que se encontrava. Daí o rapaz da moto que visivelmente trabalhava, toma não só a faixa que divide as pistas como tende a vir pela do ônibus e ainda por cima mais devagar do que normalmente andam fazendo com que o ônibus estivesse colado sobre ele. Um perigo? Sim, mas também um sinal de provocação do motociclista aceito pelo motorista. Assim seguiu-se da rua Clélia até a Francisco Matarazzo. Obviamente que a situação ficava cada vez mais tensa. Freadas cada vez mais forte atrás da moto, olhares, xingamentos e gestos. Um verdadeiro pandemônio, até que uma hora a moto se desvencilhou (ou finalmente quis) e se foi embora.

O Motorista de ônibus volta tranquilamente a pregar a sua doutrina. 

Ele provavelmente deve ser contra a corrupção e talvez até o seja na verdade, mas eu não tenho dúvidas do que andar de ônibus em São Paulo é entender um pouco a complexidade do povo. É um verdadeiro estudo antropológico.

Para quem nunca viu o desenho, segue ele:




P.S.: A política no Brasil não se faz de forma muito diferente disso não...

segunda-feira, 3 de outubro de 2016

FaceBoolha



Para quem votou em São Paulo especificamente, posso imaginar dois cenários ao dia posterior das eleições.

1. A pessoa acorda feliz com a vitória de Dória, o que lhe parecia óbvio segundo sua timeline da maior rede social usada no momento;

2. A pessoa acorda desesperançosa e caindo-lhe a ficha de que vive uma bolha, pois sua timeline era só "amô"  com o povo que votaria em Haddad ou Erundina.

Ao meu ver, o que elas parecem que ainda não se deram conta (ou insistem em não perceber), é que vivem em bolhas. Os famosos algoritmos da rede em que muito provavelmente você teve acesso a esse texto por exemplo.

Uma coisa que vi também nesse período era alguém de certa forma reclamando de que não havia gente para conseguir mudar voto em sua lista de amigos, afinal, todos já "fechavam com ele". Talvez exatamente pelo fato de que essa pessoa conscientemente ou não já tenha excluído aquelas pessoas que pensam diferente de você (e olhe lá se ela não prega o respeito pela diferença dela).

Temos que pensar e repensar nosso mundo que não se resume ao mundo virtual. Nas ruas, cruzo com pessoas que pensam ou é diferente de mim por todo o momento, mas quando vou cruzar a catraca do metrô do qual vejo uma pessoa visivelmente completamente diferente de mim, não posso desfazer a presença da pessoa na minha frente como se faz nas redes sociais. Tenho que conviver com ela e isso é um exercício de respeito ao diferente (assim como o outro também deve estar olhando para você e pensando o quão diferente você possa ser).

Alguns papos vão surgir como a culpa é de quem votou na Erundina (A culpa do Russomano não ter sido eleito é de quem votou em Dória?) E na boa? Continuo achando que a classe política nada de braçada enquanto o povo se divide e familiares deixam de falar um com outro por causa disso.

Ainda ontem em churrasco na casa de amigos enquanto eram computadas os resultados das eleições, eu falava aos presentes. O problema não é exatamente esse ou aquele vencer as eleições. O problema é: Esse processo realmente tem servido para a população em geral? Pode apostar que para boa parte sim...

P.S.: Ainda saindo da cabine de votação ontem comentei: Me sinto em um circo, do qual obviamente eu sou o palhaço...

domingo, 2 de outubro de 2016

O lado que ninguém conta de se chegar em uma maratona III

Veio a segunda meia maratona onde completei o percurso correndo. Foi difícil? Sim. Me trouxe alegria? Sim e então a vontade de novos desafios. E nesse aspecto, creio que exista uma lacuna entre as distâncias. Não são comuns corridas com mais de 21k e menos de 42k para aos poucos ambientar o aspirante maratonista, mas das possibilidades que se mostram aos corredores de rua, temos a Maratona de São Paulo que oferece e alternativa de 15 milhas (ou 24k). Já é algo e fui eu para mais uma prova.

Querem a boa ou a ruim? 

