quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Ver-me

Tudo está lá fora.
 Saia de casa. 
Viva.
 Esteja aberto ao que aparece diante de seus olhos.
 Surpreenda-se ao distanciar-se de si mesmo. 

Apenas assim posso ver-me ao fim de tudo.


terça-feira, 23 de novembro de 2010

É como se fosse...

Foto por Demétrius Carvalho


É como se fosse necessário afastar-se para enxergar.
Como ver estando por dentro?
Seria olhar sem nada ver.

É  como se a dor fosse necessária.
Como conhecer a alegria sem a tristeza?
Seria viver um torpor sem sentido.

É como se sentisse sua presença.
Como estando tão longe?
Seria criar uma realidade inexistente.

Tudo está em minha cabeça.
Ou na sua.
Ou é como se fosse...

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Juliana R. lança seu 1º disco


Devia ser meados de 2007, confesso que nem sei direito. Conhecia Juliana e para ser sincero, nem sabia que ela tinha algumas composições. Alguns meses depois ela soube que eu tocava com a Lua e comentou que tinha as suas músicas também e trouxe-as para ouvir. Eram apenas 4 músicas, mas ao ouvir, realmente gostei. 

Já vi produtores dizendo ter encontrado a melhor vocalista do mundo, a melhor banda. Eu apenas tinha encontrado uma artista que não parecia com esse ou aquele artista. Ela era apenas ela. Suas letras eram de uma simplicidade e sinceridade que assombravam. Encontrando-a novamente, elogiei seu trabalho e apenas por curiosidade perguntei-lhe quem era o baixista que tocava com ela. De uma forma surpresa, ela respondeu-me que não tinha nenhum acompanhando ela. A surpresa apoderou-se de mim e perguntei-lhe então quem eram os outros músicos de sua banda. A sua surpresa passou para um certo acanhamento ao confessar que ela não tinha banda. Nem pensei, disse-lhe que montava sua banda.

O tempo passou, os shows foram aparecendo, novas músicas surgiram e na dificuldade de todo artista novo e independente, ela conseguiu aprontar seu disco de estréia e apresenta este trabalho dia 19 de novembro de 2010 no Centro Cultural Rio Verde. Juliana R. será acompanhada por esse que vos escreve nos baixos acústicos e elétricos, Dustan Gallas  (guitarra), Felipe Maia (bateria) e participações mais do que especiais de Edgard Scandurra (guitarra), Daniel Gralha (trompete), Adair Vinícius (trombone).


Onde: Centro Cultural Rio Verde – Rua Belmiro Braga, 181 – Vila Madalena – São Paulo – SPHora: 22h00Entrada: R$ 15,00 (R$25,00 com cd).
Informações: Tel.: 11 3459-5321 – Fax: 11 3054-5703
e-mail: eventos@centroculturalrioverde.com.brInformações para imprensa: Carola González e Mercedes Tristão (Namídia assessoria de comunicação)Tel.: 55 11 3034-5501
carola@namidiacom.com.br
mercedes@namidiacom.com.br
www.namidiacom.com.br


Aqui você pode ver nossa "Fabulosa" como é chamada por alguns amigos em ação:


Mas sinceramente, você não vai querer perder esse show não é?

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Angel in the Snow - Elliott Smith

Ando meio cancioneiro digamos assim.. O que quero dizer com isso? Digamos que ao saber que consigo tocar umas notinhas por segundo, relaxei e aprecio as canções simples.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Eleições 2010

Outra vez, não quero entrar em questionamentos óbvios e dos quais cansei de ver (e devem estar cansados também). A falta de nível dessa campanha, as coligações mais absurdas e inusitadas para se vencer de qualquer forma, mentiras e preconceitos aflorados.

O que realmente me intriga nesse momento é ver as pessoas torcerem por candidatos como se fossem time de futebol. O meu venceu o seu, ou coisas do tipo. Mas vem cá: Por um acaso, em teoria não estavam todos discutindo planos para se governar melhor o Brasil?