A ruim é que foi uma prova debaixo de um calor nada confortável e eu continuava naquele processo de não estar cem por cento e continuar correndo (um pouco da teimosia de corredor que conhecemos, mas que pode acabar com o futuro em tal prática). Por volta do quilômetro 17, senti que "quebraria", então me preparei mentalmente para concluir 21k (ou mais uma meia maratona) e continuar como desse o restante. Assim foi. Sinalização de 21k e dei uma caminhada para retomar o fôlego. A boa notícia é que daí para frente eu não quebrei mais nenhuma meia maratona (vou considerar as 15 milhas como meia ok? Tendo então 6 meias completas e a primeira que quebrei faltando cerca de 600 metros).

Mas sabe qual foi a melhor do que a boa?

Comecei a chegar cada vez mais inteiro ao final das provas, fui conseguindo melhorar meu tempo (embora ache que se você não é profissional, esse não deve ser o seu único foco).

Meia maratona de Campinas (Foto: Daniela Gianelli)


Abro aqui um parêntese. Não sou corredor profissional ou sequer profissional da area de saúde ou esportiva, então não há embasamento científico do que aqui vou dizer. É apenas a sensação que tenho como praticante da corrida. Dentro desse raciocínio, quem me conhece de perto sempre ouve eu falando: 5k todo mundo que quiser, salvo algum problema, com um mínimo de disciplina corre. 10k seria mais do que ótimo para deixar a saúde em dia. A São Silvestre com seus 15k seria o a prova de superação das pessoas normais, mas ok, se você realmente está adaptado ao mundo das corridas e realmente ama o que faz, 21k ok. Daí para frente, acho que algo acontece na nossa cabeça, pois a maioria das coisas envoltas à maratona é desumano, desnecessário. Sem contar que não tem como, vai afetar sua vida e de seus familiares e pessoas que convivem com você.

Acho que muitas pessoas não deveriam se aventurar nessa viagem (inclusive eu), mas, uma vez que você comprou briga...

Os treinos para uma maratona não precisam necessariamente chegar aos 42k ou até mesmo mais como imaginei inicialmente, mas a carga e o desagaste vai cobrar um preço grande de seu corpo, articulações e até mesmo sanidade mental. Você vai ter que ler bastante sobre o assunto e ouvir pessoas que passaram pela experiência. Elas podem realmente te ajudar muito e você pode perceber inclusive que aquilo que funciona para a maioria das pessoas, não serve para você. Eu teria uma infinidade de coisas para falar a respeito e posso vir a entender minhas palavras sobre. Por hora me detenho no mito do paredão por volta do quilômetro 32. Bem fácil de pesquisar na net para quem desconhece o assunto, mas é uma hora que seu corpo parece não responder mais e os 10k finais se tornam infinitos e inacabáveis.

Pois bem, tenho algumas vantagens ao meu favor quando corro como aguentar o frio de uma forma que todos se surpreendem, mas talvez pela minha compleição física, com quase 1,90 de altura e assim tenho uma sobrecarga para carregar que talvez não me capacitasse inicialmente à este esporte. Resumindo, Me divirto e muito em uma meia maratona hoje em dia. Depois daí eu sofro por uns 3 quilômetros e simplesmente o meu paredão chega por volta dos 24k. Ou seja, daí para frente é um sofrimento que não em faz muito sentido ter como estilo de vida. Volto a lembrar que sofri em meus primeiros 5k, 10k, São Silvestre, 21k, mas depois todos tornaram-se prazerosos.

Daqui exatamente uma semana estarei disputando minha primeira maratona em Buenos Aires. Vamos ver como as coisas ocorrerão...

Por hora vamos ficar com a parte boa? Chegada da Run The Night noturna.





quinta-feira, 29 de setembro de 2016

Não voto no PT



Se o PT chegou onde chegou por suas alianças com qualquer partido sem maiores pudores alegando "governabilidade", sua derrocada também parece ter nascido daí. Aliás, nas eleições municipais passadas com a fatídica foto de Lula, Maluf e Haddad, começava a morrer minha crença pelo PT. Naquela ocasião, tinha uma sensação parecida com a de hoje. Parecia só haver candidatos ruins e apenas sabia que não queria o Russomano que pode trazer mais poderes ao Edir Macêdo que teria tv, igreja e estado em suas mãos (ainda que em escala municipal). O que fiz? Votei no Haddad no primeiro turno somente por acreditar que as coisas podem piorar com Celso Russomano com apoio do bispo Edir Macêdo. Uma vez que ele não foi sequer ao segundo turno, abri mão do voto no segundo turno onde Haddad venceu Serra.