Eu penso que agora, todos deviam se mobilizar e torcer por quem ganhou e fiscalizar e cobrar as promessas. Nem mais, nem menos, mas o que eu acho sempre foi e sempre será apenas o que eu acho...


sábado, 30 de outubro de 2010

Mr. Bungle- Pink Cigarette

Percebo que com o tempo, meu blog foi se redirecionando e já não sinto necessidade de falar que o que eu acho é apenas o que eu acho. No entanto, estou acostumado por trilhar caminhos estéticos não tão populares. Lembro-me no entanto de uma disciplina na faculdade chamada estética. Questionava-se o belo. Em história das artes por vez, era traçado um paralelo entre artistas de dada corrente. Notava-se que a literatura barroca, tinha algo relacionado com a escultura, com a música. Era simplesmente o pensamento de uma época e de alguns artistas.

Se no cinema, temos Tim Burton flertando com a bizarrice, Mark Ryden nas artes plásticas com esse mesmo senso, poderia dizer que Mr. Bungle o faz sonoramente:


terça-feira, 26 de outubro de 2010

Iludido, acredito

Esse ou aquele?
Angústia
Medo
Ah, mas eu posso ambos

Tudo posso
Então não escolho de fato...
Embalo apenas o capricho de uma pseudo escolha
Vivo inebriado em meu mar de mentiras





Ilusões das quais desconheço
Logo, acredito ser verdade
Sempre escolho o melhor
Sou o melhor
É mentira

Sinto-me como o gado no final das contas
Pasto tranquilo e sem o menor esforço de alterar minha rotina

domingo, 17 de outubro de 2010

Joe Cocker - A Little Help From My Friends - Woodstock 1969

Resolvi postar o que eu acho que foi umas das maiores interpretações já registradas na vida.
Hospedado no You Tube, o vídeo tem mais de 5 milhões de visitas e registra Joe Cocker tomando para si uma música dos Beatles. Música pra mim é emoção e nada mais...





É apenas o que eu acho...

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Bálsamo

imagem google

A dor é bela
A tristeza é necessária

Como sentir a plenitude da felicidade se 
eu nunca tiver caminhado de mãos dadas com a desesperança?

Ela é simpática
Sorri-me
Necessário uma luta incessante para deixa-la
No entanto ela te sorri

Sabe que quando estiveres só
Apenas ela beijará minha face
Gélido e penetrante

Devo correr e por mais que me esforce
Ela está ali

A felicidade é-me rara
Não sei se ela é ocupada, mas sempre desaparece

Resta-me agradecer todas as visitas de desesperança
Para saber que escolhi o caminho mais difícil
Ser feliz parece ser utópico
Mas parece ser um bálsamo mesmo em dias difíceis









P.S.: Não escrevo para os outros... escrevo apenas para curar-me!

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

Carta de amor



Para a minha,

As vezes nem eu mesmo entendo o que acontece entre nós. Estamos separados por alguns quilômetros, algumas cidades... alguns estados na verdade. Poderia ser qualquer uma, mas é você. Aos meus olhos, desfilas, e o cenário por onde deixa seu frescor é apenas para emoldurar o alvo de meu maior sentimento. O maior e mais devastador que se pode ter por alguém que é o sentimento de não mais importar-se consigo, mas com o próximo.

Na verdade é tudo muito simples: Queria poder estar ao seu lado agora, afinal sem seus cabelos entre meus dedos, sinto-me só. Apenas por todo o sempre eu te queria. Envelhecer ao seu lado e continuar achando que tens o sorriso mais bonito. Doce como um anjo. Tenho-te em cada sonho, em cada noite, buscando você por entre bosques para ter o seu abraço ao final. Estar ao seu lado é estar feliz mesmo quando as lágrimas de uma dor traspassam o meu coração. 

Não posso defender que ajo pela razão, mas sinceramente, onde cheguei com minha racionalidade? Quero ter a certeza de ter feito a loucura certa por você. Contra qualquer distância e qualquer empecilho. Quero que sejas a poesia da minha vida. Já não posso crer que exista vida sem sua poesia ou mesmos suas frivolidades. Queria-te eternamente feliz, mas quero estar ao seu lado no dia em que assim não se sentires.

Quero apenas sorrir e te fazer sorrir eternamente. Quero sentir que minha vida fez sentido, pois longe de você, não sinto. Quero sentir teus lábios sentindo os meus. Quero ouvir a mesma música por noites e noites sem fim e imaginar você. Não sei se já amei na vida, mas você desperta todo esse roteiro em uma história que só pode ter o melhor dos finais...




Do seu.

domingo, 10 de outubro de 2010

Praia da esperança



Era um dia bonito. O vento fazia as folhas das palmeiras dançarem produzindo uma gostosa canção em nossos ouvidos. O sol esquentava e a as ondas refrescavam aquela dezena de pézinhos sentadas na beira do mar. Ninguém falava nada. Todos com os olhos atentos naquele que deslizava em sua prancha dentro da mar. Ele era o melhor. Suas manobras eram as melhores. Inquestionáveis. O pequeno grupo se reunia todos os dias quando ele chegava. Uma palavra ou outra. As vezes um levantava para pegar uma água de cocô, ou comentava com o garoto ao lado aquela nova manobra.

Havia dias que ele ficava menos de duas horas no mar e mesmo em dias em que beirava 5 horas, a cena não se alterava muito. Depois que ele saia do mar, tudo se transforma. Uns iam  para dentro do mar, outros jogavam bola e sempre tinha um garoto que o acompanhava ao fim. Queria conversar com ele. Na maioria das vezes, passava tanto tempo com ele que não conseguia entrar na água para arriscar suas manobras. Ele era o mais franzino do grupo e sem treinar, seus amigos realmente não acreditavam que ele pudesse ser bom.

Os anos passaram-se e nosso herói marítimo se aposentou. A maioria dos pequenos garotos haviam tornado-se já adultos. Estavam entre 18 e 21 anos e logo apareceu um outro surfista que se destacava. Embora ele fosse realmente muito bom, todos comentavam que ele não chegava perto de seu antecessor. Na frente deles no entanto, ele era realmente muito bom. O grupo não passava mais horas vendo o novo dono do mar. Estavam ali lado a lado dele e quando saiam do mar ficavam discutindo manobras. Menos ele que ia na cabana do herói.

No grupo falava-se também que se nem o novo dono do mar era capaz de vencer o herói, ninguém jamais poderia fazer isso. Mais uns anos se passaram e de fato nenhum deles conseguia chegar perto do dono do mar. O franzino rapaz acabou sendo de fato o mais magro na frente dos outros e com o passar de uns dois ou três anos, alguns começaram a desistir. Três deles pararam por total e tirando mais uns dois ou três, o restante parecia ter o seu nível cada vez mais baixo. Finalmente o franzino chamava a atenção deslizando suas ondas e todos os outros diziam que era por que todos estavam parando ou desistindo. Sobrava apenas ele. Todos riam dele. Ele também ria de seus amigos e voltava para a cabana do herói...

Final do circuito mundial de surf. Na bateria final o dono do mar e a surpresa do campeonato. Todos estavam impressionados com a surpresa, mas sabiam que a vitória seria do dono do mar. Todos, menos duas pessoas...

45 minutos depois e 3 ondas para cada um dos concorrentes e ninguém podia acreditar no que havia acontecido dentro daquele mar. As melhores ondas surfadas em todos os tempos. As notas finalmente superavam as notas do herói. Incrédulos, todos ovacionavam a surpresa do campeonato e finalmente ele chega ao pódio para receber o troféu do melhor de todos os tempos. O herói se aproxima dele com os olhos marejados de lágrimas e entrega-lhe o troféu. Com microfone em mãos pergunta-lhe:

– Conte-nos franzino indomável como conseguiu fazer isso.
– Todos os dias quando eu ia em sua cabana, você me incentivava dizendo que enquanto eu tivesse esperança, poderia chegar onde quisesse...