Fiquei de olho aberto para ver o que o tal prefeito faria. Para ser sincero, ele não emplacava para mim de forma alguma, sem contar que era muito do marqueteiro ao meu ver, afinal, o ibope que ele tinha quando aparecia tocando guitarra ou andando de bicicleta era absurda e eu me perguntava, mas e daí? Onde isso ajuda efetivamente na administração municipal?

Fui, sou e serei muito crítico em relação à algumas coisas como a redução de velocidade nas marginais e tive uma amiga "desfazendo amizade virtual" em virtude do texto escrito. Segue o link para ver minha crítica, mas quer saber? Dou o braço a torcer nesse sentido. Embora ache que possa sim existir uma indústria de multa, não sinto efetivamente perda de tempo no trânsito por isso. Aliás, dizem que estatisticamente ganhamos tempo, mas se houve menos mortes, já é o suficiente para repensar. Quanto à questão da indústria de multa, é só não andar fora da lei. O óbvio que parece coisa de outro mundo.

Ciclovias? Também tenho minhas críticas, mas ao menos ele fez algo que afeta positivamente na qualidade de vida e mobilidade urbana. Sinto inclusive lampejos de andar de bicicleta pela cidade.

A questão é que por essas e outras, me via com voto decidido por Erundina e sua postura menos PT que parece o PMDB se aliando a qualquer coisa para a manutenção do poder. Aliás, a coligação do PT é com quem mesmo nessas eleições? Parece que a história absurdamente recente não lhes ensinaram nada.

Daí penso sobre as maiores críticas que se fazem ao Haddad e tentando ser coerente com o que professo, devo dizer que só posso ver o velho pensamento futebolístico e defesa de times não importando o que for. Não importando se você está certo ou errado. Importa apenas a sua bandeira para bater no peito na mesa de bar que estava certo. Como nos tornamos tão presunçosos e arrogantes?

Para finalizar sem adentrar em muitos termos técnicos ou estatísticas para provar isso ou aquilo outro, lembro ainda que Haddad recuperou dinheiro proveniente de corrupção e curiosamente, daquele mesmo senhor que se juntou a ele na foto com Lula. Posso estar completamente enganado, mas não tenho conhecimento na história da política brasileira de algum político que tenha recuperado dinheiro de corrupção e então, confrontando a administração de Haddad com a grandiosa maioria dos prefeitos passados e somados a isso o fato de não querer nem Russomano como Dória que é simplesmente um aventureiro abanado no mundo da política sem a menor tradição na cultura, e decidi que voto em Haddad, assim como para vereador, voto em Eduardo Suplicy mesmo achando que sua versão garotão na internet mereça lá suas críticas também. Mas quem não merece críticas? Eu certamente tenho meus erros. Você não os tem?

A questão para mim nesse momento não se trata de partido e sim de olhar do que se tem e se somos coerentes com o que realmente queremos para a cidade.

Volto a dizer, não voto no PT (e não tenho votado nas eleições passadas), mas dessa vez voto em Haddad e Suplicy exceto cheguem Haddad e Erundina no segundo turno onde votaria nela...

Se lhes calhou de serem do PT, aí já é outra história, pois no PT pelo PT não voto...

quarta-feira, 28 de setembro de 2016

O lado que ninguém conta de se chegar em uma maratona II

Antes de tudo, aqui está a primeira parte caso queiram saber como tudo começou:

Uma vez que aquele primeiro desejo de correr uma São Silvestre estava realizado, pensei que pararia por aí. Não me via de forma alguma correndo meia-maratona. Que dirá uma maratona. Lembro-me perfeitamente quando ainda antes da primeira São Silvestre vi um corredor falando na Usp que fazia uma meia todo sábado por lá treinando e fiquei pensando o quão louco era um cara desses sem saber que viria a ser louco dessa forma, mas tudo começou quase sem querer com um convite/desafio de um amigo de Minas Gerais que ganhou inscrição para a Volta da Pampulha.

Com o apelo televisivo, a Volta da Pampulha era outra corrida que eu gostaria de fazeer, mas sendo em outra cidade nunca nem tinha pensado, mas ganhando a inscrição... Primeiro me dou conta que a distância era de 18k. Eu havia já corrido 15k com a São Silvestre e havia ainda uns 3 meses para eu acrescentar 3 quilômetros a mais em minha bagagem de corredor para encarar o novo desafio e assim fui para Belo Horizonte com minha primeira viagem para correr fora (teve Carapicuíba antes, mas vamos combinar que isso é quase um bairro de São Paulo né?).