Enquanto se abraçam com lágrimas correndo-lhes a face, seus amigos, o dono do mar e todos os outros aplaudiam o Franzino Indomável...

sábado, 9 de outubro de 2010

Distâncias



Sempre viajei 
Criei minhas perspectivas 

A melhor hora para sair
A melhor forma para cochilar
A melhor música para ouvir

A janela como um filme sem fim
Quanto mais distante
Mais vívido tornam-se esses sentimentos
E como me cansam as pausas para descansar

Essa noite descobri a maior distância que pode haver
A distância entre seus olhos e os meus
A distância entre meus dedos e seus cabelos

A distância entre o êxtase e a melancolia
A distância entre a cabeça e o coração



sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Salvando o dia


Acordo poucos minutos antes do meio-dia. Não fosse a insônia habitual e teria dormido bastante, mas acostumei-me a ver o céu mudar a sua cor. Ainda antes de levantar-me, percebo que outra companheira sempre presente em minha vida também estava ali, mas dessa vez parecia vir com marretadas em minha cabeça. Letargicamente enfio-me debaixo da ducha tentando sentir um pouco de prazer em minha vida. Mas a tristeza que me obrigava a sair dali poderia enfim ser consolada enquanto eu apreciava o meu desjejum...mas não o apreciei. Aquilo era um presságio de que meu dia realmente seria enfadonho. Na caixa de correios, uma multa de trânsito que terminaria por minar a minha saúde financeira. A física devo ter perdido uns 4 ou 5 anos atrás em um boteco e a mental não deveria ser eu a pessoa a julgar.Ainda existia uma busca por algo que reconforta-se o meu dia.

A música. Sim...sempre ela. Peguei os fones de ouvidos que foram acoplados ao meu celular. Ao menos isso me congelava em um mundo paralelo e juntamente com meus óculos escuros e uma cara de poucos amigos e ninguém ousaria falar comigo pelo menos até chegar aquele banco onde eu teria que vestir a carapuça de simpático caixa. Extremamente irritante ser agradável a força. O volume tinha que estar razoavelmente alto para as pessoas pudessem perceber o quanto eu era malvado. Rage Against The Machine fazia bem sua função. Acho que meu som empolgou São Pedro. Enquanto Zack de La Rocha berrava "Bulls on Parade". O Santo provedor das águas derramou toda a que podia sobre a minha cabeça.


Foto por Demétrius Carvalho

Resultado: Adentro o metrô já sem o som ou os óculos escuros. Isso era desesperador naquele momento. Estava sem disfarce e completamente a mercê de qualquer criatura simpática. Lógico que ela apareceu em forma de uma encantadora senhora que simpaticamente conversava comigo. Droga. Pelo menos no banco eu era pago para ser legal e simpático, mas ali. DROGA! Os poucos minutos até a minha estação pareciam não ter fim. Finalmente quando chego no banco e checo minha conta, vejo que uns depósitos não haviam caído. Lindo. Não teria dinheiro para pagar o aluguel e 10% a mais amanhã, somado a multa de trânsito era quase dar um tiro no pé e alguém dizer para você sorrir. Acho que era bem por aí. Nada naquele dia era capaz de espantar essa nuvem negra de minha cabeça.  

Finalmente estava eu ali dirigindo-me ao caixa para ver e manusear dinheiro o dia todo. 1% do que girava em minhas mãos por dia era o suficiente para solucionar meus problemas. Para piorar, logo no primeiro cliente, pego um que não entende algo em relação a sua conta de celular e simplesmente ele não entendia como eu poderia não entender da conta dele. Confesso que por uns 5 segundos não escutei uma só palavra do que ele estava berrando sobre mim. Não foi pelos gritos que afastei-me um pouco, mas sim pelo fato da minha elegância paga pelo banco que não permitiria que eu dissesse que ele não precisava me cuspir. Quando afastei-me, levantei novamente a cabeça e em seu peito, um brochê do time que eu mais odeio. Como o banco não me pagava pelos meus pensamentos, vi-me arrancando a caixa registradora e saltando por cima da cabine que nos separava. Em minha cabeça isso era em câmera lenta e em silêncio profundo. O som só se restabelecia para ouvir o som do sangue escorrendo-lhe da testa bem vermelho em um enquadramento preto e branco. Devo estar vendo muito filme do Tarantino...melhor voltar para a vida real.

O cliente (não podia chamar aquela anta de animal) ainda berrava e o sinal sonoro em meu celular de que uma mensagem chegava foi uma covardia. Não havia pior hora, local para receber essas mensagens. Peguei a conta da mão do infeliz como quem fosse tentar entender o seu problema. Era a forma que eu era pago para mentir. Dobrei apenas para a área restrita do banco. Nem olhei para a conta. Já sabia que lhe diria que ele ia ter que entrar em contato com a operadora. Queria apenas ver a mensagem em paz.

Oi Querido. Acordei pensando em vc. Acho que me enfeitiçou.  Não vejo a hora de acabar seu dia pra eu te fazer carinho...

Parece que um banho de bálsamo em um dia de spa arrebatou-me aos céus de tal forma que nem mais senti o dia passar.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Confessionário

Confesso
Tristeza não tem hora pra chegar
Bem verdade que também não sabemos quando se vai
E se vai 
Isso realmente pode piorar tudo

Confesso
Um gesto equivocado
A hora errada
Uma palavra mal dita
Uma palavra maldita

Confesso
Perco a vontade de continuar
Olho ao redor e vejo coisas piores 
Poderia ser pior
Só me resta sorrir




terça-feira, 5 de outubro de 2010

Ela espreita-me.
Ela?
E esse capuz negro?


Eu não sei.
Não me pergunte.
Só terei mais perguntas...

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Marginais e criminosos


Na verdade, fiz questão de não falar de política durante esse período e não citarei um único nome que seja ou partido. Até mesmo por ter segundo turno vindo por aí. O que realmente me incomodou muito foi ver a marginalidade e a criminalidade nesse 3 de outubro.

De propósito escolhi duas palavras pesadas e por isso gostaria de falar do significado delas antes de concluir. Marginal vem do que se está a margem, diz-se do assunto, questão, aspecto de importância secundária e escassa. Pessoa que vive à margem da sociedade. Já a palavra crime refere-se a violação de ordem moral, religiosa ou civil punidas pela lei. Em outras palavras, quem comete algum delito. Quando por exemplo você comete uma pequena infração de trânsito, um pequeno crime perante a lei foi cometido.

Passemos para um segundo ponto de onde eu quero chegar. Se eu cometo um pequeno delito (como já me aconteceu) com o Detran por exemplo. Tenho que pagar pelos meus delitos, afinal vem de cima a "opressão" para que isso seja feito, mas as infrações infelizmente são muito relativas nesse nosso país.

Quando partimos para a política então, creio que a frase de meu amigo Pablo Garcia da Costa  resume de uma forma triste o que vemos: "interessante como se pode ver um discurso ético/moral cair , quando um grupo corrupto, mesmo que indiretamente beneficia sua família".

Para fechar de uma forma triste, relato o que vi nesse dia. Saio obrigado para votar e acho isso errado, mas iria mesmo assim. Ao chegar na escola em que votaria, os marginais (aqueles que estão a margem da sociedade) reunidos para escolher seus governantes, e em uma esquina que mereceria uma foto ou uma paródia no desenho Simpson. Duas viaturas e um um grupo de 4 pessoas das quais 3 faziam boca de urna (crime eleitoral) e uma quarta pessoa com crachá de fiscalização da justiça eleitoral (que deveria fiscalizar), batendo papo descontraidamente que eu poderia jurar pela fisionomia que era mãe de uma das pessoas que além de cometer esse crime, sujavam a cidade de uma forma absurda. Infelizmente é o retrato de nosso país. Não é uma postagem que me orgulharei no futuro e que pretendo falar pouco.