A expectativa estava de volta semelhante ao dia da São Silvestre. A maior diferença é que dessa vez eu estava com esse meu amigo e um outro amigo dele corredores mais experientes e com distâncias de ultra maratona em seus históricos. A volta da Pampulha era quase treino de tiro para eles e ainda por volta do segundo ou terceiro quilômetro, deixei os caras seguirem em frente e e me encontrei com eles na chegada. 




A sensação que se passou voltando para casa com aquela medalha é que ela era-me mais importante que a São Silvestre pela distância maior alcançada. Uma semana depois, corria a Sargento Gonzaguinha que seria para mim preparativo para a São Silvestre de 2015 e já sentia alguns incômodos pelo corpo que pareceu culminar com uma dor absurda no joelho direito no dia 26 de dezembro em um treino que simulava a São Silvestre com o mesmo trajeto. Senti no meio do caminho entre os quilômetros 7 e 8 e estando o carro parado no final do trajeto, forcei a barra.

Abre-se grandiosos parênteses. Essa contusão era uma mistura de over training com falta de acompanhamento profissional ou conhecimento meu. A questão é que falei com uma fisioterapeuta e ela me disse que daquela forma eu não correria uma São Silvestre em uma semana. Eu disse para ela duas coisas. Um, eram apenas 5 dias e dois, eu correria.

Lógico que eu tinha em mente que eu poderia agravar de tal forma uma lesão que talvez não mais pudesse correr, mas paguei o preço por não ser atleta profissional. Não quero aqui de forma alguma incentivar a fazer o que eu fiz. Apenas alertar que numa dessas, você pode não correr nunca mais.

Resultado: Dois dias de cama, tensores nos joelhos, faixa sub patelar e terminei a São Silvestre decidido a cuidar de mim mesmo para poder continuar correndo. A questão é que o bicho da corrida já havia me pego e a primeira coisa que fiz ao terminar a Volta da Pampulha, foi-me inscrever para a Meia Maratona de São Paulo em fevereiro, mas obedeci esse sinal do corpo.

Comecei a fazer pilates para fortalecer musculatura e fui correr uma Eco Race no Parque ecológico do Tietê com os mesmos 18k para treinar para a meia em um sofrimento sem fim. Sofri bastante. Caminhei muito, mas ali eu percebi que realmente gostava de correr. Justo ao perceber que realmente eu poderia não mais correr. A questão é que aquela medalha de 18k estava empatando com a Volta da Pampulha em importância para mim e só quem corre para saber como cada corrida é absolutamente única.




Em fevereiro chegou a Meia maratona da cidade de São Paulo e com a ajuda do pilates, eu tinha melhoras consideráveis, mas essa prova foi sofrida pelo percurso mesmo, sem contar que na metragem de quase todo mundo dava cerca de 21k e 700 metros. Ali pela primeira vez eu corri a prova inteiro e quando já avistava a chegada no estádio do Pacaembu, eu abdiquei do ego de dizer que fiz a corrida inteira sem parar, ou "quebrar" como dissemos. Me restavam cerca de 600 metros. eu poderia e conseguiria, mas sentia meu corpo completamente quebrado e pensando no futuro, disse para mim mesmo que não precisava. Terminava assim minha primeira meia maratona andando e pronto. Depois eu mal tinha forças para ir para o carro. Aliás, não tive mesmo. A Daniela, minha mulher foi buscar para mim. Aquela medalha de meia estava valendo mais do que todas, mas a vontade de correr crescia...



sexta-feira, 16 de setembro de 2016

O lado que ninguém conta de se chegar em uma maratona.

Vejo as pessoas escrevendo sob seus feitos e superações de dor inclusive para se vencer determinadas distâncias e isso as vezes me incomoda. Acho que isso é um pouco em função do nossas vidas editadas nas redes sociais, afinal de contas, mostramos apenas o quanto estamos ultra bem e felizes, afinal, é só isso que vemos de nossos amigos que podem estar na pior, mas que em suas edições, souberam se vender bem, mas voltemos então quando eu ainda era criança e essa possibilidade não existia.