Qual o problema nisso? A maioria das pessoas estavam bebendo em um bar (em São Paulo não houve a tal lei seca) curtindo a sua música...

É apenas o que eu acho...

quarta-feira, 29 de setembro de 2010



4:08h da manhã. Toca o telefone. Na verdade eu já sabia quem era antes mesmo de atender. 
 – Estou na sua porta  – falou-me aquele rouca e sensual voz.
Nem respondi... não precisava... desliguei o telefone e fui abrir-lhe a porta. Ela estava linda como sempre. Um longo vestido preto de seda. Uma insinuante fenda em sua coxa direita parece estar no limite do charme e do vulgar. Devo confessar que embora estivesse com a cabeça distante, perdi alguns milésimos de segundo ali. Uma fina alça em um ombro sem mangas que descia em um ângulo de 45º ao outro braço que embora não tivesse alça, tinha uma manga comprida. Coisas de mulher. Os homens nunca usariam coisas do tipo, mas tudo bem. Ela estava bela. Como qualquer homem, não notava o que exatamente o que ela tinha feito quanto a maquiagem. Na verdade, as curvas de sua cintura prenderam-me por outros milésimos de segundo.

 – Quer um chá?  – Perguntei-lhe mais por educação do que qualquer outra coisa.
 – Você sabe que não.

Enquanto fazia o chá, pensei em falar algo, mas resolvi aguardar ela tomar a iniciativa. Dessa forma, os 18 minutos da cozinha passaram-se em absoluto silêncio. No entanto, as 4 ou 5 vezes que a olhei, fui ferido com um olhar penetrante. Presente com um sorriso que poderia competir com a de Monalisa em sua serenidade. Só lavei a xícara para ver se ela falava algo e o fiz demoradamente, mas não havendo mais o que por ali fazer, chamei-a apenas com um gesto de cabeça e ela acompanhou-me.

Quando entrei no quarto após ceder-lhe passagem, fiquei com vergonha de meu quarto. Eu poderia justificar o quadro de Frank Zappa sentado em um vaso sanitário como sendo algo de valor artístico, mas a bagunça de minha cama, um par de meias usadas no chão, duas xícaras de café na mesa e principalmente uma cueca que estava na estante do quarto que fiz questão de tentar esconder, não dava para justificar. Ela continuava com um semblante inabalado e parecia ler meus pensamentos.

 – Não se preocupe. Você sabe o que vim fazer aqui.

Pedi licença para ela  – Gostaria de trocar de roupa  – e fiz menção de sair. Fui sob sua concessão com a cabeça que sustentava aquele enigmático ar de calmaria. Quando voltei para o quarto, ela estava já sentada na cadeira que ficava na lateral direita de minha cama. Deitei e ela ficou me olhando. Sua face definitivamente não era desse mundo e não conseguia entender aquele leve sorriso do qual não sabia se era pena, desdém, carinho, atenção, ou seja lá o que fosse por mim. 

Era 5:03h quando olhei para o relógio e fiquei fitando-a, tentando decifrar o que ela ali estaria fazendo. Muitos minutos passaram-se. Ao longe, podia ouvir os primeiros cantos de algum pássaro e ainda percebi quando o céu começou a mudar de cor. O que ocorria cerca de 10 minutos antes de 6:00h. Sei apenas que queria continuar o jogo com ela, mas o azul que invadia os meus olhos inebriou-me de vez...

Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm 
Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm 
Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm Triiiiiiiiiiiiimmmm 

11:00h. Desligo o despertador e um bilhete com um beijo de batom:

Precisando ou não de mim
Querendo ou não a minha presença
Você sabe que eu sempre estarei com você...








Com amor, Insônia.

domingo, 26 de setembro de 2010

Setembro verde


Em um possível futuro não muito distante.



As crianças reúniram-se para o ouvir falar. Ele está sentado abaixo de uma grande estrutura de concreto e aponta para vários objetos metálicos retorcidos por todo o lado.

— Tudo começou quando esses seres caminhavam por todos os lados, inclusive lá em cima do caminho cinza. Eles eram muitos e não paravam de se multiplicar. Nessa época, poderíamos ter mudados as coisas. Achávamos que era legal ter a presença deles e por isso fazíamos mais e mais caminhos cinzas. Eles não gostavam do verde, tinham dificuldade de andar na terra e a água era capaz de danificar o seu funcionamento. Ingenuamente começamos a ajudar eles em virtude de que precisavam de nosso auxílio para nascerem. Achávamos que a natureza sempre renasceria, mas houve um momento em que notou-se que os seres metálicos, ao caminhos cinzas e tudo o que precisava de nossa ajuda para crescer, começou a tomar conta. Ainda era possível reverter as coisas, mas eles traziam status e poder para quem os ajudava e o ser humano sucumbiu frente essa armadilha.

A natureza clamava e embora mesmo quando uma folha caia no chão, voltava a fertilizar o terreno para tudo renascer, não era assim com os seres metálicos, todo o concreto e todas as outras coisas que foram surgindo como o plástico, o vidro e dezenas desses outros objetos que formavam o que eles chamavam de Lixões. Embora se assemelham com as antigas montanhas, eles eram o retrato da morte.

Ainda no começo desse século, comemoraram o Setembro Verde que era uma data onde apesar de toda a barbárie sofrida pela natureza, ela dava mostras de sua persistência. Apesar dessa força, a destruição que acompanhava os inanimados era maior e ali — apontando para um fétido e lodoso caldo escorrendo por uma vala — um dia um belo rio existiu. Havia peixes, havia vida, mas tudo foi se dizimando.

Apesar de uma luta completamente desigual, houve um momento em que tivemos a natureza como morta, As cores pareceram morrer juntas. Temos esse mundo com variações de cinza apenas. Um resquício do que era as cores resta apenas nos seres metálicos retorcidos aqui e ali, ou em algum vidro colorido que chega a ser bonito hoje frente esse mundo monocromático que habitamos.

Lentamente ele se afasta e entra em um dos espaços acinzentados que antes refugiavam os homens. As crianças aguardam paciente e ansiosamente. 

Ele resurge com a vida brotando em suas mãos. Um pequeno vaso com uma planta verde  e pequenas flores vermelhas que atrae todos os olhares. Embora as crianças continuem sentadas, seus olhinhos se arregalam e brilham. Suas colunas e cabeças parecem querer ganhar um centímetro que seja para acompanhar aquela beleza nas mãos dele. Um certo ruído de euforia incontida pode ser ouvida, mas nada tira a atenção delas. Os poucos segundos até que ele se aproxime deles e se agache na frente delas parece horas.

Crianças, apresento-vos SETEMBRO VERDE!

sábado, 25 de setembro de 2010



Você é a noite
Sempre misteriosa
Encantadora e presente
Temerosa e cativante

A sua aura me chama
Sinto medo
Atração
O conforto me deixa em torpor

Vagueia sobre as águas
sobre meus sonhos
minha mente
Bate a porta de meu coração e não sei se é sonho ou realidade

Capricho? Desejo?
Ansiedade!
Vida!
Ansiosamente desejo o capricho da vida!

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Toda a tua dor

Soa-me como a minha dor
 A minha é poesia
É arte
É vida e de certa forma vital para o caminho que escolhi

A sua aplaca-me com a dúvida que nunca tenho
Ataca-me com as mãos atadas de um destino que me sorri desdenhoso
É um vento que gela a minha alma
Um sonho correndo por algum campo florido

De longe avisto você
Mas então percebo que é um pesadelo
Nunca consigo chegar perto daquele olhar que me encanta
Todavia sei que estou passando de raspão por você a cada segundo

Você sabe, mas resiste
Como uma fênix apenas acho que nada deve ser por acaso