Final de ano na casa dos avós e para quem é mais velho, lembra que a São Silvestre passava meia-noite com os corredores literalmente correndo para a ano novo. Dessa época, me lembro claramente do equatoriano Rolando Vera e da portuguesa Rosa Mota que ganharam inúmeras vezes a prova. Ali foi-me instigada a vontade de correr, mas embora tenha praticado esporte por toda a vida (inclusive umas corridas esporádicas), foi preciso uma partida de futebol entre alunos e professores onde eu com uns 2 minutos e uns 3 piques já estava completamente morto. Isso ali pelos idos de 2006. Finda a partida e resolvi que eu precisava alterar esse quadro e algum tempo depois comecei a dar umas corridas de uma forma completamente diferente das de hoje. Sem relógio e eu sequer sabia o quanto corria dando algumas voltas no entorno de casa.

Uma frequência consistente de corrida demorou um pouco para acontecer e eu chegava a passar alguns meses sem correr para recomeçar praticamente do zero, mas aos poucos comecei a correr com mais compromisso para comigo mesmo e a São Silvestre começou a rondar meus pensamentos de novo. Era por causa dela que eu queria correr e fui então ver as reais possibilidades. 2012 eu já estava determinado a correr a São Silvestre, mas tanto nesse ano quanto no posterior por acidentes caseiros em nada relacionado com corrida, abortei a missão. Parava mais um tempo e voltava praticamente do zero de novo.

Em 2014 eu já procurava ler coisas sobre corrida na rua e enfim me inscrevi para uma corrida de 5k. Aquilo me gerou a famosa expectativa sobre a primeira prova e acordar ainda com o dia escuro. Não me esquecerei do dia e da prova e todo aquele clima no ar. A questão é que como eu havia lido, comecei com uma prova de 5k quando já corria pouco mais de 10k, mas o que pensam que aconteceu?

Eu simplesmente "quebrei". E quebrei por falta de experiência mesmo. Uma coisa era correr só e no meu tempo, outra foi largar com as pessoas que acabaram por minha inexperiência puxando o meu ritmo muito para cima. Uma decepção comigo mesmo e a alegria pela primeira medalha.

Registro de minha primeira corrida oficial

Dessa prova e do ambiente, fiquei sabendo de uma assessoria de imprensa que sortearia acompanhamento por cerca de 3 meses visando a São Silvestre. Bastava eu terminar 10k dentro de uma hora. Quem assim o fizesse estaria apto ao sorteio e treinei para tal dia. O problema para mim, foi o calor que fazia visto que era a primeira vez que eu corria aquele horário. 9h da manhã visando exatamente a São Silvestre. Com 6k me deu uma dor de cabeça proveniente disso, mas não só terminei dentro do limite estipulado quanto fui sorteado e isso me deu uma boa rotina de treino, mais acompanhamento. Nesse intervalo, corri oficialmente meus primeiros 10k e finalmente cheguei em minha São Silvestre. Ao término dela, fiquei aguardando alguns amigos que corriam pela primeira vez também chegarem e só fui embora quando tive certeza de ver todos.

Caminhando, cheguei no carro, entrei e extremamente cansado sentei e chorei. Era um choro na verdade de alívio e alegria por ter alcançado minha meta de quem começou a correr. Mal sabia eu naquele momento que algum tempo depois eu ia querer mais.

Se quiser saber como foi minha primeira São Silvestre, clique aqui, mas algum tempo depois eu descobriria que novos desafios fariam parte de minha vida e em breve eu continuo essa história.



terça-feira, 13 de setembro de 2016

Tchau querido



É nesse nível que nossa política tem andado. Dê revanchismo. De todas as formas possíveis e infelizmente bem rala.

O processo de cassação de Cunha acabou tem poucos minutos e cá estou eu escrevendo impressões sobre, não tendo dúvida que o lado que reclamou do "tchau querida" deve estar "descontando" com um "tchau querido".

Também não me venham dizer que isso é uma prova que o processo contra Dilma não foi a da mais pura politicagem. Foi apenas conveniente. Eleitoralmente conveniente, afinal, 450 x 10 (e 9 que se omitiram). Ninguém esperava um placar desse e se assim o fizeram, foi por medo das eleições que estão chegando. Tentaram apenas garantir a manutenção de seus cargos...

Pode ser o começo de uma mudança? Não creio que, mas gostaria que fosse. Eu na verdade espero a delação premiada de Cunha e que caiam os 150 que ele disse que levaria junto. Cunha aliás já disse que vai escrever um livro. Escreva. Não tenho dúvidas de que será um sucesso de vendas (embora não tenha certeza que será totalmente verdadeiro o que por lá estiver escrito).

A questão é:

Já deu a hora de ficarmos apenas no "Tchau querido". O Brasil precisa de mais e talvez seja a hora da população começar a olhar por reais interesses do que apenas o lado da moeda que lhe convém...

Não tenho a menor dúvida de que temos tempos sombrios pela frente. O processo desencadeado pelo impeachment de Dilma trouxe uma instabilidade política que deve durar alguns anos para se reestabelecer e a essa altura do campeonato, talvez seja realmente necessário abalar de vez as estruturas para que se possa tentar reconstruir algo e de preferência, dentro de um outro formato. A tal da reforma política já está mais do que na hora de submergir desse lodo.

Por hora, o caminho talvez que nos reste seja um Fora Temer e Fora Renan...

domingo, 11 de setembro de 2016

Arte da mentira

Ontem mesmo havia escrito sobre a percepção das manifestações estarem se alterando de alguma forma de quem vê apenas do lado de fora. Aliás, o próprio Michel Temer parece ter modificado seu discurso sobre as atuais manifestações.

 Como ontem, também haveria uma manifestação da qual eu não tinha ideia e dessa vez, houve muitas mães com crianças de colo e o que me cansa as vezes, são argumentos que parecem ser vociferados sem o menor questionamento sobre o que se fala. Eu já mudei opiniões sobre coisas pensadas com tempo. Fico imaginando desse internauta que fala alguma coisa impensadamente após se deparar com algum novo fato.

Uma grande birra que lia nos comentários ontem é que as mães levarem as crianças era um "tática comunista de escudo humano".

Embora eu não tenha coragem de fazer algo do tipo (afinal de contas, não levaria nem para um estádio de futebol, que dirá de manifestações coibidas pela PM), o que pensam essas pessoas? Que de fato as usariam como escudos? Ok, Vamos partir do ponto que simbolicamente sim. A polícia não interviria com violência por portarem crianças de colo, mas se ela já fez isso contra crianças e idosos, não poderia fazer novamente? Não seria um risco enorme para uma mãe (pai, tio, vó, professor) colocar em uma criança? Depois de um ataque, seriam elas literalmente escudos? E se precisarem atacar para se defender? Usam as crianças como tacapes?

Sinceramente não penso ter fundamento nessa linha de raciocínio. Volto a dizer que não faria isso, o que não significa que eu pense que esta é a "função"  das crianças nas ruas.

Aliás, para finalizar, em redes sociais encontrei a foto da capa do The Economist:


Art of the lie, ou "Arte da mentira". Em suma, o artigo coloca culpa na própria mídia por algumas razões, mas alerta que fazemos parte desse processo (e culpa). Mentiras absurdas de Trump, Erdogan e Putin são jogadas na net e simplesmente compartilhada (e óbvio que no Brasil). A grande maioria das pessoas simplesmente preferem acreditar no que o amigo postou sem checar as informações...

Abramos os olhos apenas. Posso me enganar. Aliás essa é uma outra percepção que tenho no momento. As pessoas simplesmente falam como quem tem certeza absoluta de que estão corretas.

Como diria o músico Felipe Tancini: " O problema não é o que você acha, o problema é o que você tem certeza"

sábado, 10 de setembro de 2016

As manifestações de hoje são como as de 2013?


Ainda ali no calor das manifestações de 2013, Slavoj Zizek é perguntado sobre o que se daria com o Brasil e ele foi categórico em falar que tudo dependeria de como a nação se colocaria pós manifestações e eu particularmente fiquei um tanto quanto desanimado quando percebi que a classe política que entrou em pânico em um primeiro momento conseguiu reverter a energia da população contra si mesmo elegendo de forma binária apenas dois lados. Dessa feita, mais de 90% da população se colocou de um lado contra o restante que também tinham suas guardas levantadas. O resultado? Políticos voltam a nadar de braçada como se diz na gíria.

Alguma coisa mudou nas atuais manifestações? Não. Pelo menos por enquanto, ainda não e elas pipocam por toda parte. Ontem mesmo teve outra em São Paulo 18h no vão livre do Masp.

A única fagulha de mudança que começo a notar nesse momento, é que jornalistas independentes parecem querer mostrar o que acontece lá de dentro das manifestações e não apenas aquela tomada superficial de alguns orgãos. Alguns advogados independentes também estão se expondo para tentar coibir o excesso promovido pela força do estado e para minha surpresa, alguns meios começam a falar de manifestação "enfim pacífica" ou coisas do tipo.

Na manifestação que fui dia 8 de setembro, via crianças, mulheres, idosos, adolescentes. Gente dos mais diversos perfis e pensava que a absoluta maioridade daquele povo não queria combate físico e apenas ideológico. Que mãe levaria uma criança para uma manifestação para enfrentar policiamento? Isso não me parece muito coerente.


Tentei puxar na memória de greves e manifestações dos operários do ABC que em sua total maioria são homens e não me recordo de confusões e quebra-quebra. Então me parece que tem alguma coisa mal contada aí.

Apesar disso, temos artistas, pensadores, filósofos e uma classe que tem instigado o povo ao pensamento.

Finalmente, o poder que todo mundo tem hoje em dia se ser mídia com seus celulares filmando tudo. Muita coisa já foi questionada através de imagens de manifestantes.

Enfim, ainda vejo as atuais manifestações com os participantes crendo que um lado seja bom contra o outro que é mal. Para piorar tudo, o uso de força repressora vem apenas quando as manifestações se dão contra um único lado e isso é deveras preocupante.





P.S.:Fotos por Demétrius Carvalho

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Olhe com teus próprios olhos



Foto: Juliany Bernardo

Cresci ouvindo que os franceses ou chilenos eram muito mais politizados do que nós por irem para as ruas protestar contra o governo. Não tinha esse papo de vandalismo. E se bem me lembro, foi esse tal vandalismo que derrubou o muro de Berlim para unificação das duas Alemanhas.

Hoje irei para a minha primeira manifestação dessa nova leva. Fui em várias em 2013 quando se tinha a população de uma forma geral contra um governo fosse ele de âmbito municipal, estadual ou federal. Exatamente o motivo pela qual Marcos Maia, amigo de longa data não ia para as tais. Diferente dele, perdi o interesse quando elas se mostraram pró fulano, contra sicrano. Eu não queria defender um lado de um esquema que acho fracassado. De distorções e distorções possíveis, essa semana tomei conhecimento de uma candidata que com apenas um voto vai assumir vaga de vereador no interior de sp.

Tomei partido ao engajar-me em tal manifestação? De certa forma sim, mas na verdade não estou indo exatamente por "Diretas já" ou mesmo um "Fora Temer". Ressalto que abdiquei de meu voto, pela tal falta de representatividade e descrença no sistema vigente (o mesmo sistema que criou brecha para que se tirassem Dilma sem crime constatado). O que não significa que eu fosse a favor do impeachment e defendo o direito de cada pessoa de ser a favor ou não, mas o que se viu na sequência foi um papelão. Um golpe contra a credibilidade da classe política.

Não acredito que exista um lado certo e outro errado nessa imbróglio e a esquerda tem que no mínimo se auto avaliar e entender que chegou onde chegou muito por culpa sua que trouxe o inimigo para dormir consigo. Aliás, quando deixou de ser tão esquerda e se moldou ao esquema perpetuando o jogo político como bem conhecemos.

O que me leva às ruas então?

Em primeiro lugar, o olhar com os meus próprios olhos e tirar minhas conclusões de como agem os manifestantes, mídia e a polícia (interessante ver o que disse Beto Richa em 2012 sobre a polícia)

Foto: Juliany Bernardo

Para fechar o meu raciocínio, vou por uma grande distorção verificada entre as manifestações contra o PSDB em São Paulo onde se teve catraca liberada do metrô para manifestante tirar selfie com policias fortemente armados, chamada na tv aberta conclamando pelas manifestações e a repressão que se vê nesse momento e que não é local, mas tem se alastrado por todo o território nacional aumentando assim uma sensação de estado de exceção.

Relembro do Marcos, meu amigo do começo da escrita para dizer-lhe que vou muito por um medo de retrocesso atrás de retrocesso. Basta olhar para alguns países do mundo árabe em décadas passadas e imaginar onde podemos parar...

De direitos em direitos perdidos, podemos entrar em um período nefasto nesse país que teima em ser o eterno país do futuro (afinal de contas, do presente é que não é).

Foto: Juliany Bernardo

Já diria aquela música d'O Rappa:

Pois paz sem voz não é paz é medo

P.S.: A próxima manifestação em São Paulo é hoje 17h no Largo da Batata.